<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213</id><updated>2012-02-03T16:09:30.797-02:00</updated><title type='text'>Conversas e distrações</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>447</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3053910336900614242</id><published>2012-02-03T16:09:00.000-02:00</published><updated>2012-02-03T16:09:30.804-02:00</updated><title type='text'>Consumo em três atos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Primeiro ato. Uma psicóloga contratou uma empresa para reformar o piso do apartamento. O proprietário, com outra obra simultânea, largava o serviço por até três horas. Ausente, deixava, às vezes, dois funcionários no local. No momento em que a reforma alcançou um dos quartos, ela estranhou o silêncio do trabalho. Ao entrar no cômodo, viu ambos dormindo. Surpresa, ela perguntou se havia falta de material ou de equipamento. Diante da negativa, restou a eles retornar ao serviço. A obra foi entregue com dias de atraso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo ato. Uma amiga estava de mudança e precisava fechar o buraco do aparelho de ar-condicionado antes de entregar o apartamento à imobiliária, em São Vicente. Depois de procurar dois profissionais, encontrou o preço mais barato: R$ 250. Meia hora de trabalho para fechar um buraco na parede. Ela apelou para o pai, que executou o serviço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro ato. Vinte e cinco pessoas se reúnem para a comemoração de formatura numa pizzaria de Santos. Dois garçons decidem, à revelia dos clientes, dividir o grupo em cinco mesas. No final da comemoração, as contas foram entregues em separado. Um dos grupos teria pedido quatro doses de cuba libre. As bebidas foram cobradas de duas “mesas” diferentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os garçons insinuaram que os clientes tentavam enganar o caixa. Depois de uma primeira discussão, a conta foi reduzida em R$ 40. Quando uma das clientes conferiu a conta novamente, percebeu que o restaurante cobrava quatro cervejas a mais. Novamente questionados, os garçons levaram o caso à gerência. Neste momento, os clientes já estavam fora da mesa, diante do caixa. A gerente não conferiu a conta e gritou para o caixa: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desconta as cervejas deles, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tom de voz da gerente indicava que fazia um favor aos fregueses. A conta caiu mais R$ 25. Nenhum equívoco foi reconhecido pela pizzaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três casos aconteceram nos últimos 30 dias e mostram como as relações entre empresas, prestadores de serviço e consumidores ainda permanecem sob conflito. É claro que a implantação do Código de Defesa do Consumidor, há 20 anos, representou um divisor de águas neste casamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evolução evidencia o consumidor mais consciente de quem deve procurar quando se sente lesado. Por outro lado, muitas empresas e prestadores de serviço apostam na ingenuidade e na desinformação dos clientes para empurrar produtos inferiores às promessas feitas na venda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande empresa de varejo, por exemplo, engrossou a lista de reclamações em Procons depois da liquidação, entre o Natal e o reveillon. A esmola foi tanta e, como ninguém desconfiou, muitos consumidores abriram as caixas em casa com peças em falta ou defeitos em série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas empresas, sedentas de vender a qualquer ou com qualquer preço, se sentem como se prestassem caridade aos fregueses. Um favor que inclui omissão, falta de educação de funcionários ou descaso com a entrega. Quantas vezes você esperou horas por um prestador de serviços que não apareceu? Quantas vezes você comprou uma mercadoria e, ao perguntar sobre o horário de entrega, ouviu como resposta: horário comercial? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta postura conta, de certa forma, com a conivência dos consumidores, que não percebem que ações coletivas obtém resultados melhores. Comprar em grupo na Internet, atrás de descontos generosos, não serve como referência. Somente reforça o individualismo que ratifica o comportamento predador de muitas empresas. A lei é sólida e nos protege, mas falta aos envolvidos absorvê-la como mentalidade e não apostar na impunidade nas relações comerciais.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3053910336900614242?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3053910336900614242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3053910336900614242' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3053910336900614242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3053910336900614242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/02/consumo-em-tres-atos.html' title='Consumo em três atos'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-9033078779241067770</id><published>2012-01-26T02:14:00.000-02:00</published><updated>2012-01-26T02:14:18.407-02:00</updated><title type='text'>O dia em que Sherlock Holmes virou o touro do sertão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os apaixonados sentem antes da hora. Os apaixonados sentem quando a hora da mudança se aproxima. Gritam e pulam quando o desejo está prestes a se realizar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          - Torô, torô, torôoooo!!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Restaram cinco minutos para o término do jogo. O time da casa tem uma falta na entrada da área adversária, daquelas que não se transformaram em pênalti por causa de um metro. Talvez fosse a última chance de evitar a primeira derrota do ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alain Delon, nome de ator francês, mas jogador de futebol baiano, eterna promessa do Vitória de Salvador, partiu para a bola. Ele é a estrela do clube, visto como o homem diferenciado, pelo menos ali naquele estádio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Quando o astro bateu, o enredo correu em câmera lenta. O goleiro adversário ameaçou saltar no canto direito, mas congelou pelo caminho. Gol do Fluminense. 1 a 1. Um gol que aliviou o cheiro de fracasso de bilheteria dentro de casa e manteve o elenco entre os quatro primeiros do campeonato, posição que assegura vaga nas semifinais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Voltei a um estádio depois de um ano. E não fui acompanhar o tricolor carioca, embora muitos torcedores vestissem a tradicional camisa verde, branco e grená. Testemunhei a partida do primo Fluminense de Feira de Santana, que enfrentou o Serrano pela terceira rodada do Campeonato Baiano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          A última vez que visitei um campo de futebol foi no final de 2010. Aliás, a primeira partida em que levei minha filha Mariana. Fomos acompanhar Portuguesa Santista e Força Sindical. A Briosa é meu time de coração e o segundo amor de milhares de santistas. Não um amante, mas a amiga de muitos anos, um afeto quase fraternal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi a Portuguesa empatar em 1 a 1 e morrer abraçada com o adversário. Ambos caíram para a quarta divisão do Campeonato Paulista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Confesso que tenho atração por jogos improváveis. Aquelas partidas cujos gols não serão exibidos na hora do almoço em rede nacional ou que receberão cobertura limitada em sites e jornais. E assistir a Fluminense e Serrano foi um programa improvável para quarta-feira à noite. Só se fala no irmão caçula do tricolor. O Bahia de Feira é o atual campeão baiano e lidera a edição deste ano. Venceu todos os três confrontos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          A ideia inicial era ir ao cinema, dentro de um shopping em Feira de Santana. Na boca da bilheteria, descobrimos que não havia mais ingressos. Sala lotada. O que fazer? Ver uma animação ou voltar para casa. Ainda estávamos com caras de decepção quando Rômulo – que acompanhava o jogo Bahia pelo rádio – sugeriu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          - Vamos ver o jogo do Fluminense? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Qual o adversário? Ninguém sabia. Itabuna? Juazeiro? Depois de 10 minutos, a resposta via rádio: Serrano! Honestamente, qual diferença faria diante das duas opções anteriores? Ninguém conhecia jogador algum do Serrano. Eu, por exemplo, havia descoberto que time fazia parte da primeira divisão duas horas antes, quando lia o noticiário esportivo local. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          O jogo havia começado. Chegamos no final do primeiro tempo. Na bilheteria, um garoto, sonhando com um espetinho de churrasco, alertava: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          - Por que vão ver o jogo? Paga um churrasquinho, tio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Pagamos R$ 10 para entrar. Os portões já estavam fechados. Batemos no portão principal para entrarmos. Os torcedores xingavam dentro do banheiro, na porta do vestiário, nos corredores de acesso às arquibancadas, em frente às cadeiras numeradas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          - O Fluminense não tem time, dizia um deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Quando nos acomodamos na arquibancada e olhamos para o placar eletrônico, entendemos o óbvio. Era intervalo de jogo. O Serrano vencia por 1 a 0. Na primeira partida em casa, o Fluminense apenas empatara. Agora, perdia para um adversário mais fraco e acuado na defesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Não vou me aventurar a fazer análises de um jogo em que a maioria dos torcedores sequer conhecem os protagonistas, exceto um ou outro amigo de Feira de Santana, mas estes vão me perdoar pela omissão parcial. Parcial porque me atrevo a dizer que o segundo tempo foi a marca do futebol nacional: correria, chutões para a área adversária, força física, muitas faltas e poucas oportunidades de gol. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, observar os torcedores era um prato mais suculento, concorrente de sorveteiros, vendedores de amendoins, água e refrigerantes. Um dos torcedores, na casa dos 60 anos, vibrou como um gol quando se pedido foi atendido. O juiz parecia ter ouvido o recado. O goleiro do Serrano levou cartão amarelo por retardar o jogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fluminense de Feira é uma espécie de segundo time de muitos moradores da cidade. Bastava ver o desfile de camisas do Flamengo, Vasco, Bahia e Vitória, entre outras equipes médias e grandes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Diante do fracasso do time da casa, outros torcedores apelavam para o passado. Como um senhor que enaltecia o amigo ao lado: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          - Este aqui jogou no Fluminense de Feira. Isso quando o Fluminense tinha time. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Tinha também o torcedor que gritava clichês: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          - Este jogo está duro ... duro de assistir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Nestas horas, penso na frase do amigo José Roberto Torero: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          - Frases feitas foram feitas para serem usadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Duras também eram as arquibancadas, como na maioria dos estádios brasileiros. Para se defender do concreto, alguns torcedores transitavam com travesseiros. Poderiam usá-los talvez para dormir diante da partida sonolenta, mas preferiram assistir ao jogo com o mínimo de conforto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Para segurar a fome no estádio, nada de pernil e cachorro quente, comuns nos estádios de São Paulo. Ali, reinavam o acarajé, vatapá e a cocada. Independentemente do cardápio, optei por seguir em jejum. Confiar em comida de estádio é como acreditar que treinador muda o placar durante a partida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Fluminense e Serrano foi o melhor filme que poderia ver nesta noite. Não importa a qualidade do elenco, dos diretores ou da produção. No estádio Jóia, o roteiro teve reviravoltas, clichês e desfecho imprevisível, com interferência direta dos figurantes, que tomaram as rédeas da narrativa com os gritos de incentivo ao Touro do Sertão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por força das circunstâncias, o filme Sherlock Holmes 2 – O jogo das sombras, em cartaz no shopping center, acabou como coadjuvante de luxo e – quem sabe? - será visto em outra sessão.  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-9033078779241067770?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/9033078779241067770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=9033078779241067770' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/9033078779241067770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/9033078779241067770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/o-dia-em-que-sherlock-holmes-virou-o.html' title='O dia em que Sherlock Holmes virou o touro do sertão'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-838532086164330185</id><published>2012-01-22T14:00:00.000-02:00</published><updated>2012-01-22T14:00:42.372-02:00</updated><title type='text'>O transporte para "gente diferenciada"</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-L9vo0vXeG98/Txwyhc73fMI/AAAAAAAABB0/hlAIZQeAIMA/s1600/onibuscharge.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="185px" nfa="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-L9vo0vXeG98/Txwyhc73fMI/AAAAAAAABB0/hlAIZQeAIMA/s320/onibuscharge.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Santos e Praia Grande aumentaram o preço das passagens de ônibus neste domingo. Vou focalizar esta análise na cidade de Santos, a maior do litoral paulista, mas muitos dos pontos também se fazem cotidianos na vizinha Praia Grande. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O preço da passagem, em Santos, subiu de R$ 2,65 para R$ 2,90. O reajuste é da ordem de 9,5%. A inflação do período foi de 6,5%. Mas sempre há uma justificativa governamental, de mãos dadas com as empresas concessionárias. A desculpa costuma ser repetitiva e soa como piada de mau gosto para os usuários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a Prefeitura de Santos, andar de ônibus está mais caro porque aumentaram os gastos com folha de pagamento e benefícios de funcionários. Se os coletivos trafegam há anos sem cobradores, por exemplo, numa demonstração de que passageiros sempre são os bodes expiatórios, por que agora seria diferente, diante da conivência da classe política? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O preço da passagem subiu também, segundo a administração municipal, por conta dos chamados insumos, palavrinha sempre resgatada quando os passageiros ficam com a conta. Insumos são os culpados eternos: sucateamento da frota e aumento dos combustíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarifa é uma das mais caras do Brasil na proporção, enquanto o serviço é considerado um dos mais fracos do Estado de São Paulo, conforme pesquisas de opinião. Se a capital paulista adotasse a mesma relação preço-quilômetro rodado que Santos, a passagem em São Paulo sairia por R$ 8,50. Isso sem falar que o percurso em Santos é quase todo plano, o que gasta menos combustível e danifica menos os veículos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elevar a tarifa bem acima da inflação indica como a Prefeitura vem enxergando o transporte coletivo nos últimos 20 anos. Desde que a CSTC, um saco sem fundo, perdeu a primazia sobre o setor, Santos apenas trocou de monopólio. Hoje, estamos submetidos à vontade da Viação Piracicabana, que não enfrenta concorrência por mais alta que seja a pilha de erros cometidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano passado, por exemplo, um diretor da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) declarou, quando perguntado se pretendia tomar medidas para reduzir a superlotação dos ônibus em horário escolar, que os estudantes – se quisessem maior conforto – mudassem o horário de estudo. A culpa, claro, pertence exclusivamente à vítima. Por que não enriqueceu e comprou um automóvel, com todos os acessórios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por omissão, é possível acreditar que a política local reproduz os passos do restante das médias e grandes cidades, salvo exceções. A postura é privilegiar os carros, um dos termômetros do consumo e do crédito, mesmo que não exista planejamento de longo prazo para o trânsito, cada vez mais complicado em Santos. Quando se fala em planejar, aliás, a classe política mantém a desfaçatez de mencionar o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a principal lenda urbana das obras públicas da Baixada Santista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É insano testemunhar ônibus enormes em avenidas estranguladas como a Conselheiro Nébias, a única que corta a ilha de ponta a ponta. Oito carros novos por dia nas ruas, que expandem a terceira maior frota proporcional do país, não servem para alertar para um enforcamento viário em curso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os coletivos ditam o ritmo da via, e o trânsito se torna paquidérmico nos horários de rush. A administração municipal proibiu estacionamento em um dos lados da avenida, mas sequer cogita interferir na política de transporte coletivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto acharmos que o transporte coletivo representa assunto menor na pauta em ano de eleição, os ônibus permanecerão lotados, lentos e caros. E ignorados pelos homens de gravata em salas com ar-condicionado. Aí, restam duas saídas: comprar uma bicicleta e encarar a ciclovia, que não conecta a cidade em todas as artérias, ou financiar um carro e transferir o exercício diário de paciência, pois o praticamos como dependentes dos coletivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: ontem, dezenas de manifestantes protestaram em frente à Prefeitura, na Praça Mauá, contra o aumento das passagens de ônibus. Descontando um ou outro turista pré-candidato a vereador, foi uma manifestação pacífica, de gente politizada e preocupada com questões coletivas. Só lamento que não foram milhares de pessoas. Talvez, desta forma, a Prefeitura conversasse com a empresa-monopólio, em vez de baixar a cabeça e dizer amém.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-838532086164330185?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/838532086164330185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=838532086164330185' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/838532086164330185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/838532086164330185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/o-transporte-para-gente-diferenciada.html' title='O transporte para &quot;gente diferenciada&quot;'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-L9vo0vXeG98/Txwyhc73fMI/AAAAAAAABB0/hlAIZQeAIMA/s72-c/onibuscharge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-8870907854508707863</id><published>2012-01-21T20:01:00.000-02:00</published><updated>2012-01-21T20:01:46.778-02:00</updated><title type='text'>Os cínicos que estupram</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-r8LH8jvNiy0/Txs1pBZbHMI/AAAAAAAABBs/VL-s4qP9KD0/s1600/charge_tv_estupida-.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="232px" nfa="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-r8LH8jvNiy0/Txs1pBZbHMI/AAAAAAAABBs/VL-s4qP9KD0/s320/charge_tv_estupida-.gif" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Confesso que não liguei o nome à pessoa. Daniel era mais um personagem destinado ao esquecimento quando deixasse a TV. Outro bonequinho sem camiseta que repetia o padrão estético de anos de programa, como variação sobre o mesmo tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso também que precisei pesquisar para descobrir quem era Monique, a suposta vítima do suposto estupro. Utilizo o termo suposto porque o as negativas de todos expuseram o espetáculo. Suposto porque não tive interesse em ver as imagens, que nada acrescentam ao assunto. Monique seria a versão feminina de Daniel, com sobrevida traçada nas capas de revistas masculinas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheço que não escapei da avalanche de desinformação e irrelevância quando o BBB se renova (ou extrapola) como uma das polêmicas dos últimos dias, não importa o canal ou o programa. Mas uma situação como essa indica quem somos ou como nos comportamos a partir do conteúdo da TV ou como nos projetamos nela. O incidente no Big Brother representa, simbólica e literalmente, a TV aberta que consumimos e, por vezes, idolatramos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrente de cinismo se inicia na produção do programa, impregnado de violência simbólica. As relações entre os participantes são fomentadas a partir de jogos e premiações, com estímulo às articulações políticas, traições, falsa afetividade, entre outros elementos de manipulação. Abraços, beijos, choros e até ofensas são banalizadas em prol do show. Até aí, não há maiores novidades, salvo para os súditos cegos que crêem no reality show como a absoluta expressão da verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinismo se prolonga nas respostas diante da possibilidade de um crime. O BBB, conforme as reações e a palavras da direção e do apresentador, parece se constituir em um mundo paralelo, onde as leis brasileiras não se aplicam. Ironias e jogo de esconde-esconde permearam a ignorância geral perante a barbárie nas relações de gênero no país, culturalmente machista desde a maternidade. Amenizar um possível crime sexual por dinheiro é tão sórdido quanto praticá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concorrência também vestiu o manto da hipocrisia. Aproveitando-se da desgraça da líder – que, por sinal reverteu o telhado de vidro em audiência nos dias subseqüentes -, as demais emissoras da TV aberta exploraram o caso como um crime que jamais cometeram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fingindo-se horrorizados ou cercados de pseudo-celebridades em pose de comentaristas, apresentadores dissecaram o BBB como se seus empregadores fossem os baluartes da televisão educativa. Muitos apresentadores estavam mais boquiabertos do que religiosa diante de bordel, como se não soubessem o que os esperava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o cinismo mais enigmático se manifesta do outro lado da tela. O público se agarra no moralismo de liquidação enquanto acompanha, hipnotizado, a ilusão do glamour. É a audiência que adora exercitar o papel de promotor, juiz e carrasco e se deleitar com o poder dado a conta-gotas pela emissora produtora do programa. Isso quando o fornece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte dos espectadores, que colocam a vida alheia no topo da pauta, enche o peito para determinar as soluções e os desfechos como se não compartilhasse ou se omitisse dos fatos que o rodeia no cotidiano. Exalar indignação, com a segurança do distanciamento, é outra dose de hipocrisia, reforçada pelo silêncio que esconde intolerância, individualismo e pressa em julgar e condenar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo comum nestes casos são as mulheres mais machistas que eles. Para elas, a mulher sempre seduz o coitado do agressor. Como se a sedução resultasse necessariamente em coito. Como se o homem vivesse para atender o diabo em forma de feminino. Cínicas, apontam o dedo sem piscar os olhos em frente à TV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O falso caso de estupro no BBB engrossa a lista de falsas polêmicas do entretenimento que alimenta a TV comercial. Posar de surpresa ou levantar a bandeira da indignação com o novo-velho indica como injetamos diariamente um entorpecente como única saída para o vazio que nos atormenta, assim como nos recusamos veementemente em denominar a existência deste vácuo. É uma equação de violência simbólica – e política – que não solucionamos há 12 anos. Aí sim testemunhamos um estupro que permanece impune.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-8870907854508707863?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/8870907854508707863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=8870907854508707863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8870907854508707863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8870907854508707863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/os-cinicos-que-estupram.html' title='Os cínicos que estupram'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-r8LH8jvNiy0/Txs1pBZbHMI/AAAAAAAABBs/VL-s4qP9KD0/s72-c/charge_tv_estupida-.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-7300184953105596056</id><published>2012-01-20T23:42:00.000-02:00</published><updated>2012-01-20T23:42:22.157-02:00</updated><title type='text'>O porrete e a política</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Quando um grave problema social é explorado como novela política-eleitoral, o noticiário se transforma em peça de ficção, com blefes, falsas reviravoltas e, principalmente, cenas de surrealismo. As ações na região da Cracolândia, em São Paulo, servem como exemplo para um roteiro de má qualidade, com clímax e desfecho previsíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governador Geraldo Alckmin, como médico de formação, agiu como político de carteirinha. O problema não representa novidade alguma, nem para ele, nem para nós, assim como as reações óbvias de quem não compreende o cenário e reage conforme a correnteza política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro item da prateleira de surrealismo é o próprio nome do local. Parece que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o governador foram apresentados, logo após o réveillon, à Cracolândia. Se ganhou um nome, é preciso dizer que foi incorporado à rotina da cidade? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porrete virou cartão de visitas para esvaziar a área imediatamente. Dispersar os usuários de crack (uma doença nacional, aliás) não os fazem desaparecer como mágica. Pelo contrário, amplia as dificuldades de ações efetivas para combater o tráfico, tratar os viciados e revitalizar o local. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o governador tenha declarado que não faria uso político do tema, Alckmin expeliu promessas que incluíam – finalmente – atos de saúde pública. Quase acreditei que ele estivesse em campanha eleitoral, ao ver o pacote de milagres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o Governo do Estado vai dobrar, da noite para o dia, o número de vagas para atendimento de usuários? Como criará 400 vagas em curto prazo? A Polícia Militar, subordinada ao Governo do Estado, vale lembrar o óbvio, prometeu instalar três bases comunitárias na região. Por que não pensou nisso antes de agir como se estivesse em guerra civil? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crack engrossou a lista de assuntos que motivam picuinhas entre tucanos e petistas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também fez a visitinha tradicional para prometer, sem assinar: R$ 6,4 milhões para tratamento. Enquanto isso, os tucanos afirmam que a Cracolândia nasceu na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy. Os petistas culpam o PSDB, que governa São Paulo há 17 anos. Ambos poderiam morrer abraçados na falta de planejamento, na inércia em implantar políticas públicas e no desprezo pelas pessoas que, em tese, são invisíveis como cidadãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a primeira vez que a Cracolândia explode aos olhos da mídia e dos burocratas engravatados. Em 2009, a Polícia Militar já havia dispersado os usuários. O que foi feito posteriormente? Nada. Apenas conversas, promessas, transferência de responsabilidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crack não é um mal exclusivo da capital paulista. Em Santos, vivemos quadro semelhante, guardando as devidas proporções. É notório que há, pelo menos, seis pontos de consumo da droga. Os principais ficam nas imediações do Orquidário Municipal, em vários trechos da linha do trem e na praça do INSS, na Aparecida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promessas também foram feitas, como unidades móveis para acompanhamento de usuários e leitos para internação em hospitais da cidade. Na prática, o jogo de gato e rato entre usuários, guardas municipais e policiais militares, no qual a principal moeda de barganha é a truculência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De olhos nas urnas, os políticos, ainda que escondam seus porretes, garantem que a Cracolândia significa águas passadas. Como sugestão, vamos esperar seis meses. O que vai acontecer até lá? Será difícil de adivinhar?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-7300184953105596056?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/7300184953105596056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=7300184953105596056' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/7300184953105596056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/7300184953105596056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/o-porrete-e-politica.html' title='O porrete e a política'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3260225940466226410</id><published>2012-01-20T15:40:00.000-02:00</published><updated>2012-01-20T15:40:01.231-02:00</updated><title type='text'>A família feliz</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-WWPJ06fHJkk/Txmmwp5J0OI/AAAAAAAABBk/2pFRtWJSEeE/s1600/familia-feliz-real.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150px" nfa="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-WWPJ06fHJkk/Txmmwp5J0OI/AAAAAAAABBk/2pFRtWJSEeE/s320/familia-feliz-real.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;As ruas estão cada vez mais infestadas de carros. E os carros carregam na pele colantes cada vez mais numerosos de “família feliz”. Recentemente, numa festa, conheci uma mulher que, empolgada com o adesivo no veículo, tatuou uma reprodução dos bonequinhos nas costas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descontada a cafonice deste adesivo que se espalha como música de Michel Teló, a família feliz não existe como padrão e suas variações numéricas. Nem se separarmos as duas palavras. E se for vista como idealização apenas? Desconfio também deste argumento, pois o dono do carro tenta a todo custo se desvencilhar do igual, com uma falsa personalização ou exclusividade. Colar um papagaio ou um cachorrinho de skate, por exemplo. É a armadilha das relações de consumo. Desejar o diferente e cair no uniforme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que se prepare a cruz e a fogueira, não tenho intenção de destruir a família como núcleo social ou pregar a melancolia como motor das relações humanas. É duro de engolir a necessidade de exibir, como elemento de um pacote de status, a família como símbolo do seriado mamão com açúcar da TV fechada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concepção de família de comercial de margarina nunca foi dominante na história brasileira. Este modelo carrega consigo outra ilusão: família feliz é sinônimo de família estruturada. O colante do carro, como representação do real, derruba todos os núcleos familiares que sonham com cerca branca de madeira e cachorro saltitante na porta de casa. Sempre escondemos os desgarrados, pervertidos e irresponsáveis no armário, embaixo do tapete ou no silêncio monástico. É claro que as definições acima são invenções de quem manda no barraco contra quem pensa ou se comporta diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família feliz não nasceu das mentes de publicitários, obcecados em vender mais para o café da manhã. Eles apenas se apropriam de um modo de vida construído com a cristalização da sociedade de consumo. A crueldade reside no fato de que nós compramos um modelo desvinculado, inicialmente, da nossa cultura, como exercício do Complexo de Vira-Latas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absorvemos o conceito de família de origem norte-americana. A família feliz seria branca, heterossexual, religiosa, com macho alfa dominante, mulher-amélia, um casal de filhos estudiosos, casa própria e recheada das últimas novidades em eletrodomésticos, carro na garagem (para abrigar o colante, nos dias atuais), a tal da cerca, e os animais de estimação; de preferência, cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dinâmica cultural, por exemplo, nos impede de adquirir o pacote completo de família feliz, ainda que financiada em 24 vezes no carnê. Mas o problema é que compramos a essência do produto. E fingimos que praticamos a única saída possível. As demais construções familiares significam erros a serem administrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos numa época em que a felicidade se transformou em obrigação social. Integra o protocolo da suposta convivência civilizada. Não há tempo para luto ou perdas. E comprar a felicidade se torna um caminho espinhoso quando vivemos rotinas aceleradas no nível do desumano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compramos a felicidade 24 horas nas farmácias, nas redes sociais, nos programas que fazem autópsias nas vidas alheias. Processamos esta felicidade nos consultórios, nos gurus do mundo corporativo, nos livros de auto-ajuda que prometem enriquecimento veloz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Família e felicidade raramente se encaixam. Se ainda não se convenceu, observe com distanciamento os almoços de domingo na casa da vovó ou as noites de Natal. Não utilize exceção como regra, mas aplique os critérios que você adota para criticar a casa do vizinho ou do parente que se alojou na sua residência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O adesivo “família feliz” é mais um adereço que compõe o perfil de aparência que adoramos ostentar. Colá-lo na frieza do metal do carro reforça a submissão de todos os valores e princípios à lógica de consumo. Se não podemos, de fato, pagar pela felicidade, optamos por transformá-la em badulaque na prateleira de casa. E exibi-la como marca nos carros que infestam o trânsito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia é que, se somos felizes o tempo todo, com a família que muitas vezes odiamos ter escolhido, a felicidade e a família tornaram-se banais. Cadê a graça?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3260225940466226410?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3260225940466226410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3260225940466226410' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3260225940466226410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3260225940466226410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/familia-feliz.html' title='A família feliz'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-WWPJ06fHJkk/Txmmwp5J0OI/AAAAAAAABBk/2pFRtWJSEeE/s72-c/familia-feliz-real.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3706626522316816561</id><published>2012-01-19T03:21:00.003-02:00</published><updated>2012-01-19T03:34:35.339-02:00</updated><title type='text'>A fraude do imperador</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O atacante Adriano se comporta como ex-jogador. Só o Corinthians ainda não percebeu isso. Ou finge não enxergar por conta de interesses múltiplos que o impede de demitir o imperador aposentado, após meses de espera para entrar em forma, casos policiais e ausências aos treinamentos por causa de festas no Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a imprensa, Adriano recebe R$ 350 mil por mês. Mais de R$ 4 milhões foram atirados ao lixo para quatro partidas oficiais e um gol. Na Roma, foram nove jogos e jejum na artilharia. A mesma imprensa garante que a diretoria pretende dispensá-lo após o término do contrato, em junho. Diretores reclamam em público. O técnico pede empenho. Não seria cumprir a obrigação como empregado, independentemente de ser muito bem pago? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o final da Copa de 2006,&amp;nbsp;jornalistas afirmam que ele precisa de ajuda. Doenças, problemas familiares, más companhias, flerte com o crime organizado. Em cinco anos, Adriano conseguiu transformar&amp;nbsp;a seleção&amp;nbsp;numa miragem. E a postura recorrente de indiferença assassina as contínuas promessas de recuperação nas entrevistas coletivas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A torcida, que perdoa mais do que mãe diante do filho reincidente, dá sinais de que também se cansou dele. Adriano foi xingado pelos torcedores no amistoso contra a Portuguesa. Uma situação desconfortável por contrastar com a homenagem a Sócrates, que não era o exemplo de atleta, mas cumpriu todos os acordos (formais e informais) enquanto jogou pelo Corinthians. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me incomoda é testemunhar um atleta talentoso, de primeiro nível, atirar a trajetória esportiva na vala. Adriano poderia vestir, sem concorrência, a camisa 9 da seleção brasileira. Não há centroavantes brasileiros com o mesmo grau de eficiência. Descartou uma Copa do Mundo e caminha para perder a próxima, dentro de casa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Luiz Fabiano foi o único que se aproximou, mas – aos 31 anos – tem poucas chances de alcançar&amp;nbsp;alto desempenho em 2014. A molecada é instável e não sustenta o peso da responsabilidade. A vaga ao lado de Neymar segue assim mesmo: vaga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adriano&amp;nbsp;perdeu a fase vitoriosa da Inter de Milão quando decidiu retornar ao Brasil. Irregular no São Paulo, ele parecia ensaiar um retorno ao topo no Flamengo, quando foi artilheiro do Campeonato Brasileiro. Mas o torneio nacional é de caráter duvidoso, como se empilham os irregulares resultados internacionais. O truque enganou inicialmente os romanos, que - descoberta a fraude - o devolveram sem misericórdia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Corinthians, desesperado com a aposentadoria de Ronaldo e o início desastroso de temporada, fez vistas grossas e repatriou o sujeito. Adriano embarcou na turnê de auto-mutilação pela terceira vez. Não teve capacidade de compreender que o clube precisa de um ídolo e que gols e títulos perdoam os mais graves pecados. Mais do que isso: canonizam quem se vestiu com o manto da redenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adriano, infelizmente, faz parte de uma geração de jogadores que se comportam como crianças mimadas, cercadas por pais profissionais condescendentes, por vezes de olho no cofrinho do filhote. A essas crianças, pode tudo, inclusive o desrespeito pela história de um clube e pelos colegas que, em diversas circunstâncias, precisam se desdobrar para compensar a improdutividade de quem deveria dar o exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adriano tem 29 anos e uma experiência de vida provavelmente maior do que a minha, mas age como se estivesse numa bolha de plástico, onde erros&amp;nbsp;devem ser amenizados em troca do prazer individual. Passou da hora de ser tratado como adulto, como alguém que representa uma instituição centenária, passível de cobranças em proporção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o momento, o imperador é apenas mais um súdito da equipe que será lembrada pela força coletiva e pela ausência de comandantes iluminados dentro de campo. A biografia corintiana permanece coerente, um grupo de operários que carrega o maquinário no chão da fábrica. Falta a liderança do craque, que optou por se aposentar sem avisar ninguém.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3706626522316816561?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3706626522316816561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3706626522316816561' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3706626522316816561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3706626522316816561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/fraude-do-imperador.html' title='A fraude do imperador'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-6640014548917264932</id><published>2012-01-13T14:19:00.000-02:00</published><updated>2012-01-13T14:19:59.976-02:00</updated><title type='text'>Despedidas e mudanças</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A morte de um ano e o nascimento de outro costumam acenar com despedidas e mudanças. As despedidas, muitas vezes, se desenham como filhas do transitório, com fisionomia de até breve, jamais um adeus. Até as despedidas definitivas não conseguem se conter e sempre desejam – no fundo das gavetas a serem limpas – se transformar no pontapé das alterações de vida.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mudar, nestes tempos, soa como promessa de campanha, de costas para a posse e a importância do cargo. São como regimes de segunda-feira, prontos para o descarte da terça. Ou a reciclagem da quarta. Ou a amnésia de quinta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A virada de ano atrai os adeptos das despedidas e os seguidores das mudanças.  É um período que se supõe propício às renovações, trocas, desfechos e ressurreições. Quando despedidas e mudanças caminham em paralelo, uma delas pode se revelar fútil como promessa de milagre em culto de TV na madrugada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando se cruzam, deixam vestígios que se traduzem pela necessidade real de balanço, de revisão de conceitos, de perdas e de novas perspectivas para qualquer horizonte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfio que vincular mudanças de vida à metamorfose do calendário é o primeiro indício de fraude. É a terceirização da culpa, uniformizada em um criminoso abstrato, seja ele o reveillon, o teor alcoólico, a tristeza ou a euforia das sete ondas e da roupa branca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer juras de nova vida a partir de 2 de janeiro soa como insistir que a criança de 10 anos mantenha fé cega diante do Papai Noel. Enquanto sobrevivem como brincadeiras dentro do pacote de rituais, as promessas de novos caminhos vão embora como as oferendas de iemanjá. O equívoco talvez nos contamine quando acreditamos que uma noite de festa simboliza a queda do muro que nos impede de alterar o estado de coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudar significa se despedir. Não há como mudar sem largar algo, alguém, valores ou princípios. Não todos ao mesmo tempo, claro. Seria radical demais, que exige um catalisador – de certa forma – catastrófico. Um fator que não permite segunda via da papelada nem devolução ao comprador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despedida, para nos conduzir à mudança, ignora as placas de retorno. E finge, ao menos no início, que não existe acostamento. Os céticos garantem que o cenário muda; as pessoas, jamais. Mas o ceticismo é tão radical que beira a própria anulação de suas ideias, pois as transforma em crenças. Basta que a pimenta espirre nos olhos de quem tentou atirá-la nos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedir-se não se torna mudança se houver desapego. Garantias não existem só porque nos comprometemos a deixar de lado. É ato inerente à despedida largar para recomeçar ou escolher nova rota, mas provoca a dúvida do que plantar no lugar do vácuo recém-nascido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro acreditar que mudar é processo. Sem promessas. Sem mandingas (bom, às vezes ajudam!). Sem alarde sobre o caixote em praça pública. Sem campanha de marketing para iludir os fiéis em desespero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança eternamente em curso é imperceptível para quem a adota. A adoção se alimenta de retrocessos e avanços, sólida como a via que chega após muitos passos. Mudamos porque precisamos. Preferimos a despedida quando o sangue nos pés indica o andar sobre esteiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me enxergo como mutante quando me vejo pelo telescópio. E me entristeço ao ouvir alguém batendo no peito com orgulho de que sempre será o mesmo! Para eles, a despedida está fadada ao até logo.      &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-6640014548917264932?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/6640014548917264932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=6640014548917264932' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6640014548917264932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6640014548917264932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/despedidas-e-mudancas.html' title='Despedidas e mudanças'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-7441287943324372356</id><published>2012-01-06T15:25:00.000-02:00</published><updated>2012-01-06T15:25:53.716-02:00</updated><title type='text'>Só de ouvir falar ...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4yEVL-0cJ9c/TwcuAO22QSI/AAAAAAAABBM/CjnEtm_dxQA/s1600/blablabla.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="275" src="http://4.bp.blogspot.com/-4yEVL-0cJ9c/TwcuAO22QSI/AAAAAAAABBM/CjnEtm_dxQA/s320/blablabla.bmp" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A resistência é diária para vencer uma tentação quase incontrolável. Preciso parar e pensar para não me ajoelhar diante do prazer gratuito. Vivo em um mundo onde se fala o tempo todo. Sobre tudo. Sobre todos. Com ou sem propriedade. Pela intolerância ou para perpetuar o indivíduo como centro das atenções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Pessoas próximas me dizem que falo cada vez menos. Que a Lua estaria próxima como mundo. Que penso demais! Desconfio que mentem por compaixão. Talvez a questão não seja exatamente essa. A resposta me parece mais satisfatória se compreendê-la como via de mão dupla. Mas não significa que consista numa fórmula pronta, uma receita na qual uma porta conduz de maneira inevitável à outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Tenho minhas dúvidas se tagarelo cada vez menos. De qualquer modo, tagarelo. A via paralela mora na capacidade de escutar cada vez mais. Busco a utopia de ouvir como saída para sobreviver ao dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutar é como se defender de mim mesmo. Também não enxergue como abrir a janela e deixar entrar a luz com todo tipo de poeira junto. Implica em concentração em um cenário que se deleita pela dispersão, pelo fragmento, pelo superficial. Um passo por vez é disparate para quem saltita como a pilha não se esgotasse. Quando olho para fora, visualizo ursinhos da propaganda de pilhas vestidos como civilizados. E rezo para não me contaminar com a ânsia de dizer, dizer, dizer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Falar demais não se mede por quilometragem de saliva. Confesso que caio, por vezes, na armadilha da distração, da conversa desimportante que se enamora pela futilidade. É diferente de se prender a uma conversa propositalmente sem futuro, regada a petiscos, bebida e companhia agradável. É se distrair com as promessas de falsas causas coletivas, de se comprometer com o impossível para pertencer ao momentâneo, de se deixar seduzir pela hipocrisia que luto para enterrar no armário e atirar a chave no incinerador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A batalha pela escuta traz consigo a estratégia de abandonar vários fronts ao mesmo tempo. Entregar territórios para manter as fronteiras fundamentais com soberania, para perder a guerra e ganhar a paz. Mas a prática desmente a teoria bem delineada. Costumo sucumbir à magia da curiosidade, do interesse múltiplo. Tal esforço é doloroso porque o abandono – próprio e alheio – é um preço a ser cobrado. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-g3cs03mDNug/TwcuTOq2t8I/AAAAAAAABBc/UAuTfKEQmZk/s320/blablabla2.jpg" /&gt;&amp;nbsp;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Quando entro na farmácia, procuro o diálogo entre as prateleiras. Ali estaria o antídoto para tamanha falação esquizofrênica. Mas tento introjetar e me convencer de que o tratamento atravessa várias etapas, sofre retrocessos, caminha lentamente, até se aproximar da chance de cura. Não há prazo de validade nem garantias de remissão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O diálogo não pode se seduzir pela embalagem dos falsos medicamentos. É comum testemunhar dois monólogos que, em simbiose, se fingem de diálogo. Rotas diferentes, em intersecção, onde o outro está tão disponível quanto um cone de trânsito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O diálogo é fonte de existência para que possa fugir de minha arrogância. Aprender com o outro decorre da percepção de que somos limitados. Às vezes, o diálogo é apenas a troca, pura e simples, sem sede de conhecimento, sem fome de poder, sem utilitarismos escravizados pela vida prática. O diálogo é, como exercício de se ouvir falar e falar ouvindo, compartilhar o tempo e o espaço, num ato solidário com ambas as partes.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Confesso que demorei a perceber. Não sei sequer se consigo praticar com desenvoltura. Sei que pratico quando me policio, enquanto torço para que se torne lição determinada pelo inconsciente. Dialogar é a escuta em vida latente. Dialogar ultrapassa os limites do contar. Dialogar nos faz humanos como adeptos da civilidade sem os vícios da selvageria envernizada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-7441287943324372356?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/7441287943324372356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=7441287943324372356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/7441287943324372356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/7441287943324372356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/so-de-ouvir-falar.html' title='Só de ouvir falar ...'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-4yEVL-0cJ9c/TwcuAO22QSI/AAAAAAAABBM/CjnEtm_dxQA/s72-c/blablabla.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-8720090775307311534</id><published>2012-01-04T21:51:00.000-02:00</published><updated>2012-01-04T21:51:12.799-02:00</updated><title type='text'>A preservação do santo</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;O goleiro Marcos, do Palmeiras, anunciou hoje a aposentadoria. O texto abaixo foi publicado, originalmente, em 10 de março de 2010. Republico neste espaço sem alterações e peço apenas o desconto dos nomes datados. O resto permanece, infelizmente, atual. É uma singela homenagem ao melhor goleiro brasileiro dos últimos 15 anos.&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;**********************************************************&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;O goleiro Marcos, do Palmeiras, não é mais o mesmo. Pelo menos, dentro de campo. Mas não pague ingresso, leitor, para viajar na barca sem rumo dos apressados. Marcos é um sujeito de 36 anos, sem – por razões óbvias – os reflexos e a agilidade de quando tinha 26. Ou quando estava com 28, evitando que alemães e outros adversários atrapalhassem a trilha de sete vitórias seguidas e o título da Copa do Mundo de 2002. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compensação vem pela experiência, pela capacidade de liderança, por saber usar o corpo para evitar gols, sem a necessidade de vôos que mais agradam os fotógrafos do que os especialistas na posição. Este é o caminho sagrado dos goleiros mais experientes. Goleiros fora de série passam por metamorfoses. Evoluem. Viram leitores precisos e independentes da dinâmica de jogo. Tanto que muitos deles terminam – depois da aposentadoria – no banco de reservas, vistos como estrategistas eficientes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Marcos não está velho ou acabado para o ofício. Ele permanece milagreiro. Os toques sagrados apenas ficaram mais discretos. Temos que nos contentar com um santo menos espetacular, mais singelo e direto nas ações em campo. O goleiro veterano é um sujeito que conhece os atalhos, capaz de trabalhar, por exemplo, com os pés e outras partes do corpo (sinal de que o posicionamento melhorou, pois o goleiro está na trajetória da bola). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O problema, atualmente, é que o Palmeiras se transformou em um time mediano, sustentado por seu goleiro, além dos meias Diego Souza e Claiton Xavier. È – por força de promessas não-cumpridas, picuinhas da política interna e dirigentes que se mostraram comuns – o clube mais fraco dos quatro grandes de São Paulo. Sem os três jogadores, trata-se de um clube pequeno do interior do Estado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Marcos sempre foi esquentado. É do tipo que os jornalistas, aqueles viciados em análise pontuais, adoram. Repetem as palavras do goleiro, as distorcem nos comentários dignos de boteco para se contradizer sem cerimônia no mesmo dia. É ótimo ter um líder que se importa. O goleiro é uma exceção no futebol, hoje marcado por contratos ignorados, jogadores que beijam múltiplas camisas, escalações de equipes que pouco se repetem e atletas esquecidos no semestre seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Marcos se importa. Suporta a dor física das lesões. Não diferencia clássicos de partidas contra os laterninhas. Trata o Parque Antártica como um templo, e não como um estádio. Marcos se importa por pensar no futuro do clube. Por se preocupar em formar novos goleiros. Em dar oportunidades a eles. Diego Cavalieri – hoje no Liverpool – é apenas um caso da fábrica de goleiros competentes. O Palmeiras não teve um goleiro ruim desde os anos 60. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            É difícil manter-se sereno diante de um time que sua sangue para vencer o Sertãozinho e apanha de São Caetano e Santo André dentro de casa. Qualquer amante perde a compostura diante de um lar remexido por estranhos. Ainda mais se falhou em um dos gols. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Todos os grandes goleiros falham. Engolem frangos espetaculares. O torcedor deve temer os goleiros regulares. Eles serão sempre regulares. Nunca serão péssimos. Nunca serão excepcionais. Não fazem a diferença em momentos importantes. Não asseguram campeonatos quando as estrelas amarelam. Não fazem o atacante amaldiçoar o técnico por tê-lo escolhido para cobrar um pênalti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Marcos atuou inúmeras vezes no sacrifício e pretende se sacrificar no próximo ano. Qual ídolo você conhece, leitor, que seguiria para o banco de reservas com o objetivo de formar o sucessor? Qual ídolo assinaria contratos de longa data, que prevê um cargo na comissão técnica, sem inflar o ego para comandar o time na beira do campo com pouca experiência? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Marcos sofrerá muito até o final do ano. A torcida, também. A dor não será por causa dele, mas será sentida em conjunto com o goleiro. A catarse será coletiva. A gestão atual do clube escolheu as mesmas estradas viciadas de outras agremiações. A política surrada do bom e barato não me parece suficiente para aproximar o Palmeiras das finais. Os sintomas da desorganização pipocam durante o Campeonato Paulista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Infelizmente, o Palmeiras não aprendeu com o ano anterior. Perdeu o campeonato por possuir somente um time, e não um elenco. O Campeonato Brasileiro, com 38 rodadas, é longo e exige banco de reservas. Planejamento é fundamental. Ou, pelo menos, não tomar medidas trapalhonas. O São Paulo, com três títulos seguidos, é a evidência física mais cristalina. O Flamengo, em 2009, foi uma exceção, que confirmou a regra dos anos anteriores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Marcos, o santo, sofrerá como todos que abrem mão de si por uma causa maior. Mesmo com a chance de milagres eventuais, o goleiro tem feridas demais, cicatrizes demais para salvar um clube que caiu na vala comum.  E não terminará a carreira por baixo, como desejam os pessimistas. Terminará a carreira onde começou. Há ato maior de amor do que proteger a floresta mesmo quando ela pega fogo?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-8720090775307311534?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/8720090775307311534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=8720090775307311534' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8720090775307311534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8720090775307311534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/preservacao-do-santo.html' title='A preservação do santo'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-2024678433533739605</id><published>2012-01-03T20:28:00.000-02:00</published><updated>2012-01-03T20:28:43.841-02:00</updated><title type='text'>O purgatório das sereias</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-d8hyS3y9gqU/TwOA86doebI/AAAAAAAABBE/Paucgq6nWw4/s1600/sereias.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="216" src="http://3.bp.blogspot.com/-d8hyS3y9gqU/TwOA86doebI/AAAAAAAABBE/Paucgq6nWw4/s320/sereias.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A extinção do futebol feminino no Santos Futebol Clube não apenas expõe os pés de barro de um gigante propagandeado como sólido e transparente, como também ressuscita o debate sobre os espasmos que envolvem a organização deste esporte no país. Os sinais haviam sido dados pela diretoria do clube ao longo do ano passado. O Santos esvaziou gradativamente o departamento e utilizou a justificativa de falta de retorno financeiro para passar o cadeado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um clube deste porte não consegue arranjar financiadores para o futebol feminino, ao mesmo tempo que ostenta contratos vultuosos na equipe profissional masculina?  A diretoria não recebe apoio de uma confraria de executivos dignos de Banco Central? Como este grupo não vislumbrou novos caminhos para tornar o Santos efetivamente uma exceção? É óbvio que são times diferentes, em contextos distintos, mas me incomoda imaginar por que não se pensou em alternativas para a equipe feminina, da forma como se trabalha com os atletas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agonia do futebol feminino do Santos começou há meses. Os sintomas, diante do cadáver recém falecido, podem ser enumerados por qualquer legista. A saída do também técnico da seleção brasileira, Kleiton Lima. O enfraquecimento do elenco, com o final do contrato de diversas estrelas. O afastamento dos dirigentes e a desvalorização da Libertadores em 2011. Os resultados insuficientes contra equipes de menor visibilidade. São fatores que, separados, pareciam pontuais, mas acenavam com a mudança de rota rumo à extinção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futebol feminino continua sendo visto como um apêndice do masculino no Brasil. O mesmo argumento de que era fundamental fortalecer a cultura do futebol entre mulheres no país agora serve para justificar um possível fracasso da modalidade. Entre todos os níveis, do Santos à CBF, salvo exceções como a Copa Libertadores do ano retrasado, a cartolagem pratica a cortina de fumaça para mascarar projetos de curto prazo, com o verniz de que o futebol terá tempo para se desenvolver por aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marta, por exemplo, nunca veio com contratos de longa duração. Jogava nos intervalos dos campeonatos europeus ou norte-americanos. Outras atletas de seleção brasileira, como a atacante Cristiane, atuavam nos mesmos moldes contratuais. De fato, nunca se pensou em programas duradouros, o que não surpreende porque o futebol masculino, entre os grandes clubes, também passa por renovações a cada aceno de qualquer time de segunda linha da Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dirigentes poderiam tentar entender como o futebol feminino é um sucesso em países europeus e nos Estados Unidos. Há inúmeras portas a escolher. Campeonatos sólidos, com administração independente, como na Suécia e na Alemanha. Ou vincular a modalidade à formação universitária e à criação de uma liga rigorosamente profissional, como nos Estados Unidos, sem vínculos clubísticos, definitivamente empresariais.  Ou ainda adotar o modelo chinês, subvencionado e controlado pelo Estado. Todos eles geraram resultados em competições internacionais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O futebol feminino rasteja desde os anos 80, de pires na mão para as migalhas da Confederação Brasileira de Futebol. Desde o tempo da equipe carioca do Radar, não há uma política sólida para este esporte. O futebol feminino transita pelo purgatório, numa espera torturante, já que os times não seguem os passos da versão masculina tampouco são livres para desenvolver vida própria. A sombra que protege é a mesma que machuca quando o interesse dos cifrões desaparece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Santos é mais um caso isolado que eleva a pilha da ilusão que assassina inúmeras vezes a esperança de um novo recomeço. Todos os times grandes de São Paulo montaram equipes femininas e fracassaram. Os clubes não pressionam as federações. A imprensa não se interessa, viciada no dia-a-dia dos times, com contusões, suspensões e outras regras da cartilha viciada. As estratégias de marketing reiteram o caráter passageiro e específico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Terminar com o futebol feminino, assim como aconteceu com o futsal, arranhou a imagem de pujança. A gestão que tenta transformar a exceção Neymar em regra, sob a alegação de que mudaria o estado de coisas, provou ser mais do mesmo. O Santos, que simbolizava novos tempos, se mostrou co-irmão dos colegas paulistanos. As diferenças entre eles se foram com o reveillon, ao menos nas modalidades que cercam o futebol masculino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sereias da Vila, que engordaram a sala de troféus com duas Libertadores, um Mundial e três campeonatos Paulistas, morrem lesadas pelo canto que normalmente seduz os homens. Eles, por sua vez, serão lembrados pelos naufrágios que provocaram no ano do centenário que, em teoria, deveria passar em brancas nuvens e mares ausentes de tempestade.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-2024678433533739605?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/2024678433533739605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=2024678433533739605' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2024678433533739605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2024678433533739605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/o-purgatorio-das-sereias.html' title='O purgatório das sereias'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-d8hyS3y9gqU/TwOA86doebI/AAAAAAAABBE/Paucgq6nWw4/s72-c/sereias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-5904935353470172023</id><published>2012-01-01T23:00:00.000-02:00</published><updated>2012-01-01T23:00:36.057-02:00</updated><title type='text'>Fugindo do Michel, antes que me pegue</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Consegui me manter alienado até 23 de dezembro. Alienado e feliz! Conheci o que não deveria ter ouvido. Alguns dias antes, abri o jornal no final da manhã e li uma reportagem de capa de um caderno de cultura. O texto descrevia o novo fenômeno da música brasileira. A explosão na Internet, a tradução da letra para o espanhol e para o inglês, a venda como água do DVD ao vivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconhecia o repertório-chiclete dele. Assim, a reportagem significou apenas cultura inútil sobre mais um artista do verão. O próprio cantor afirmava que deveria extrair ao máximo os dividendos do sucesso. Não tinha certeza quanto tempo duraria. Para um alienado – e volto a frisar, feliz -, seria ele um novo rebolation? Um novo tchan? Outro Luan Santana? Perguntas inexpressivas para respostas que não merecem esforço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 de dezembro, voltamos ao flerte. Na casa de amigos, o filho caçula me expõe à idolatria do cantor. Fui xingado, apenas com o movimento dos lábios mudos, porque brinquei com a música de quem não conhecia. Minha punição e praga decretada: vê-lo a meu lado por todos os cantos. É claro que a praga não veio do menino de sete anos. Provavelmente de alguma entidade das melodias de supermercado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo para desabafar, para pedir auxílio, para encontrar pessoas que desejem, como eu, montar um abrigo de foragidos. Tento, desde então, escapar de Michel Teló. Fugir dele se tornou pré-requisito para manter a mente livre. Para manter o pensamento arejado sem que o hit “Ai, se eu te pego” permaneça como mensagem obsessiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trânsito, liguei o rádio e lá estava ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Delíciaaaa!!! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desliguei o rádio. Quando o carro parou no semáforo, o cidadão no carro ao lado não pretendia vender o aparelho, mas até agora ninguém me convenceu do contrário: ou ele era do fã-clube do cantor paranaense ou recebia comissão para divulgar a obra dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sina me manteve ileso por alguns dias. Não desconfiava do período de incubação. Imaginava que as palavras repetitivas se foram como uma chuva desta época do ano: forte, rápida, seguida de luz forte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na antevéspera do réveillon, os sintomas se agravaram. A fase de calmaria era, definitivamente, alarme falso. Resolvi acompanhar minha irmã a uma agência bancária. Meus dois filhos seguiram conosco. Andamos duas quadras e paramos no cruzamento de duas avenidas. Meu filho caçula estava nos meus ombros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado, um carro com o som alto aguardava o verde. Eu não prestava atenção na música por estar preocupado com as crianças que atravessariam a rua. Até que escutei meu filho de dois anos pronunciar três palavras: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Pego, mata, delicha! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ele estava repetindo o hino dos direitos autorais, como poderia me salvar da radiação? Como poderia defender uma criança dos problemas do mundo? Sentia-me como uma vítima das falhas na política de segurança pública? Ou entregaria os pontos e admitiria que estava vivendo na Alcatraz de dois acordes e três frases em repetição ad eternum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci-me do assunto por 24 horas. Superei uma crise de insônia, uma irritação inexplicável e dei um voto de confiança para a euforia de final de ano. Arrumei-me para a virada, que seria vista na praia de Santos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando à casa dos amigos, a chuva apertou. E a tendência era piorar, o que nos impediria de caminhar até a orla. Parentes baianos dos anfitriões garantiam o bom papo. Até que cometi um erro gravíssimo, uma atitude que sempre recriminei: liguei a televisão! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começou o show da virada. Entre muitas atrações de segunda linha e medalhões dublando antigos sucessos, alguém resolveu lembrar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ele vai cantar também! E com o Neymar! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em silêncio, rezei, fiz promessas impossíveis, cruzei as mãos, movi os dedos em sinal da cruz. Que a chuva diminua para seguir até à praia! Até à esquina, pelo menos. Mas praga não vem com uma manifestação paranormal isolada. O pacote de azar dá avisos, marca do inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva se transformou em temporal. Ficaríamos em casa. Conversa boa, comida excelente e a TV sobrevivendo no mesmo canal. Até que ele entrou no palco ao som do refrão-grude. Antes que pudesse comemorar o final, ele chamou Neymar. O atacante do Santos rebolava junto com Michel e se esforçava em dublar a própria voz, frágil como qualquer zagueiro de interior que ousa sonhar sucessivas vezes em tirar a bola do craque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entrou o intervalo comercial, eu exalava alívio. Acabou, pelo menos por este ano. A música acoplada aos neurônios era o menor dos efeitos colaterais. “Ai, se eu te pego” morreria assim que outras tranqueiras animassem o show da virada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Isis, um dos parentes da Bahia, resolveu fazer uma revelação. Daquelas que só acontecem em final de ano, na esperança de chocar e depois desaparecer com a retomada do cotidiano em 2 de janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O autor da música é da minha cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até então, estava muito curioso para saber como era Feira de Santana. Falávamos de shows, de atrações do Carnaval, das festas, do churrasco. Só faltava o futebol. A revelação provocou mais meia hora de debate sociológico, filosófico, de boteco, de todas as correntes teóricas sobre as raízes do sucesso de uma música nascida como forró nos bares de Feira de Santana. Obra e criador, mais o músico com toque de Midas, se misturaram numa troca de informações coletivas, que suturavam a cirurgia de implantação do refrão no meu cérebro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 1º de janeiro. Agarrei-me em desespero à outra música, aquela pentelha da Globo, esperançoso por uma mensagem verdadeira. Um novo dia de um novo tempo para apagar os fragmentos indesejáveis do passado recente. Até que decidi, há duas horas, ler o noticiário na Internet. Quando abri o site de uma revista semanal de informação, quem estava na capa como fenômeno musical, rumo ao mercado globalizado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vestir branco no réveillon é um crime tão hediondo a ponto de ter Michel Teló até agora em mente?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-5904935353470172023?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/5904935353470172023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=5904935353470172023' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/5904935353470172023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/5904935353470172023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2012/01/fugindo-do-michel-antes-que-me-pegue.html' title='Fugindo do Michel, antes que me pegue'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-1340029476957697747</id><published>2011-12-31T17:07:00.000-02:00</published><updated>2011-12-31T17:07:00.157-02:00</updated><title type='text'>Esperando Daniel ...</title><content type='html'>Sentei-me em um banquinho, pedi uma garrafa d’água e me fiz esperar. Ele estava atrasado, me disse José Luiz, por conta de um compromisso de família. Como também tenho filhos, sei o quanto nós nos atrasamos por eles e, principalmente, para ficar um pouco mais com eles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia feito a lição de casa, obrigação de qualquer jornalista. Li a obra que motivava o encontro, a biografia de Machado de Assis. Na verdade, a conversa seria mais específica, uma sub-paixão do amor original dele por Machado de Assis. A reportagem seria sobre o teatro do escritor, uma faceta menos valorizada por críticos, quase ignorada pelo público. O texto faria parte de um site que, infelizmente, não decolaria além da página 2. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A livraria Realejo, no coração do Gonzaga, em Santos, estava lotada em um sábado à tarde. Calorenta pela quantidade de pessoas que por ali passavam. José Luiz, de tempos em tempos, me pedia paciência, mas exalava mais ansiedade, pois dependia da chegada dele para manter aquele movimento de final de tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma hora, Daniel Piza apareceu. O sorriso era tímido e discreto, de quem parecia se impressionar com o alvoroço, ainda mais em torno dele. Percebi que teria pouco tempo para conversar com Daniel. Haveria um bate-papo com leitores no andar superior da livraria, como a cereja do bolo de autógrafos de sua obra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto eu quanto Daniel sabíamos que o pedido de 15 minutos de conversa seria desrespeitado. Como jornalistas, adoramos quebrar as regras para arrancar declarações a mais do entrevistado. E, em minha pretensão, pretendia abordar pelo menos 20 temas diferentes, ligados ou não ao teatro machadiano. Exclusividade não brota todo dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se sentou no banquinho ao lado. Com muita gente em volta e a distância reduzida a um metro e meio, a primeira decisão foi deixar o gravador onde estava, descansando na mochila. Seria no bloquinho e na canetinha, além do esforço de memória para absorver e guardar tantas referências e muitos minutos de resposta – aula? - para cada pergunta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início, Daniel Piza parecia resistente e incomodado com tantas interrupções de leitores. Para mim, era a ocasião possível. Ou cercava o homem ali, no aperto no canto entre a escadaria e o balcão do cafezinho, ou ficaria sem entrevista. Com paciência, pedia que retomasse o raciocínio a cada parada marcada por elogios e comentários sobre a obra dele. Ou sobre a última coluna no Caderno 2. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pela quinta pergunta, percebi que Daniel entendera como seria a conversa. Tentava fazer as coisas ao mesmo tempo. Ou melhor: conversar com duas ou três pessoas de forma simultânea. Eu que me virasse para entender quando se referia ao teatro de Machado de Assis, às influências literárias e ao cenário dramatúrgico atual, enquanto tecia comentários sobre a política brasileira, uma crônica específica, as impressões sobre Santos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos depois, chega Vivian, a fotógrafa que me acompanharia na reportagem. Com dificuldades para estacionar o carro e vinda de outra matéria, ela entrou esbaforida, com o dedo no clique como se estivesse pronta para eternizar o flagrante. Ambos mal foram apresentados e a conversa continuou até que os leitores demonstravam certa impaciência com aquela entrevista. A exclusividade relativa se desenhava como exclusão coletiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Daniel começava a se mexer em demasia no banquinho, percebi que a última carta precisa cair na mesa. Ou no colo dele. Perguntei sobre futebol. Era a senha para o relaxamento. Ao falar do assunto, Daniel visivelmente se sentia mais sereno. Adorava escrever sobre o tema e, ao que me parecia naquele momento, comentar sobre times e jogadores como se estivesse na mesa de boteco, sem maiores amarras ou pudores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papo ganhou uma sobrevida de cinco minutos. Daí em diante, era a hora dele discorrer com propriedade sobre a literatura e as artes no Brasil para um público de aproximadamente 50 pessoas. Mais uma hora de boas palavras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio acima foi uma das entrevistas que fiz com o jornalista Daniel Piza, vítima de um acidente vascular cerebral neste final de ano. Um dos profissionais mais brilhantes do jornalismo atual, Daniel tinha apenas 41 anos. Passou pela imprensa de São Paulo, onde fez escola como representante do mais profundo e comprometido jornalismo cultural. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, quando li a notícia na Internet, pensei que fosse mentira, uma dessas brincadeiras de virada de ano. 41 anos? Tanto ainda a produzir artística e jornalisticamente! Tanto a refletir e testemunhar! Só entendi o impacto quando li a reportagem do &lt;a href="http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,jornalista-e-escritor-daniel-piza-morre-aos-41-anos,817110,0.htm"&gt;Estadão&lt;/a&gt;, veículo onde Daniel trabalhava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem virar as costas para o comercial e sem arrotar falsa paixão pelo alternativo, Daniel Piza sabia da importância do conflito de ideias como forma de crescimento próprio e de seus leitores. Era um daqueles jornalistas à moda antiga, que se recusava a viver da especialização e do instantâneo e se envolvia em diversos assuntos, firme nas opiniões, preocupado em mantê-las com informação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel era defensor do jornalismo cultural de qualidade, independente de agenda e outros instrumentos do marketing e do entretenimento. Essa foi uma das razões pelas quais me tornei leitor assíduo de sua coluna no Estadão todos os domingos. A leitura sempre caminhava pela surpresa, pois me provocava de indignação ao sorriso de concordância. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Piza era seguidor – mesmo quando não desejava – de Paulo Francis. Dava-se o direito de mudar de opinião, mesmo que fosse a 180 graus. Por vezes, andava pelo conservadorismo de posições, principalmente quando discorria sobre política. Mas não se pode acusá-lo de leviandade ou obscurantismo. Daniel Piza era erudito o suficiente para duvidar de si próprio. Outra justificativa para ouvi-lo sem atrasos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como leitor, só me restou homenageá-lo – diante de tamanha trapaça da vida – com palavras, as quais ele valorizava como um artesão, um escravo delas. E lamentar pelo empobrecimento inoportuno do jornalismo cultural brasileiro. Ah, a reportagem sobre o teatro de Machado de Assis jamais foi publicada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-1340029476957697747?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/1340029476957697747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=1340029476957697747' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1340029476957697747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1340029476957697747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/esperando-daniel.html' title='Esperando Daniel ...'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-8397120334860094327</id><published>2011-12-29T18:25:00.000-02:00</published><updated>2011-12-29T18:25:51.758-02:00</updated><title type='text'>O livro do santo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Lra3Be3_4nM/TvzMVwcz5NI/AAAAAAAABA4/y5SD8nBrvZA/s1600/SaoMarcosCapa_.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320px" rea="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-Lra3Be3_4nM/TvzMVwcz5NI/AAAAAAAABA4/y5SD8nBrvZA/s320/SaoMarcosCapa_.jpg" width="225px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Os livros sobre futebol estão na moda. Integram uma parcela secundária do universo de negócios dos clubes. São versões apaixonadas de torcedores ilustres, encomendas com caráter bajulatório ou revisões históricas. Até o mundo acadêmico, em parte ainda preconceituoso com o esporte, resolveu tolerar estudos e teses sobre o tema. Poucas são as obras produzidas com independência, à margem dos contratos de marketing e alheias ao controle de assessores que se comportam como leões de chácara. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;“São Marcos de Palestra Itália”, de Celso de Campos Jr., se encaixa no último critério. O livro, idealizado em 2003, quando Marcos recusou oferta do Arsenal, da Inglaterra, para jogar a série B do Campeonato Brasileiro pelo Palmeiras, é fruto de mais de um ano de pesquisas, principalmente em arquivos da imprensa paulista e carioca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Editado pela Realejo, a obra já esgotou a primeira edição, virou alvo de resenhas até da mídia não especializada e aguçou o provincianismo que acompanha as últimas gestões palmeirenses. O clube se recusa a aceitar o livro sobre a vida de um de seus maiores ídolos e chegou a enviar uma notificação extra-judicial à editora, localizada em Santos, no litoral de São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“São Marcos de Palestra Itália” não traz a palavra do goleiro. Pelo menos, dita ao autor do livro. As declarações do jogador foram extraídas da imprensa. Neste sentido, a obra ganha em detalhes documentais, mas perde em bastidores de episódios na perspectiva do goleiro pentacampeão. Aliás, Marcos segue em silêncio. Embora a obra não o desabone, pelo contrário, o goleiro não se manifestou sobre o trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro acompanha a vida do ídolo palmeirense da infância até o final de temporada de 2011. O início da carreira do goleiro compõe a melhor parte e as principais novidades do texto. Para muitos, o goleiro nasceu milagroso e de primeiro nível. No livro, Celso retrata o início no interior de São Paulo, onde jogava em terrão com traves pintadas em muros, a dispensa do Corinthians e os avanços e retrocessos no Palmeiras, até a titularidade no time profissional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste período, Marcos teria sido trocado por 12 pares de chuteiras com o Lençoense, equipe de Lençóis Paulistas, no interior de São Paulo. Mais uma das lendas que envolvem o santo, exímio contador de “causos”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À margem da biografia de Marcos, o livro possui também o mérito de detalhar a construção e o desenvolvimento da escola de goleiros que se tornou o Palmeiras. O autor sustenta com propriedade o papel de Valdir Joaquim de Moraes e Carlos Pracidelli na formação de camisas 1 nos últimos 20 anos do clube, além de fazer um histórico da posição no Parque Antártica. O livro explora, em paralelo á trajetória do biografado, os caminhos percorridos por Velloso, Ivan, Sérgio e Diego Cavalieri, entre outros goleiros formados ali. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Celso de Campos Jr., também autor de “Adoniran, uma biografia”, sobre o compositor paulista Adoniran Barbosa, imprimiu o ritmo jornalístico à narrativa. Não há arroubos literários ou poesia sobre os milagres do goleiro, comuns na crônica esportiva. O texto é seco, nem por isso mais pobre. É informação sobre informação. O autor evita se colocar ou se posicionar na maioria das situações. Por vezes, deixa escapar um ou outro adjetivo, mas sem se omitir diante dos fracassos e dos erros cometidos pelo biografado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura, aliás, é bastante agradável. Li o livro em dois dias. Isso não acontecia comigo diante de um livro sobre futebol desde “Estrela solitária, um brasileiro chamado Garrincha”, biografia escrita pelo jornalista Ruy Castro. Os percalços, ressurreições e glórias do maior ídolo do Palmeiras desde Ademir da Guia garantem a virada de página, mesmo que o leitor saiba o resultado final do jogo ou do campeonato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“São Marcos de Palestra Itália” caiu como uma luva (com o perdão do trocadilho) no mercado editorial, pois chega às livrarias em um momento de dúvida: Marcos volta para a temporada de 2012? O jogador tinha um acordo informal com a diretoria, que previa o término da carreira no final deste ano. Depois, Marcos assumiria um cargo – ainda não definido – na comissão técnica do clube. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão só deve ser anunciada no início de janeiro, quando o time retorna das férias. De qualquer modo, o goleiro-santo foi eternizado em palavras escritas, ainda que sua igreja e sua religião ameacem excomungar o escriba e sua obra.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-8397120334860094327?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/8397120334860094327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=8397120334860094327' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8397120334860094327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8397120334860094327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/o-livro-do-santo.html' title='O livro do santo'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Lra3Be3_4nM/TvzMVwcz5NI/AAAAAAAABA4/y5SD8nBrvZA/s72-c/SaoMarcosCapa_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-5577769345493482906</id><published>2011-12-29T16:48:00.000-02:00</published><updated>2011-12-29T16:48:20.541-02:00</updated><title type='text'>Procura-se o Natal</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-QIT5yNvqJBU/Tvy1tXqJZEI/AAAAAAAABAI/aQ5AVPDtAXg/s1600/crazy-christmas.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240px" rea="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-QIT5yNvqJBU/Tvy1tXqJZEI/AAAAAAAABAI/aQ5AVPDtAXg/s320/crazy-christmas.png" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;As festas natalinas parecem conceder uma autorização especial. Um passe para que se sofra de amnésia das mágoas inexistentes do resto do ano. Um acordo para que se finja tolerar o outro, símbolo do insuportável quando a normalidade é reinstalada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta autorização especial seria uma espécie de concessão de princípios antes abandonados. Seríamos transformados em cobaias temporárias de valores que ocupariam prateleiras de artefatos arqueológicos. Mas o Natal talvez esteja divorciado deste passaporte ecumênico. O Natal talvez esteja flertando com outra data, o Carnaval, quando tudo pode, quando tudo é permitido desde que se enterrem as transgressões na quarta-feira de Cinzas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal e Carnaval são primos irreconciliáveis. São de naturezas e origens diferentes. A incompatibilidade de gênios se reforça quando importamos, como um Frankstein esquizofrênico, os exageros da folia para o Natal. As festas de final de ano viraram um Carnaval de consumo, período em que comprar se constitui – mais do que em outras datas – obrigação social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprar e exagerar para ostentar? Comprar para se encaixar nos modelos cobiçados e sutilmente descartar sob cínica vergonha. Provar para si e, principalmente, para os outros que se pode avançar o semáforo quando quiser e retornar ao ponto de origem sem danos ou sanções. Neste sentido, endividar-se se traduz como efeito colateral para quem se desespera em pertencer, às vezes, a qualquer grupo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autorização especial, marcada por valores, mudou-se para o campo abstrato das cifras. Para torná-las palpáveis, sacamos - na velocidade do revólver de um cowboy – armas como cartões de crédito, talões de cheque, carnês e boletos bancários. O sucesso desta tática se multiplica na quantidade de sacolas e seus símbolos impressos de prazer momentâneo, mesmo que não haja meio de carregá-las ou suportar suas conseqüências financeiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo, por exemplo, motoristas em estado de selvageria, obcecados por buzinas e xingamentos, com pressa para alcançar uma vaga no templo shopping center. Testemunho adultos na fronteira da neurose, quase saindo no tapa como crianças, em guarda pelo último brinquedo exibido na TV. Para muitos pais, a chance de evitar o “não” que magoará filhos mimados, ávidos por mais uma peça no quarto-parque de diversões, a ser descartada antes do Papai Noel sair de férias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivencio falsos momentos de fome e sede, no auto-engano que compactua com a comilança a nos transportar para as orgias gastronômicas romanas. Como paliativo, as promessas de dieta do Ano Novo (por coincidência, cai na segunda-feira) ou as pílulas coloridas, de um arco-íris farmacêutico milagroso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O laço de fita do pacote natalino ata o nó de cinismo nos discursos dos templos que nos vendem da última novidade em tecnologia ao passaporte de encontro a Deus. Profetas gastam saliva e suor com recomendações de amor ao outro, como se expurgassem a guerra por rebanhos e o preconceito disparado contra o vizinho, de fé diferente no resto do ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As festas natalinas poderiam seguir o exemplo, à sua maneira, das lojas de departamentos. Depois da euforia de consumo, fecham para balanço. Descer do trem desgovernado e pensar porque entramos nele talvez nos autorize a se aproximar do que realmente pode ser o Natal, sem que se adie a compra da passagem para o dia 2 de janeiro.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-5577769345493482906?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/5577769345493482906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=5577769345493482906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/5577769345493482906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/5577769345493482906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/procura-se-o-natal.html' title='Procura-se o Natal'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-QIT5yNvqJBU/Tvy1tXqJZEI/AAAAAAAABAI/aQ5AVPDtAXg/s72-c/crazy-christmas.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-2465697331028799337</id><published>2011-12-21T15:01:00.002-02:00</published><updated>2011-12-21T15:01:49.216-02:00</updated><title type='text'>O inglês que perdeu o Natal</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Enquanto aproveitava a velhice tranqüila, ele transformou sua propriedade. Ali, plantava frutas e verduras, além de criar várias espécies de animais, alheio à cidade que avançava sobre ele. Mantinha uma vida quase rural, em convivência com o progresso da Santos que se urbanizava rumo à orla da praia, de acordo com o desenvolvimento econômico via Porto e produção cafeeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de morrer, deixou como legado a divisão da propriedade em vários lotes. Contemplava os familiares, antes que as mudanças urbanas pulassem a cerca e batessem palmas como se tocassem a campainha. O inglês sentia o cheiro da modernidade, mas jamais imaginaria que o progresso engoliria sua área, beijando a faixa de areia. E que o cotidiano bucólico do interior da Europa seria perpetuado em nome de rua. Ao lado, outra rua eternizaria suas origens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert Sandall (hoje se chama Roberto, na versão aportuguesada) ficaria famoso por outra transformação. A metamorfose ocorre anualmente, com dois meses de duração. A novo visual começa a ser desenhado em novembro, quando um exército de homens e mulheres se armam de escadas, fios e lâmpadas coloridas. É um trabalho de formigas amadoras, remuneradas para outras funções, que resulta em uma alameda onde as luzes assombram de admiração àqueles que perguntam quem foram os designers adeptos da humanidade natalina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada ano, novos cenários e coreografias esculpem as calçadas e fachadas do lugar que, mais de 60 anos atrás, amanhecia ao cantar do galo e atravessava o dia sob a sinfonia de porcos, galinhas e outros bichos. Ali, nada é para sempre. Tudo se adapta, ainda que o tema da obra seja inflexível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua Roberto Sandall, homenagem ao antigo dono do terreno, é uma via comum durante o dia, uma passagem entre duas avenidas na Ponta da Praia, em Santos. Ao anoitecer, vira um microcosmo do horário do rush. A rua fica congestionada pela procissão de carros e motos em baixa velocidade, que transportam motoristas e passageiros boquiabertos pela beleza das luzes dos 14 prédios a compor o bosque de Natal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decoração, tradicional há mais de 20 anos, rendeu prêmios simbólicos para a rua. A Roberto Sandall também foi retratada com poesia pela falecida cronista Lydia Federici, em 1994. É um ponto turístico informal, circunstancial, fora dos catálogos oficiais, que surpreende turistas e moradores da cidade, satisfeitos em repetir o trajeto de 300 metros todos os anos. Eles buscam elementos novos, nas árvores, nas pilastras ou nas janelas. Muitos refazem o percurso como anfitriões de convidados de primeira viagem e apontam, com orgulho, os detalhes do patrimônio cultural em transição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconheço como eram os Natais de Robert Sandall. Apenas imagino o breu que deveria dominar as áreas mais periféricas da chácara do inglês. Por mais que iluminasse ou enfeitasse sua casa, Robert provavelmente ficaria de queixo caído ao ver a renovação de seu pedaço de chão caiçara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de festas com exageros de múltiplas ordens, olhar para as luzes da rua Roberto Sandall permite que, por 300 metros, seja possível lembrar o que significam os símbolos que fazem o Natal. Sem custo, sem consumo neurótico, no único congestionamento prazeroso de uma cidade que atropelaria mais uma vez o nobre inglês e sua chácara (hoje) imaginária.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-2465697331028799337?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/2465697331028799337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=2465697331028799337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2465697331028799337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2465697331028799337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/o-ingles-que-perdeu-o-natal.html' title='O inglês que perdeu o Natal'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-6085841126876277719</id><published>2011-12-18T19:35:00.000-02:00</published><updated>2011-12-18T19:35:15.145-02:00</updated><title type='text'>O Santos de todos nós</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-SsyVBotwlL0/Tu5cZ5xfsrI/AAAAAAAAA_8/ZMQzODCdhlI/s1600/Despedida.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320px" oda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-SsyVBotwlL0/Tu5cZ5xfsrI/AAAAAAAAA_8/ZMQzODCdhlI/s320/Despedida.jpg" width="239px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Senti compaixão pelo Santos. Fiquei paralisado diante da TV, sem pensar em ir à janela gritar em espanhol. Não fiz brincadeiras com amigos e parentes. Estava boquiaberto ao testemunhar um jogo que derrubava minhas esperanças de mudança. A derrota do Santos assassinou a última ilusão de ufanismo sobre o futebol brasileiro. Prevaleceu a frieza da racionalidade, traduzida na irritante e paciente troca de passes até o bote catalão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Santos é o melhor time do país, mas significa pouco diante da selva além das fronteiras nacionais. O jogo de hoje poderia servir como a exceção que não confirma, mas mascara a regra. Se houvesse equilíbrio, o auto-engano seria perpetuado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Santos nos iludiu com a promessa de que seria possível apagar todos os sinais de alerta, todos os recados que nos foram dados ao longo da temporada. Perder para o Barcelona era previsível, independentemente das opiniões amenas de comentaristas que servem à manutenção da audiência. Sofrer com a base da seleção espanhola era carta marcada, mesmo que a paixão selvagem tentasse encobrir defeitos evidentes desde o início do ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Santos refletiu, de maneira cristalina, que classificar o futebol brasileiro como o melhor do mundo é agir de má fé, mentir sem pudor. Fingimos indignação e desqualificamos o ranking da Fifa quando o Brasil deixa de estar entre as cinco melhores seleções. Buscamos desculpas para justificar a saída contínua de atletas que enfraquecem os times “grandes”, endividados até a alma e cínicos quando repatriam ex-jogadores ou mão-de-obra de segundo escalão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitamos a conversa de que amanhã será diferente porque um jogador diferente talvez permaneça mais tempo por aqui. Minimizamos a lista de titulares e reservas que quebram contratos como crianças mimadas descartam um brinquedo novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mensagens estavam disponíveis para todos. Na Copa Libertadores, nenhum time brasileiro fez campanha memorável. O Santos foi a exceção, embora tenha se classificado com a porta quase fechada. Os demais candidatos se arrastaram pelo caminho, recolhendo os próprios pedaços em vexames sucessivos. O Corinthians que o diga, vencedor do Campeonato Brasileiro, torneio tão festejado quanto equilibrado na pobreza! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Copa Sul-Americana reforçou a fragilidade do futebol atual. Apenas o Vasco chegou às semifinais, quando foi derrotado pela Universidade do Chile, invicta há 35 partidas. O campeão havia atropelado também o Flamengo, sem sofrimento ou dúvida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seleção brasileira, que falseia uma renovação organizada, não incomodou na Copa América. Nos amistosos contra equipes européias de primeiro nível, apenas derrotas ou empates de rodapé. Para aliviar a culpa, levar ao palco o teatro com galinhas mortas, surrando times de importância restrita ou discutível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Festejamos quando Neymar e Daniel Alves aparecem entre os 23 melhores jogadores da temporada. Cinco anos atrás, o Brasil apresentava dois atletas entre os cinco melhores. Hoje, parte dos titulares da camisa amarela gasta os quadris no banco de reservas nas grandes equipes da Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seleção deposita as esperanças de vitória na Copa do Mundo em casa nas costas de um garoto de 19 anos, como o trunfo que derrubará a banca por estas bandas. Enquanto isso, o técnico de fala mansa troca as demais peças do time como se o início de história estivesse congelado em replay. Quase 100 jogadores, muitos deles em destino ignorado após duas convocações e um contrato milionário do outro lado do oceano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver o Santos tomar uma goleada do Barcelona não dá prazer algum. Mais do que fortalecer a consciência de que os espanhóis mandam na floresta e o leão tem rosto de argentino e cheiro catalão, é notar que o bosque por aqui pega fogo, enquanto as hienas pulam Carnaval com a crença presunçosa de que tudo se encaixará nos próximos três anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: o Santos não precisava se curvar diante da melhor equipe da atualidade. Nas expressões de alguns jogadores, a ressurreição do Complexo de Vira-lata, de Nelson Rodrigues. Parecia uma fusão de admiração e medo que se refletia no excesso de fair play, nos pedidos efusivos de desculpas, inexistentes por aqui. Ser servil no futebol é dar o primeiro passo para a goleada do adversário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O otimismo, ao menos, se agarra nas palavras de Neymar, que disse entender a noite em Yokohama como aprendizado, ao contrário de muitos, que caçam defeitos microscópicos em quem pode nos mostrar como reverter uma entressafra, aliada à previsão de falta de chuvas na próxima colheita.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-6085841126876277719?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/6085841126876277719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=6085841126876277719' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6085841126876277719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6085841126876277719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/o-santos-de-todos-nos.html' title='O Santos de todos nós'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-SsyVBotwlL0/Tu5cZ5xfsrI/AAAAAAAAA_8/ZMQzODCdhlI/s72-c/Despedida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-7644992262456333444</id><published>2011-12-18T12:22:00.000-02:00</published><updated>2011-12-18T12:22:44.153-02:00</updated><title type='text'>O sono dos japoneses</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-XgEBXxr1vyU/Tu33EP06fZI/AAAAAAAAA_0/eLumLE5zGIY/s1600/sleeping.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" oda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-XgEBXxr1vyU/Tu33EP06fZI/AAAAAAAAA_0/eLumLE5zGIY/s1600/sleeping.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Depois de muito tempo, teria uma manhã de folga. Poderia dormir sem depender do despertador ou da janela aberta para indicar o início do dia. Mas havia, no meio do caminho, a estréia do Santos no Mundial Interclubes. A partida contra os japoneses – sei que não representam o país, mas a presunção nos leva a chamá-los assim – começaria ao cantar do galo. Oito e meia da manhã era quase madrugada para quem pretendia zerar o cheque especial do sono atrasado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi dar voz ao corpo cansado e ignorar a partida do Santos. Mas, como jogador em final de carreira, que insiste em dar o comando ao cérebro em detrimento das pernas, acordei mais cedo, no piloto automático. Precisamente, às 8h23, sete minutos antes do jogo. O mínimo de lucidez indicava que virar para o lado e continuar o processo de recuperação da máquina gasta e surrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a decisão tomada, o controle durou poucos minutos. A explosão de fogos de artifício não entrava na conta do desagradável, até porque havia me acostumado com o som desde a noite anterior. O problema é que as janelas vizinhas abrigavam diversos locutores que gozavam ao atualizar o placar eletrônico. Acompanharia o jogo mesmo com a janela fechada, com áudio ao vivo mais informações básicas da partida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Dá-lhe, Santos! Neymar, Neymar, Neymar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dá-lhe não era coisa de velho. A expressão antiga renascia na boca de um jovem, que gastava o verbo com o primeiro gol do Santos. Era a voz que se destacava no coral, pouco perceptível para alguém bêbado ... de sono. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o Santos na frente, imaginei que o time reduziria o ritmo e poderia dormir um pouco mais. Quem sabe 1 a 0 encerrava a folia? Minutos depois, outro sobressalto com Borges. Vários gritos, fogos, batucada, tudo ao mesmo tempo. Parecia alarme de incêndio às três da manhã, dentro do quarto! Sabia que o placar aumentara, mas – desta vez - desconhecia o autor do gol. Indignado com a informação fragmentada, pensei: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Quando acordar, leio na Internet e acompanho os programas esportivos do almoço na TV!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí para frente, o Santos realmente tirou o pé do acelerador e colaborou com meu descanso. O gol japonês calou a torcida da vizinhança. Só não imaginava que a pressão dos adversários deixasse a turma muda por mais de uma hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que o Santos me venceu pelo cansaço? Não escutei o gol de Danilo. A animação murchou? Duvido, os japoneses continuavam correndo. O exausto era eu. Soube do resultado final apenas hora do almoço. Acreditava em 2 a 0 pelo ouvido em recesso e pelos vizinhos bipolares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O domingo implica em regime de exceção. Acordar cedo para assistir à partida mais importante do ano. Seja para quem ama, seja para quem seca. Um resultado é definitivo: a insônia vai prevalecer, ainda que tenha que fugir do exame anti-doping.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-7644992262456333444?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/7644992262456333444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=7644992262456333444' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/7644992262456333444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/7644992262456333444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/o-sono-dos-japoneses.html' title='O sono dos japoneses'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-XgEBXxr1vyU/Tu33EP06fZI/AAAAAAAAA_0/eLumLE5zGIY/s72-c/sleeping.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3004490195706181333</id><published>2011-12-16T11:23:00.000-02:00</published><updated>2011-12-16T11:23:09.373-02:00</updated><title type='text'>Casa de velhos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Estive, nos últimos dias, numa clínica para idosos, para a elaboração de um relatório sobre pacientes com Mal de Alzheimer ou senilidade. Na verdade, enfermidades muito parecidas, mas a primeira entrou no jargão popular como sinônimo de esquecimento, das mais variadas intensidades. O nome, quem sabe pela origem alemã, dá maior valor à falha da memória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A clínica, pela riqueza das histórias de vida espremidas em quartos e em pátios de recreação, indica – em seu pequeno universo – como a cidade caminha para o envelhecimento. Confesso que me sinto profundamente tentado a utilizar a palavra asilo, termo execrado pelo politicamente correto e por aqueles que acreditam que o vocabulário alivia a dor do isolamento, ainda que junto de outras pessoas em condições similares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos uma sociedade rumo à velhice. Nada de idosos ou outras expressões. Santos é, em parte, uma cidade de velhos, e não se trata de usar a palavra com desdém ou de forma pejorativa. Apenas entendo que ela pode desnudar certas questões ainda mascaradas no convívio social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o Brasil tem 9% da população acima de 60 anos, Santos conta com 20%. Isso significa mais de 80 mil habitantes. A cidade atrai muitas pessoas, essencialmente de classe média, dispostas a vivenciar uma aposentadoria com conforto e serenidade. O município criou, ao longo das últimas duas décadas, condições boas para uma velhice saudável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema reside quando a velhice não se torna tão tranqüila quanto o mar que visita a baía diariamente. Ser velho, estar doente e não possuir condições financeiras é sintoma de uma vida que assassina o descanso como recompensa. A República de Idosos, por exemplo, é um projeto pioneiro no país. Possui 42 vagas. Destas, 31 estão ocupadas. Dos quatro imóveis, três se encontram lotados. A casa da rua Silva Jardim abriga só três pessoas. As demais vagas não podem ser preenchidas por problemas de estrutura no imóvel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santos registrou o crescimento, nos últimos anos, no número de clínicas residenciais. Hoje, 33 estão cadastradas oficialmente na Prefeitura. Somente três têm convênios com a administração municipal e recebem pessoas de baixa renda, ou seja, até dois salários mínimos mensais. As mensalidades nas clínicas variam de R$ 1500 a R$ 4500 por mês, valores impensáveis para quem sobrevive de aposentadoria – quase uma gorjeta – do Governo Federal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A previsão, para os próximos 20 anos, é de aumento acelerado na população acima de 60 anos. O Brasil atingirá a marca de 20% de idosos. E Santos, como ficará se já alcançou tal índice? A expectativa de vida, por sua vez, chegou aos 74 anos no país. A implicação imediata é a velhice e a aposentadoria prolongadas. Se não houver planejamento, a classe média continuará sorrindo nos filmes institucionais, enquanto os escravos da Previdência vão mendigar por vagas em instituições. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente das políticas públicas, é fundamental redimensionar a relação da nossa cultura com os mais velhos. Mantê-los ativos em sociedade significa assegurar a última etapa da vida com humanidade. Para isso, é preciso reler a ideia de descartar pessoas como objetos. Esquecer o outro pode ocorrer com luxo ou como um latão de lixo na calçada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma observação: o título deste texto é “emprestado” da reportagem de mesmo nome, publicada pela jornalista Eliane Brum, na revista Época. Compartilho da ideia de que nomes bonitos e leves não amenizam a dor e o sofrimento de quem viverá internado até o final da vida.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3004490195706181333?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3004490195706181333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3004490195706181333' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3004490195706181333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3004490195706181333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/casa-de-velhos.html' title='Casa de velhos'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3053527992562585623</id><published>2011-12-10T00:07:00.000-02:00</published><updated>2011-12-10T00:07:16.991-02:00</updated><title type='text'>Um time equilibrado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Ganhar o Campeonato Brasileiro não fornece ao Corinthians o cargo de melhor time do país na atualidade. Talvez seja o mais equilibrado, aquele que consegue se adaptar melhor ao modo de jogar predominante por aqui e extrair com eficiência de seus jogadores a disciplina de grupo, além de mascarar a pobreza técnica que permeia o futebol brasileiro, salvo as exceções desgastadas pela repetição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O time campeão de 2011 lembra outro grupo corintiano que venceu o Brasileirão, mas não deixou um rastro de troféus. As semelhanças entre a equipe de hoje e o elenco de 1990 estão mais vivas na qualidade individual dos jogadores, basicamente atletas medianos que vestiram a camisa no auge de suas carreiras, e no espírito de um time que fez jus literalmente à esta palavra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande diferença, porém, está desenhada no mesmo aspecto. O time de 1990, que derrotou o São Paulo por 1 a 0, gol de Tupãzinho, tinha goleiro em nível de seleção brasileira. Ronaldo foi titular por uma década e só não foi convocado mais vezes em parte pelo temperamento explosivo, em parte porque nasceu na geração errada. Como concorrer com Taffarel e Zetti, por exemplo? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;﻿&lt;/span&gt; &lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-QabwxvZ8Vg4/TuK9uP72bTI/AAAAAAAAA_c/PPBrBZaI6Aw/s1600/tupazinho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" height="195px" mda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-QabwxvZ8Vg4/TuK9uP72bTI/AAAAAAAAA_c/PPBrBZaI6Aw/s320/tupazinho.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: small;"&gt;Tupãzinho - ontem e hoje&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Julio Cesar foi o menos vazado da edição deste ano, mas isso se deve mais à solidez defensiva do que às qualidades do goleiro. O clube e parte da torcida não confiam nele. Tanto que o Corinthians contratou Renan, revelação do Avaí, e especula sobre Cassio, ex-Grêmio e seleção sub-20. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior distinção reside, no entanto, na camisa 10. O ano de 1990 foi o ápice da carreira de Neto, um dos maiores meias dos últimos 20 anos em terras brasileiras. A camisa 10 atual está órfã, ocupada de maneira transitória como símbolo. Danilo sobrevive à custa de instabilidade, mesma sina de Alex, que poderia ocupar o espaço. Quem diria que Douglas, hoje no Grêmio, deixaria saudades? Na verdade, Adriano poderia ser o “diferente”, mas jogou o ano – e provavelmente a carreira - na caixa de areia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No restante, os dois times eram a síntese de uma engrenagem bem lubrificada. Sem outros destaques, as duas equipes mantinham defesas sólidas, protegidas por volantes que mordiam até a exaustão. O time atual é mais rico no setor, com Paulinho e Ralf entre os melhores da posição. Em 1990, Marcio carregava o piano e possuía como auxiliar Wilson Mano, o coringa-operário daquele grupo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-XACZxsUVHtU/TuK-BwJg5-I/AAAAAAAAA_k/CrRng3I0A3I/s1600/timao1990.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" height="209px" mda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-XACZxsUVHtU/TuK-BwJg5-I/AAAAAAAAA_k/CrRng3I0A3I/s320/timao1990.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: small;"&gt;Corinthians - 1990&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O restante do meio-campo não era memorável, principalmente entre os meias. O time de 1990 dependia de Neto. O de hoje se equilibra no revezamento de vários nomes e na chegada dos volantes ao ataque. Paulinho marcou oito gols no torneio, mas - em breve - deverá voar para a Europa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ataque era o ponto frágil de ambas as equipes. Poucos gols, poucas possibilidades de artilharia. A exceção é que o time atual possui Liédson, que esteve machucado em parte da temporada. Mesmo assim, marcou 12 gols. Em 1990, Tupãzinho e Fabinho tiveram seu ponto máximo com o título nacional. Não prosperaram em outras bandas. E Viola ainda iniciava a carreira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra semelhança ocupava o banco de reservas. Tite e Nelsinho Baptista eram técnicos em busca do convite para integrar a elite nacional da categoria. O desejo é figurar nas listas de sucessão do técnico da seleção nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelsinho Baptista, nestes últimos 20 anos, ganhou vários campeonatos, mas nunca fez parte da ala vip. Hoje, está no Japão na disputa do Mundial interclubes. Tite, que havia vencido vários estaduais, depende do próximo passo: continuar ganhando em clubes de ponta. A Libertadores é a chance de ouro, mas depende de mudanças no elenco atual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O time de 1990 teve o mérito de abrir a porta. Faturar o primeiro campeonato durante um período de entressafra do futebol brasileiro. Ídolos em final de carreira, revelações queimando etapas de desenvolvimento, seleção brasileira com a credibilidade em dúvida. Daí em diante, o cenário paulista ficou nas mãos do São Paulo, que levou o Mundial duas vezes, e do Palmeiras-Parmalat. Ambos ajudaram a compor a seleção brasileira campeã do mundo em 1994. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;﻿ &lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-7ygLtNFlPuc/TuK-S5MagpI/AAAAAAAAA_s/6J5kI3TnCVE/s1600/timao2011.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="210px" mda="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-7ygLtNFlPuc/TuK-S5MagpI/AAAAAAAAA_s/6J5kI3TnCVE/s320/timao2011.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Brasileiro/2011 - Vitória de 2 a 1 sobre o Grêmio&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O Corinthians de 2012 precisa dobrar a curva para não repetir o desfecho da biografia de 1990. Com o elenco atual, são pequenas as chances de assassinar as brincadeiras alheias sobre o deserto de conquistas além das fronteiras nacionais. O ano de 2011 deu vários sinais para o futebol local. Apenas o Santos teve excelente desempenho. Na Copa Sul-americana, apenas o Vasco alcançou as semifinais. Os demais brasileiros caíram nas fases iniciais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio Corinthians amenizou, de certa forma, o vexame da pré-Libertadores. Terá a oportunidade de enterrar o fantasma. Mas é fundamental enterrar também parte do grupo que conquistou o Campeonato Brasileiro, com sofrimento, na última rodada, sob o risco de reviver o Tolima com outras cores de camisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3053527992562585623?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3053527992562585623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3053527992562585623' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3053527992562585623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3053527992562585623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/um-time-equilibrado.html' title='Um time equilibrado'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-QabwxvZ8Vg4/TuK9uP72bTI/AAAAAAAAA_c/PPBrBZaI6Aw/s72-c/tupazinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-1742758666792564724</id><published>2011-12-09T11:38:00.019-02:00</published><updated>2011-12-09T11:49:06.131-02:00</updated><title type='text'>O doutor que receitava política</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/--A12L0X1CQs/TuIQ1HCvl9I/AAAAAAAAA_U/Xt2nMrRVrgs/s1600/socrates2.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="250" mda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/--A12L0X1CQs/TuIQ1HCvl9I/AAAAAAAAA_U/Xt2nMrRVrgs/s320/socrates2.bmp" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Quando você tem oito anos e é capaz de perceber que o vírus do futebol corre em seu sangue, é fundamental escolher uma doença para sofrer, se recuperar, se tratar, sofrer novamente, em um círculo de prazer e dor para o resto da vida. Esta doença te marca em brasa com um símbolo que, por coincidência, aparece estampado em camisetas, shorts e outros elementos de um uniforme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ficar adoentado de vez, temos que localizar outros da mesma espécie que demonstrem padecer dos mesmos sintomas. É claro que a doença pode ser alarme falso, de manifestação momentânea, uma epidemia de verão, detectável em um exame simples. O paciente, se beijou o símbolo do clube em público, é como aquela criança que finge febre para faltar à escola. O amor cristaliza em prazos mais longos e atitudes, muitas vezes, reprováveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com oito anos, vivi – com inocência infantil – a democracia corintiana. E o maior ícone daquele período era um homem esguio, que corria ereto, fingindo ignorar a bola grudada em seus pés, na falsa arrogância de olhar por cima dos oponentes e enxergar no limite do horizonte, entrelaçado nas redes do gol adversário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sócrates e outros, como Wladimir, Zenon, Biro-biro, Alfinete, Solito, Ataliba e Casagrande, me fizeram escolher a doença dos mais pobres, a doença tropical que exige médicos sanitaristas e quarentenas para conter a multiplicação inevitável e fatalista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer criança sempre escolhe o time que vence. E este foi o critério para aceitar ser inoculado pelo vírus corintiano em 1982. O Brasil estava infestado de grandes equipes. O São Paulo, de Valdir Peres a Serginho Chulapa. O Flamengo, de Andrade, Adílio e Zico. O Vasco, de Roberto Dinamite. Mas o Corinthians estava mais próximo, jogava sempre de maneira mais doída. Na cabeça de uma criança, um enredo de aventuras, com surpresas e reviravoltas, mas (quase) sempre com final feliz. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8ytjdmyaLq0/TuIQFXUgeLI/AAAAAAAAA_M/gZ7dgTmZJvo/s1600/Socrates.jpg"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-8ytjdmyaLq0/TuIQFXUgeLI/AAAAAAAAA_M/gZ7dgTmZJvo/s320/Socrates.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O ano de 1982 também reservava minha primeira lembrança efetiva de uma Copa do Mundo. A melhor seleção brasileira que vi jogar. Sócrates não apenas fazia parte do time. Era o capitão! E produziu uma lembrança vívida no gol em Dino Zoff, na derrota para a Itália. Poucos tinham o privilégio (dom?) de vencer o goleiro italiano, um monstro aos 40 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O envelhecimento te dá outras leituras dos mesmos fatos. E passei a admirar Sócrates ainda mais. A formação política, a postura dentro de campo, a recusa em ser politicamente correto e a rejeição às palavras mecânicas nas entrevistas inertes representam elementos que compuseram um ex-jogador que entendia seu papel social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limitar a visão política de Sócrates à participação no movimento Diretas Já é reduzi-lo ao personagem que morre no primeiro capítulo. Ele sempre se envolveu e manteve posição consistentes, concordássemos ou não, sem se envolver com as negociatas do esporte ou as disputas políticas viciadas da cartolagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O distanciamento seguro permitia a ele olhar com mais clareza a estrutura que cerca o futebol e, desta forma, escrever e refletir sobre o que a maioria dos jornalistas se recusa a observar. Sócrates dava a impressão de se entediar com a pontualidade dos jogos, os resultados e o craque de final de semana. Interessava a ele o futebol como instrumento de explicação e análise sobre a cultura brasileira e suas implicações no cenário da política, esportiva e/ou partidária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinismo de Sócrates também era admirável. O sarcasmo de brincar com sua própria condição de atleta era o contraponto à ditadura da hipocrisia que afeta jogadores, seres que devem se comportar como monges isolados no monastério mais elevado da montanha. Sócrates fumava, bebia, casou várias vezes e rasgou todas as cartilhas que normalmente habitam as mesas de seus colegas de profissão. Sabia dos próprios demônios e convivia com eles. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-pYGgEcPL8Ao/TuIP79HxvEI/AAAAAAAAA_E/XdOBBsVzTYs/s1600/socrates-teve-uma-infeccao-generalizada-e-morreu-na-madrugada-deste-domi_3.jpg"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-pYGgEcPL8Ao/TuIP79HxvEI/AAAAAAAAA_E/XdOBBsVzTYs/s320/socrates-teve-uma-infeccao-generalizada-e-morreu-na-madrugada-deste-domi_3.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O&amp;nbsp;programa Cartão Verde, da TV Cultura, abrigou Sócrates nos últimos anos. Certa vez, discutia-se uma partida da seleção brasileira, e a tela mostrava um jogador sendo substituído. Nos caracteres, a indicação de que havia corrido nove quilômetros. O jornalista Vladir Lemos, apresentador do programa, perguntou como seria se o aparelho existisse nos anos 80, quando Sócrates era jogador profissional. Ele sorriu e respondeu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ainda bem que não existia. Eu corria dois quilômetros, no máximo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois das gargalhadas, ele explicou que, quando jogava no Botafogo, de Ribeirão Preto, cursava a faculdade de Medicina ao mesmo tempo e mal tinha tempo para treinar. Isso significava que ele tinha que arrebentar no primeiro tempo. No segundo tempo, fugia para a sombra e só distribuía bolas, até porque muitos jogos aconteciam pela manhã, embaixo de sol forte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da arquibancada, o pai dele gritava: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tira o oito da sombra! (referindo-se ao número da camisa do filho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passe de calcanhar, a maior herança de Sócrates, foi um recurso para acelerar a velocidade da bola sem grandes gastos de energia. A inteligência dos diferentes, conhecedores dos atalhos que levam à grande área sem escalas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora de campo, Sócrates também deixará saudades, ainda mais em tempos de despolitização, seja ou não no universo esportivo, tese reforçada por atletas transformados em celebridades.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Sócrates, involuntariamente, deu seu último passe recheado de ironia. O “doutor” resolveu dar alta a seus pacientes corintianos justamente no dia em que tomaram nova dose do vírus, extintas as chances de produção de anti-corpos. O médico-jogador resolveu se aposentar e assistiu, de longe, a conquista de outro campeonato, com um time operário, desejo implícito daqueles que sonharam aproximar o futebol e a política como instrumentos de leitura de mundo, e não de proliferação de confrarias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço ao braço erguido daquele que fundiu os Panteras Negras e o futebol, entre outras causas políticas que alimentaram a utopia de que este esporte significa mais do que somente entretenimento numa tarde de domingo. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-1742758666792564724?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/1742758666792564724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=1742758666792564724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1742758666792564724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1742758666792564724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/o-doutor-que-receitava-politica.html' title='O doutor que receitava política'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/--A12L0X1CQs/TuIQ1HCvl9I/AAAAAAAAA_U/Xt2nMrRVrgs/s72-c/socrates2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-8936702497957176516</id><published>2011-12-08T23:27:00.000-02:00</published><updated>2011-12-08T23:27:33.505-02:00</updated><title type='text'>Guardas armados</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A Guarda Municipal de Santos colocou esta semana, nas ruas, 18 homens munidos de armas de eletrochoque. A decisão, mais do que de segurança pública, é de caráter político e ameniza um desejo antigo da categoria. Parte da Guarda Municipal defende o uso de armas de fogo há anos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Será que a corporação, acusada de violência contra moradores de rua e usuários de crack, está preparada para a utilização de armamentos? Aliás, nenhum dos acusados foi punido.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Em 26 de agosto, quando a Guarda Municipal anunciou a compra dos equipamentos e o início do treinamento de seus homens, escrevi sobre o assunto. Leia &lt;a href="http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/tropa-de-choque.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-8936702497957176516?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/8936702497957176516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=8936702497957176516' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8936702497957176516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8936702497957176516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/guardas-armados.html' title='Guardas armados'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3711603441537169857</id><published>2011-12-06T13:30:00.000-02:00</published><updated>2011-12-06T13:30:41.405-02:00</updated><title type='text'>A resposta silenciosa, na cidade (quase) dividida</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/--W-v0vLAZQM/Tt40clrvW9I/AAAAAAAAA98/-Hbu-G0DNOw/s1600/cabo_de_guerra.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/--W-v0vLAZQM/Tt40clrvW9I/AAAAAAAAA98/-Hbu-G0DNOw/s1600/cabo_de_guerra.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Após a conquista do Campeonato Brasileiro, aconteceu o óbvio. Os corintianos foram para a rua. Buzinaço, celebração em praça, sons estéreo repetindo o hino do clube à exaustão, faixas nas janelas e bandeiras nos carros conduzidos por motoristas ainda sorridentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando pela cidade logo após o jogo, percebi que o óbvio não era tão redundante assim. Os corintianos em festa encararam mais um adversário de força, que colocou o time em campo, mas sem deixar claro que desejava novo apito inicial. Era uma partida, com outras regras, a ser disputada. Um desafio em perspectiva, que enterrou a tática da seca coletiva anti-Corinthians, claramente inócua, pelo menos neste final de semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os santistas resolveram provocar em silêncio. A estratégia, sem organização prévia, consistia em deixar claro que o Campeonato Brasileiro acabou. O silêncio como antídoto contra a alegria do maior rival. Para diluir a vitória dele, é fundamental lembrá-lo de que o Santos, na próxima semana, disputará o torneio mais importante desde os anos 60. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que o jogo terminou, os corintianos – barulhentos como manda o ritual pós-conquista - enfrentaram uma horda de soldados santistas. Homens e mulheres dispersos, como um batalhão às avessas, mas dispostos a demarcar o território do ufanismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Marapé, por exemplo, uma mulher pregava – como se cumprisse uma tarefa sacra – a faixa “Santos rumo ao Japão”. No meio da faixa, o símbolo da bandeira japonesa. No Campo Grande, motoristas e motociclistas desfilavam com bandeiras e símbolos do clube, como se a comemoração do título fosse deles. Ninguém buzinava. Era a resposta com respeito ao rival, mas uma réplica, a indicação de que o momento deles acabaria logo, que seria deslocado para o passado e anteciparia a semana seguinte no Oriente. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-mbX9vZx1LqI/Tt40oavKORI/AAAAAAAAA-E/kw0zaJelJzQ/s1600/silence.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-mbX9vZx1LqI/Tt40oavKORI/AAAAAAAAA-E/kw0zaJelJzQ/s320/silence.jpeg" width="320" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Torcedores de várias idades andavam pelas calçadas com uniformes do Santos, como o dia seguinte de um título ainda não conquistado. A provocação da ausência de palavras, sintetizado em cores idênticas de camisa, porém símbolos que instituem caminhadas distintas. A tentativa de retomar o terreno que fora invadido sem decisão judicial ou escrituras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio é pontual e em vão. O protesto não apaga a festa alheia. As vozes de um hino cantado em coro permanecerão na cabeça, grudadas como o sucesso da semana na mais popular rádio FM. Santistas e corintianos precisam conviver no mesmo lote de terras. O nome da cidade não garante a exclusividade ao clube homônimo. O futebol somente reforça as evidências – e quem sabe a vocação? - de que Santos não consegue se aproximar da unanimidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que se negue, até porque soaria como ofensa, o Santos não possui a hegemonia absoluta de torcedores. Os corintianos se multiplicaram, por razões que transitam da migração ou aquisição de campeonatos nas últimas décadas, enquanto o adversário engolia a entressafra. Os são-paulinos, por motivos particulares, também cresceram, mas em menor ritmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os santistas ainda lideram em número de fanáticos, mas os corintianos estão em seus calcanhares. É neste ponto que reside a unanimidade. E este é o menor dos males, ou melhor, das divisões. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-gFc0ca5wXrU/Tt402To5_0I/AAAAAAAAA-M/h8BF83vB8C0/s1600/cabodeguerra1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="176" src="http://4.bp.blogspot.com/-gFc0ca5wXrU/Tt402To5_0I/AAAAAAAAA-M/h8BF83vB8C0/s320/cabodeguerra1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O futebol é a cereja do bolo que representa uma cidade dividida. Às vezes, quase rachada pelas estatísticas, mas – na prática – os números são ignorados pelos cortes na vida cotidiana. Na política, a cidade segue aquela expressão do futebol do bairro: PT contra rapa! Os resultados das zonas eleitorais indicam onde os petistas dominam e onde os demais partidos se lambuzam pelas derrotas da estrela vermelha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia aponta para uma cidade cada vez mais desigual. Enquanto os prédios sobem em ritmo de ostentação, as calçadas de bairros não tão afastados viraram conjuntos habitacionais sem teto e paredes, mas com crescimento populacional de invisíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geografia realça o relevo cultural das várias Santos. Zona Leste e Zona Noroeste, dependendo do bairro, parecem pertencer a municípios diferentes, seja na arquitetura, seja em outros valores culturais, como expressões de idioma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santos poderia ser dilacerada em outros critérios, independentemente do grupo que os analisa. O futebol costuma explicar a evolução, as características e as selvagerias das culturas, mas – no caso da cidade de Santos – as provocações, silenciosas ou extrovertidas, após o Campeonato Brasileiro representam somente alegorias de um lugar onde as rivalidades alcançam níveis mais subterrâneos e nada esportivos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3711603441537169857?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3711603441537169857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3711603441537169857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3711603441537169857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3711603441537169857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/resposta-silenciosa-na-cidade-quase.html' title='A resposta silenciosa, na cidade (quase) dividida'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/--W-v0vLAZQM/Tt40clrvW9I/AAAAAAAAA98/-Hbu-G0DNOw/s72-c/cabo_de_guerra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3533097893333675046</id><published>2011-12-02T11:40:00.000-02:00</published><updated>2011-12-02T11:40:55.484-02:00</updated><title type='text'>O tempo é hoje!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BGZN0gHOQ6c/TtjT_nzfUaI/AAAAAAAAA9s/MePu8xowXy0/s1600/as-time-goes-by.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" height="230px" src="http://3.bp.blogspot.com/-BGZN0gHOQ6c/TtjT_nzfUaI/AAAAAAAAA9s/MePu8xowXy0/s320/as-time-goes-by.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A velhice jamais bate à porta de surpresa. Manda ofícios, fala com intermediários, dá pequenos avisos. É tentador pensar que a velhice se resume às dores musculares do dia seguinte a qualquer exercício, à ausência de respostas do corpo para os desejos da mente ou aos encontros mais freqüentes com os homens de branco em salas higienizadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sinais físicos de velhice rompem com as palavras politicamente corretas que teimam em mascarar a vida rumo ao poente. Não se trata de entregar os pontos, sentar-se e esperar pelo homem de capuz negro e foice na mão. A velhice – derivada do adjetivo velho, mesmo! – não representa a melhor idade. É, no máximo, tão boa quanto às outras etapas da vida, se descontados os percalços e adaptados os recursos para absorver às experiências a seguir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preocupo-me com a velhice que não está algemada com a idade biológica ou com a deterioração física. A velhice de digestão quase invisível reside em expressões como “no meu tempo...”, “na minha época...” É a velhice em simbiose com o choque de gerações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utilizar tempos passados como argumento pode nos iludir como sinal de experiência, de olhar para trás como apego à saudade. Na verdade, um ar de arrogância, em que se pressupõe o acontecido e o narrador da história como melhores que a situação do tempo presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comparação flerta com o cinismo porque o defensor de tempos mortos se desloca do próprio exemplo, embora o defenda, como alguém que não faz parte ou não tem responsabilidade alguma sobre o que acontece nos dias de hoje. A ideia de ressuscitar o tempo morto também implica em amnésia adequada ao momento presente, já que o autor da comparação se esquece que viveu ou enfrentou etapas que os mais jovens encaram agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conveniência, “no meu tempo” serve para retirar fatos e personagens do contexto. É um paralelo tão atraente quanto oco. Os cenários são razoavelmente diferentes. As causas e efeitos também tendem a ser distintas. É o momento em que o olhar intransigente ou radical prevalece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Os jovens de hoje não possuem valores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-irF66GvK_98/TtjUIkjSscI/AAAAAAAAA90/sc-nGG-SZTw/s1600/daylight-savings-time-20101.jpg"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-irF66GvK_98/TtjUIkjSscI/AAAAAAAAA90/sc-nGG-SZTw/s320/daylight-savings-time-20101.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A&amp;nbsp;frase acima é bastante comum como papel coadjuvante que fortalece a tese de que o passado sempre se caracteriza por mais sofisticação, ética, comportamentos socialmente aceitos. Diferença não é inexistência. O “esquecimento” – outro sintoma da velhice que se avizinha – empurra para dentro do armário conceitos como amadurecimento, mudanças de vida, novas histórias, entre outros elementos que poderiam indicar que certas exigências não podem ser aplicadas a quem não percorreu certas faixas do caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que hoje muitos jovens se sentam sobre o berço esplêndido e abrem o leque de direitos, materiais ou emocionais. Mas nada que justifique enterrar o presente, onde todos estamos de maneira redundante incluídos, para se agarrar no pretérito editado pela memória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No meu tempo” é enganar-se como ator capaz de refazer a história. É correr para trás da cortina, apavorado em assumir as falas da encenação em curso. O “homem daquele tempo” ocupa o papel de capítulo exibido, confortável na imobilidade, bêbado pela condição de vítima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as expressões se repetem com freqüência, é possível pensar em dois caminhos. Ou nos tornamos escravos da nostalgia, implorando por tempos com pouca probabilidade de ressurreição ou paralisamos diante da expectativa da morte em vida. Como remédio para ambos os males, prefiro me agarrar na frase de Paulinho da Viola: “Meu tempo é hoje!”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3533097893333675046?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3533097893333675046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3533097893333675046' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3533097893333675046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3533097893333675046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/12/o-tempo-e-hoje.html' title='O tempo é hoje!'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BGZN0gHOQ6c/TtjT_nzfUaI/AAAAAAAAA9s/MePu8xowXy0/s72-c/as-time-goes-by.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-1092815297938429017</id><published>2011-11-27T18:00:00.000-02:00</published><updated>2011-11-27T18:00:26.108-02:00</updated><title type='text'>O ferro em brasa</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Para mudar de assunto – e fugir do tradicional exercício de esculachar alunos -, dois professores resolveram debater a importância do próximo feriado, o Dia Nacional da Consciência Negra. Um dos docentes estava mais exaltado e expunha toda a politização de boutique. Travestido de cidadão indignado com o que considerava uma injustiça, o professor rugia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Para que este dia? Por que não temos dia dos brancos, dos amarelos, dos vermelhos? O Dia da Consciência Negra é um ato de racismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o diploma não traz sabedoria, é possível compreender que tais argumentos beiram um simplismo infantil. Datas comemorativas jamais representam os grupos dominantes. Mesmo que politicamente corretas, estas datas reforçam que ainda vivemos sob o teto do preconceito e da desigualdade, sejam mulheres, negros, índios e outros grupos que não se encaixem no padrão estabelecido como desejável para exercício do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre enxerguei estas datas como um paradoxo. Embora signifiquem bandeira de resistência contra o controle majoritário, elas também mascaram o comodismo de quem finge que um dia desata todos os nós. Ao menos uma vez por ano, retirariam milhões de homens e mulheres do manto da invisibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que não havia racismo no futebol. Diante da saia justa, desculpou-se, o que não apaga a demonstração de cinismo (no mínimo, alienação) da declaração anterior. Assim como Blatter, muitos por aqui se sentam sobre o mito da democracia racial para defender a ideia de que o Brasil não é uma nação racista, ao contrário de quaisquer dados sócio-econômicos. Viram as costas para as relações mais cotidianas, como o mundo do trabalho ou o sistema educacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos pensar só nas crianças, que talvez possam usufruir algum dia de novas relações sociais brasileiras. De acordo com a Unicef, apenas 43% das grávidas negras têm acesso a sete consultas pré-natais, o mínimo aceitável. Entre as brancas, 72,4%. De cada 100 crianças brasileiras, 45 são de família pobre. No total, seriam aproximadamente 26 milhões de crianças. Deste total, 17 milhões são negras. Um bebê negro tem 25% mais chances de morrer antes de completar um ano do que uma criança branca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil apresenta, evidentemente, particularidades nas relações raciais. Seria distorção cultural comparar como gêmeos o racismo praticado aqui com o norte-americano ou ainda com o sul-africano. O fato é que o país se esconde do problema quando o torna elemento secundário no debate público sobre as desigualdades brasileiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tendência de desaparecer com o tema se manifesta por dois caminhos. O primeiro é amenizar a situação, como se racismo não fosse violência, seja pontual, seja estrutural, com o aval de governos e políticas públicas. O segundo é acusar os negros de discriminação, como se tal postura os igualasse aos brancos e retirasse o peso da violência cometida no cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia reside na exposição dos argumentos contrários. Antes designado ao silêncio absoluto, o racismo no país entrou na pauta de intelectuais e parte da imprensa, que dão ressonância para vozes que negam a discriminação racial. Para esses, 20 de novembro é mais do que uma ofensa. É o ferro em brasa que agora, simbolicamente, marca as costas quase transparentes. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-1092815297938429017?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/1092815297938429017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=1092815297938429017' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1092815297938429017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1092815297938429017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/11/o-ferro-em-brasa.html' title='O ferro em brasa'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-6523511551123383362</id><published>2011-11-11T12:00:00.000-02:00</published><updated>2011-11-11T12:00:47.010-02:00</updated><title type='text'>Obrigação</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Na última semana, recebi dois presentes de uma aluna da Universidade Aberta da Terceira Idade. Ela me deu um livro do escritor Rubem Alves. E me presenteou também com um recorte de jornal. Era a crônica Despedida, a última do mesmo Rubem Alves na Folha de S. Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No texto, ele – aos 78 anos – alega cansaço para escrever. Diz que tem cada vez mais dificuldades para encontrar algo a falar para seus leitores. E que uma crônica semanal acabou se tornando uma obrigação. “Não tenho novidades a escrever. Mas tenho a obrigação de escrever quando minha vontade é não escrever.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos cronistas escrevem sobre o ato de escrever quando não querem denunciar a falta de assunto. Não é o caso de Rubem Alves nem o caso deste colunista. O texto publicado na Folha me fez pensar a partir de uma frase: “A obrigação: é isso que pesa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida atual nos consome em obrigações. São compromissos, tarefas, acertos, ordens e outras determinações que, muitas vezes, nos tiram a capacidade de refletir sobre o que estamos fazendo. É como se nos transformássemos em hamsters que correm eternamente na rodinha de metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corremos em círculos, o que nos faz perder a sensação de caminhada contínua, evolutiva, com um traçado definido, mas aberto a mudanças na estrada. Novas curvas, novos obstáculos, novos roteiros, passamos por eles sem que os entendamos como tais, como mudança à vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia se esconde no fato de que as obrigações nos tornaram exigentes compulsivos. O que mais vejo são pessoas que reivindicam o tempo todo. A ideia é pedir sempre, sentar-se na condição de cliente e esbravejar, reclamar, se queixar. Neste sentido, as verdadeiras batalhas se misturam às mesquinharias das exigências pequenas do cotidiano. Tudo parece ganhar o mesmo peso, que afasta o diálogo e, principalmente, repele a reflexão adequada e serena sobre o que nos envolve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho consciência de que sempre cumprirei obrigações. Não me refiro às prazerosas. Estas situações não se desenham como fardo. Pelo contrário, representam oásis no deserto de pedidos alheios. Um exemplo é o tempo que passo com meus dois filhos. Tempo intenso, porém curto. Tempo que gera horas de pensamentos posteriores, que vão de lembranças a novas portas a serem abertas neste relacionamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pesa, para mim, são as obrigações impostas, burocráticas, desnecessárias e travestidas de compromissos inadiáveis e emergenciais. Estes supostos deveres me atingem nas mais variadas esferas sociais, não apenas no trabalho, como muitos desejam responsabilidade. O trabalho nos dá pequenas vitórias e é delas que me alimento para prosseguir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho com menos obrigações. Desejo uma vida com maior liberdade, com o direito de decidir sobre os deveres a cumprir. Mas, acima de tudo, fantasio com a vitória da poesia, que muitas obrigações insistem em ordenar a morte dela.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-6523511551123383362?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/6523511551123383362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=6523511551123383362' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6523511551123383362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6523511551123383362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/11/obrigacao.html' title='Obrigação'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3774364660617577447</id><published>2011-10-30T12:20:00.000-02:00</published><updated>2011-10-30T12:20:28.421-02:00</updated><title type='text'>A falta de cabelos brancos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;O jornalista Ricardo Kotscho, autor de 20 livros, defende a reportagem como caminho para o Jornalismo de qualidade*&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para aborrecer Ricardo Kotscho, a receita não é falar mal do São Paulo, seu time de coração, ou do governo Lula, de quem foi secretário de Imprensa e mantém um misto de visão crítica e amizade. O jornalista de 64 anos eleva a voz quando alguém questiona se a reportagem está morta, em coma por questões financeiras ou restrita a poucos veículos de comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para acalmá-lo, basta deixá-lo contar sobre a próxima reportagem a ser publicada. Nem precisa perguntar. A voz se torna serena, escapam palavrões, o velho repórter abandona a formalidade. Renasce o contador de causos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kotscho narrou, com detalhes, os bastidores de uma viagem a Barretos, no interior de São Paulo. Sete horas de carro para acompanhar a Festa do Peão daquela cidade, a mais famosa do país. A matéria ainda não foi publicada pela revista Brasileiros, onde é repórter especial. Sairá na edição de outubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um ideia inicial sobre a vida dos milionários ruralistas, Kotscho retornou à São Paulo com a história de Henrique Prata, pecuarista que estudou até os 15 anos e que hoje administra o Hospital do Câncer de Barretos, referência nacional em pesquisa e tratamento da doença. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história foi contada em um dos auditórios da Universidade Santa Cecília. Kotscho veio a Santos para dividir uma mesa de debates sobre os desafios da profissão com os colegas Armando Pereira Filho (UOL) e Zé Gonzalez (Globoesporte.com), sob os olhares de uma plateia de 150 estudantes de Jornalismo. O encontro abriu a Semana Ceciliana de Artes e Comunicação, que integra o programa de 50 anos da instituição de ensino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 47 anos de carreira, o jornalista Ricardo Kostcho nunca ganhou tão bem. E trabalhou tão solto. Mas, para que chegasse neste ponto, ele virou comentarista da Record News, escreve para a revista que ajudou a fundar há quatro anos e é blogueiro, hoje no portal R7. “Virei multimídia por necessidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A velha sola de sapato&lt;/strong&gt; - Além disso, o jornalista está lançando o 20º livro, “A Vida que segue”, coletânea de crônicas publicadas nos últimos três anos na Internet. É a sua segunda obra do gênero. Migrar para o mundo virtual simbolizou a mudança na profissão, que resultou em mais tempo com a família, ausência de vínculos empregatícios e até o abandono da rotina motorizada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kotscho trocou helicópteros e aviões na capital federal por andar a pé na capital paulista. Assumiu-se como pedestre de carteirinha, tanto que vendeu o carro na semana passada e não pretende comprar outro automóvel. Promessa publicada no seu próprio balaio, na Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança de vida pós-Brasília, uma cidade que se alimenta de crises, segundo ele, o reaproximou da reportagem, mas não alterou a visão sobre a prática do Jornalismo. “Os novos desafios são os velhos de sempre. Mudam apenas os meios e as terminologias. Não importam o suporte e a plataforma. Sem tesão e vontade, os novos meios (de comunicação) ficam sem função.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo Kostcho defende, com veemência, que exerce o Jornalismo da mesma maneira, desde o primeiro dia em que pisou numa redação, no jornal O Estado de S. Paulo, em 1964. Naquele dia, produziu uma matéria sobre vestibular. “A reportagem diferencia um veículo do outro. Jornalismo é descobrir, apurar e contar bem uma história.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Homens grisalhos&lt;/strong&gt; - Como leitor, o jornalista se sente incomodado. Para ele, o noticiário peca pela padronização de assuntos. “A impressão que me dá, como consumidor, é que aquela notícia é velha. Mesmo sendo nova, a sensação é de que a li em algum lugar.” É a forma do velho repórter dizer que o jornal só sobreviverá se for “gênero de primeira necessidade”. Palavras dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo Kostcho desconfia – e explica para a plateia composta na maioria por jovens jornalistas na casa dos 20 anos – que as redações redescobriram os homens grisalhos. Muitos portais – uma das razões para o bom salário – resolveram contratar profissionais mais experientes que, segundo ele, podem escrever mais do que 10 linhas ou 140 caracteres. “É fundamental mesclar velhos e novos. Nas redações, faltam cabelos brancos.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cego e surdo&lt;/strong&gt; - Adepto da reportagem como essência da profissão, o velho repórter não demoniza ou crucifica as novas tecnologias. Ele as defende como espaço para matérias mais elaboradas, em convivência harmônica com a notícia mais urgente e curta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o irrita é usar a tecnologia para prender o repórter nas redações, longe das ruas. “É vagabundagem. É impossível fazer pelo telefone. Checar uma informação de última hora, tudo bem. Mas eu preciso ver de perto porque sou meio cego. Preciso ouvir de perto porque sou meio surdo. As deficiências físicas ajudam no trabalho.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como argumento, Ricardo Kotscho cita várias vezes o colega José Hamilton Ribeiro, repórter do Globo Rural. Um exemplo: a reunião dos dois para discutir a morte da reportagem, há 30 anos, na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro. Por coincidência, ambos se encontraram, no ano passado, na PUC-SP, para conversar sobre o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kostcho se diverte parafraseando José Hamilton, para justificar que, enquanto se gasta saliva com o falecimento alheio, ambos sobreviveram ao intervalo de três décadas com o mesmo trabalho. E ainda vivem disso. Kotscho, aliás, com maior salário em 47 anos de histórias bem contadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;* Matéria publicada no Jornal Boqnews (Santos/SP), edição nº860, em 1º de outubro de 2011.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3774364660617577447?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3774364660617577447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3774364660617577447' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3774364660617577447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3774364660617577447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/10/falta-de-cabelos-brancos.html' title='A falta de cabelos brancos'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-6654277355634436153</id><published>2011-10-30T11:54:00.000-02:00</published><updated>2011-10-30T11:54:19.459-02:00</updated><title type='text'>O parque mal assombrado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Tenho dois filhos. Mariana tem nove anos e não se lembra de tê-lo visitado. Vinicius, com quase dois, está proibido de colocar os pés no lugar. Riscaram, sem saber, o parque do mapa. Adaptaram-se em outros espaços abertos da cidade, como o Jardim Botânico e a Fonte do Sapo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo, também com dois filhos, tinha o hábito de levá-los lá quase todos os finais de semana. Passeio que incluía o relaxamento dos pais e a pipoca no cair da tarde. O Orquidário Municipal caminhou rumo ao saudosismo e rastejou para a lista de obras com a máscara de lenda urbana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechado desde 2009, o Orquidário é um mausoléu verde, enegrecido pela escuridão, não apenas de noite. O parque é vítima da negligência administrativa. Basta ver a quantidade de adiamentos da conclusão da reforma e do milagre da multiplicação dos cifrões, que encarecem o trabalho e perpetuam o fechamento do parque. Enquanto isso, os burocratas transferem responsabilidades e tiram a culpa das próprias costas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, me entristece saber que o Orquidário não pode descansar em paz. Nem o coma induzido é respeitado, tanto por quem o profana como por quem deveria zelar por ele. Qualquer morador com o mínimo de senso sabe onde ficam os pontos de venda e consumo de drogas nos arredores do parque. Ali, existem, ao menos, dois locais que conectam usuários de crack, um na linha do trem e o outro à beira da imagem de Nossa Senhora de Lourdes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando, o comércio é suspenso com a prontidão da Polícia Militar ou com a visita amigável dos guardas municipais. Dependentes de crack são tratados como questão de segurança, e não de saúde pública, ao contrário dos debates mais recentes em âmbito internacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o Orquidário tem a ver com isso? O parque se transformou em alvo para quem troca qualquer objeto por drogas. A reportagem de Bruno Lima, no jornal A Tribuna, retrata as reclamações dos moradores que testemunham, por exemplo, o roubo de fios e barras de ferro. A única “dificuldade” é pular o muro que perdeu a função de proteger o parque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os moradores conhecem a rotina de depredação, por que a Guarda Municipal, cujo papel inicial é resguardar o patrimônio público, ainda não tomou providências? Por que só agora a Prefeitura Municipal resolveu instalar alambrados de três metros para evitar que o Orquidário não se torne uma carcaça sem acabamento? Ou a doação de parte do material a fundo perdido de mãos alheias é parte da reforma? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia do purgatório que aprisiona o Orquidário é o discurso de desenvolvimento que ilude a cidade. Clichês como qualidade de vida, sustentabilidade e preservação ambiental ganham peso na boca dos engravatados, de olhos vidrados no falso progresso de concreto em forma de espigão e sonhos voltados para as profundezas do mar à frente, onde reside o ouro negro, o Godot que a Baixada Santista tanto espera como um personagem de Beckett. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, o Orquidário permanece sob a administração de corsários e piratas terrestres, dando a impressão de que acompanhará o destino que amaldiçoou o Teatro Coliseu, irmão nos anos de agonia e filho de uma obra feita às pressas, com as feridas escancaradas para quem o visita no Centro. Pelo menos, meus filhos – e filhos de outrem – puderam ver o teatro antes de se tornarem adultos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-6654277355634436153?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/6654277355634436153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=6654277355634436153' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6654277355634436153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6654277355634436153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/10/o-parque-mal-assombrado.html' title='O parque mal assombrado'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-4815624570633545750</id><published>2011-10-14T15:42:00.000-03:00</published><updated>2011-10-14T15:42:02.586-03:00</updated><title type='text'>A volta do chicote</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Plenários são lugares sem eco, quase sempre. Políticos vão até lá para falar sobre assuntos que, muitas vezes, os colegas não estão interessados em ouvir. A plateia – quantos flagrantes de TV – utiliza as cadeiras confortáveis para tirar o sono atrasado ou exercitar a sesta da tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da indiferença, muitos parlamentares se apóiam na estratégia de utilizar palavras fortes, o que inclui ataques aos adversários, para alcançarem algum grau de ressonância. Obter espaço na imprensa. O plenário é o caixote do pregador na praça. Pregador que gasta saliva ao vento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senador Reditario Cassol (PP-RO) deu a impressão de que estava em alguma praça pública do seu estado de origem, Rondônia. Entendeu que poderia falar o que bem entendesse. O senador defendia seu projeto de lei, que altera o Código Penal. O projeto “revoga ou restringe diversos benefícios concedidos a condenados a pena privativa de liberdade.” Enquanto se esgoelava no plenário, Cassol resolveu estabelecer um paralelo sociológico entre os trabalhadores e os presidiários e explicitou o que pensa sobre o sistema prisional brasileiro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-57G8vlvu0-8/TpiCH-vEWNI/AAAAAAAAA9U/Fx0zAz2ERKA/s1600/slavery.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" oda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-57G8vlvu0-8/TpiCH-vEWNI/AAAAAAAAA9U/Fx0zAz2ERKA/s1600/slavery.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Nesta análise profunda, o senador defendeu o uso de chicote para os presos que se recusassem a trabalhar nas cadeias. Imagino que o senador se referia ao período da escravidão, encerrado – ao menos juridicamente – há mais de 120 anos. O que Cassol não parece perceber é que declarações estapafúrdias esvaziam a discussão do próprio projeto pelo qual lutava no plenário. A seriedade se transforma, no mínimo, em bravata digna de piada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do discurso fora de lugar, Reditario Cassol não deveria estar ali. Ele ocupa uma vaga na bancada do Senado por causa de uma daquelas brechas estúpidas do sistema político brasileiro. Reditario está no Senado sem ter votos. É suplente do filho Ivo Cassol, atualmente licenciado. Uma espécie de nepotismo via urnas. O indivíduo perde o cargo, a família garante o poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exemplo do senador confirma o que se vê nos programas humorísticos da TV. Parlamentares pouco ou nada informados sobre questões nacionais, mais preocupados em cristalizar e levantar bandeiras de valores intolerantes e preconceituosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reditario Cassol perdeu a oportunidade de colocar na pauta problemas que sobrevivem na essência do sistema prisional. Deputados e senadores, por interesses diretos ou indiretos, evitam tocar em feridas como a disseminação de celulares nas prisões, o déficit de vagas em presídios e cadeias, a aplicação restrita de penas alternativas para delitos leves e a própria distribuição de presos nas unidades, onde convivem o ladrão de galinhas e o gângster. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A defesa de senhor de escravos contou com o silêncio dos colegas de Senado. Será que concordam com a posição de Cassol? Ou estavam com a cabeça em outros endereços? Ou batiam papos animados, como acontece com freqüência? Apenas uma voz se manifestou. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou que “compreendia a indignação” do colega parlamentar, mas que o chicote seria “a volta da Idade Média”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Suplicy não precisava viajar tão longe na história. A ironia está no fato de que o pregador do caixote tem apoio de uma parte da sociedade brasileira, que não apenas usaria o chicote, como também apertaria o gatilho em um pelotão de fuzilamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-4815624570633545750?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/4815624570633545750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=4815624570633545750' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/4815624570633545750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/4815624570633545750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/10/volta-do-chicote.html' title='A volta do chicote'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-57G8vlvu0-8/TpiCH-vEWNI/AAAAAAAAA9U/Fx0zAz2ERKA/s72-c/slavery.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3394938369403724611</id><published>2011-10-12T00:00:00.000-03:00</published><updated>2011-10-12T00:00:45.181-03:00</updated><title type='text'>Autoajuda para o guru</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Quando visito uma livraria, fujo dos livros de autoajuda. Não quero conhecer o monge tampouco o executivo. Não desejo que mexam nas minhas coisas, quanto mais no meu queijo. Quero viver com alguém por amor e cumplicidade, critérios mínimos sem pensar em enriquecer com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com a piada que diz: os livros de autoajuda só ajudam quem os escreve. A ficar mais rico. A produzir mais livros. A reproduzir mais clichês. Os livros de autoajuda são termômetros que indicam uma sociedade escrava de fórmulas, ávida por respostas rápidas e genéricas, adepta do individualismo e divorciada da reflexão e da crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os livros atendem à necessidade crua de felicidade com elementos exteriores ao indivíduo. É uma premissa contraditória. Materializar sentimentos como caminho único de salvação é tão ilusório como milagres vendidos pela TV por sujeitos carismáticos de terno, gravata e livro sagrado nas mãos. Aliás, multiplicados em vários canais por objetivos idênticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o ser humano fascina pelo contraditório, acabei possuído por aquilo que tanto critiquei. Em vez de exorcizar a entidade, resolvi pensar no que tinha a me dizer. Concluí que a autoajuda é um mal necessário. Com uma diferença: vou ajudar a mim mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-zdaK8PBIBrE/TpUCJPQgIpI/AAAAAAAAA9E/3R5Y0bKXiDY/s1600/beato+salu.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-zdaK8PBIBrE/TpUCJPQgIpI/AAAAAAAAA9E/3R5Y0bKXiDY/s1600/beato+salu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você, leitor, quiser me tornar seu guru, fique por sua conta e risco. A vantagem é que este texto saiu de graça. A desvantagem é que não existe ainda um Procon metafísico ou de receitas empresariais. Daqui para a frente, enganação, enrolação, estelionato intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi as maravilhas de viver com menos. Por culpa do Detran, abri mão do carro. Mais do que o cinismo de fingir esquecer o automóvel por um dia no ano, resolvi abandoná-lo. Na verdade, o vendi para cobrir despesas e me transformei em um sem-carta. Especulo se é viável montar uma ONG comprometida. Comprometida a explorar esse segmento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão de dispensar o modelo de transporte dominante (ou quase) foi saudável. Para melhorar minha saúde, comprei uma bicicleta. Ambientalmente correta como transporte. Tão rápida como o carro em várias horas do dia. A bicicleta é a dieta perfeita que prescinde de shakes, sopas, cogumelos, pílulas, fases da lua, entre outras promessas diuréticas, feitas para te acorrentar ao banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver com menos é também abrir mão das facilidades tecnológicas que fascinam as Amélias, os gourmets e os iludidos da nova classe média. Menos badulaques eletrônicos em casa é economia de energia e garantia de reprodução da filosofia do minimalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para manter a coerência do meu processo de autoajuda, escolhi viver sem fogão. Não tenho esse objeto há quase três anos. Em palestras e dinâmicas que enrolam funcionários, prometo defender a ideia de que extinguir o fogão simboliza o retorno à vida bucólica anticonsumista, entre outras expressões permeadas por frases engraçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De perto, a picaretagem se revela. A ausência de fogão é compensada por forninho, sanduicheira e micro-ondas. O outro motivo de poupar energia é operacional: não sei cozinhar mesmo. Qualquer dificuldade é solucionada por pratos prontos, a descongelar em 15 minutos. Se enjoar, nada que o restaurante por quilo não resolva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único momento honesto da autoajuda pessoal (a redundância é ênfase!) são as caminhadas. Evito as academias. Elas fazem mal à liberdade. Qual é a lógica de percorrer quilômetros, indica o velocímetro, sem sair do lugar? Prefiro caminhar pela cidade. Para não fugir à regra do homem de hoje, ando com um propósito. O guru finge trabalhar, para não ter tempo de ficar sem dinheiro. A neurose urbana não permite caminhar sem rumo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-3s2b4fXK3CQ/TpUCc0C6LnI/AAAAAAAAA9M/SziyS6xN-LM/s1600/O+Guru+do+Amor.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-3s2b4fXK3CQ/TpUCc0C6LnI/AAAAAAAAA9M/SziyS6xN-LM/s1600/O+Guru+do+Amor.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metas e objetivos são parte do receituário da autoajuda. Como o guru diante do espelho, sugiro que faça como eu: ande para o trabalho. Assim, é mantido o equilíbrio entre a qualidade de vida (aqui, um clichê) e a vida proativa (outro termo do dicionário).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você, leitor, levar essa fórmula ao pé da letra, vai perceber que o mesmo caminho para o trabalho todos os dias é tão monótono quanto rastejar na esteira da academia. Faça o mesmo trajeto, mas olhe para os lados. Mover a cabeça e ativar os olhos te levará a novas leituras da mesma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andar pelo bairro onde moro, hoje, me leva a novos endereços, ainda que o traçado seja igual. Descubro novas casas, outras arquiteturas, outra vegetação. Conheço pessoas e absorvo histórias inéditas, muitas delas fontes de novos textos aqui mesmo neste espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver com menos é, na prática, observar e digerir detalhes. É enxergar a poesia que se renova na rotina da vida cinzenta. Ver não está nos livros nem nas palavras encaixadas pelos gurus e falsos mestres. Olhar para os lados e perceber ao rodapé da vida não pode ser ensinado. É isso que defino como autoajuda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3394938369403724611?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3394938369403724611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3394938369403724611' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3394938369403724611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3394938369403724611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/10/autoajuda-para-o-guru.html' title='Autoajuda para o guru'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-zdaK8PBIBrE/TpUCJPQgIpI/AAAAAAAAA9E/3R5Y0bKXiDY/s72-c/beato+salu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-562313561968504144</id><published>2011-10-07T11:43:00.000-03:00</published><updated>2011-10-07T11:43:05.729-03:00</updated><title type='text'>Manual do enrolador</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Falta um ano para as eleições. É tempo de incertezas e de verdades absolutas. Promessas se multiplicam como milagre em porta de igreja. As gavetas dos gabinetes vomitam projetos, propostas, programas e ideias semelhantes, que continuarão condenados ao purgatório da eternidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos próximos 12 meses, você estará cercado de uma trupe que tentará transformar sua vida num circo. Mascarar o circo de horrores e colorir o picadeiro. O desejo deles é que nos levantemos da arquibancada, onde permanecemos inertes por quatro anos, entendamos que o centro do picadeiro é nosso. De brinde, o nariz vermelho. A piada com desfecho sem graça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nos defendermos dos profetas de terno, dos curandeiros de políticas públicas e dos xamãs que beijam crianças e velhinhos na feira livre, foi lançado o Manual do Enrolador. O livro é um guia de auto-ajuda, com receitas para detectar e reagir diante do assédio dos caçadores de votos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro passo é ter consciência de que os esqueletos vão sair do armário, com ou sem tranca. Não adianta novena, mesa branca ou galinha preta na esquina. Fantasmas reaparecem como se tivessem ressuscitado depois do descanso. Não se preocupe: para a assombração, o morto é você. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mapear e perceber por onde caminham as entidades, é fundamental compreender como se comportam para alcançar, seduzir e abocanhar a presa. Uma das estratégias mais comuns é o envolvimento em questões públicas. Não importa se são assuntos anteriormente desprezados. Alimentar a amnésia alheia é o coração da fraude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As “lutas” serão escolhidas, exploradas, distorcidas e devolvidas a você a partir de critérios e interesses obscuros. Qualquer pergunta que você responder na rua indicará comprometimento. No mínimo, você virará estatística. A intenção de voto é, nesta lógica, certeza de vitória. Rejeitar um profeta não significa heresia ou garantia de desfecho na fogueira. É ser ignorado por quem não tem o menor interesse em saber o que você pensa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os temas eleitos para a pregação gratuita na TV – ou em debates que se multiplicam como coelhos – precisam ser legitimados. É o verniz que deixará brilhante a cara-de-pau. Esta espécie costuma se reunir em eventos. Seminários, por exemplo. Os pregadores falam, falam, falam, sem a menor disposição para sair do lugar. Gasta-se saliva como dinheiro público. Suor, por outro lado, é peça rara de antiquário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontros assim nasceram para morrer. Servem para resgatar lendas urbanas, mesmo aquelas que entraram para a galeria do humor. Siglas e nomes pomposos compõem o cenário. Quanto menos compreensível, maiores as chances de parecer primordial e sinônimo de progresso. VLT, por exemplo. Você não sabe o que significam as três letras? O Manual te levará à luz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como última lição-aperitivo, jamais se esqueça de que o guru é versátil. Ele sempre estará acompanhado de uma corte, capaz de fazê-lo discorrer por horas – e com propriedade – sobre educação, meio ambiente, aborto e emprego. O guru vai de uma ponta a outra sem escalas, com números decorados e palavras que o libertam de qualquer saia justa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A má notícia: o Manual do Enrolador não estará à venda. Talvez o livro fizesse sucesso no mercado. Mas a concorrência é dura. Os profetas nunca descansam em serviço, mesmo quando enganam para sobreviver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-562313561968504144?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/562313561968504144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=562313561968504144' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/562313561968504144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/562313561968504144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/10/manual-do-enrolador.html' title='Manual do enrolador'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-7438069350822294436</id><published>2011-10-04T08:36:00.000-03:00</published><updated>2011-10-04T08:36:35.743-03:00</updated><title type='text'>Choque de gerações</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O amistoso contra a Argentina, na última semana, ocorreu pelas razões erradas. Mais do que representar a conquista de um troféu sem relevância, a partida deveria servir para afunilar o processo de renovação da seleção brasileira e, principalmente, iniciar a definição do grupo de jogadores que disputarão as Olimpíadas, em 2012. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao convocar somente os atletas que atuam no país, o técnico Mano Menezes sucumbiu às pressões de variadas ordens – de empresários a clubes, da CBF à imprensa – e não conseguiu cumprir nenhuma das metas estabelecidas quando assumiu o cargo. Mano Menezes mal imprimiu uma trajetória de renovação, como também não compôs um time olímpico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calvário deve prosseguir contra a Costa Rica, o próximo amistoso. A vitória será óbvia e obrigatória. Mas o que poderá render para os próximos dois anos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa não deve ser creditada exclusivamente na conta do treinador. A seleção paga o preço da entressafra. O cenário atual indica, de fato, uma lacuna entre veteranos e revelações, o que provoca aposentadorias precoces e responsabilidades em excesso para quem mal saiu das fraldas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único setor que sobrevive, sem muitos ferimentos, à crise de identidade atual é a defesa. Ainda dependemos de Julio Cesar, mas na posição de goleiro renovar é um risco desnecessário. A experiência é pré-requisito para a função. O critério longevidade esconde, no entanto, a dificuldade em se localizar goleiros novos e de alta qualidade. Victor é uma exceção. Rafael, do Santos, uma promessa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os zagueiros, a situação se aproxima do ideal. Jogadores experientes, como Lúcio (aliás, ainda em plena forma e marcando gols), fazem parceira com atletas no auge da técnica e da força, como David Luiz e Thiago Silva. Todos defendem clubes de ponta e estão acostumados às pressões de jogos importantes. Entre os laterais, o lado direito tem dois soberanos (Maicon e Daniel Alves), enquanto na esquerda Marcelo precisa de uma sequência de partidas. Ele sofre a concorrência de Adriano, do Barcelona. Côrtes, do Botafogo, é tão desconhecido quanto festejado em excesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O time se torna normal quando o olhamos do meio-campo para frente. E é nestes setores que se pode notar o choque de gerações. Jogadores que deveriam ser titulares entraram em decadência muito antes do previsto. Adriano e Ronaldinho Gaúcho exemplificam o problema. Outros vivem entre contusões que, de certa maneira, abreviaram a carreira em alto nível. Kaká era o camisa 10 que, no momento, a seleção perdeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta turma não teve substitutos à altura. Não se pensou nesta hipótese. Parte do elenco da última Copa encerrou a história na seleção. Os herdeiros não tiveram oportunidades ou não possuem qualidade técnica para protagonizar a sequência da narrativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio-campo, Diego, do Atlético de Madri, não construiu uma carreira regular, nem na seleção, nem no futebol europeu. Teve bom início na Espanha e, com 26 anos, pode reaparecer nas listas de convocados. Ganso, do Santos, vive no estaleiro e, na seleção, não fez diferença alguma. Robinho é irregular e, na prática, não altera o estado de coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os atacantes, o técnico Mano Menezes girou a metralhadora. Não temos um centroavante desde Ronaldo. O treinador testa jogadores de clube, como Borges, revelações ainda cruas, como Lucas, e atacantes que nunca resolveram o problema, como Pato e Fred. De fato, o ataque não provoca tremedeiras em zagueiros das grandes seleções. Tanto que o Brasil mal marcou gols nos amistosos que realmente importam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formar uma seleção-base para os próximos três anos implica em regularidade nas convocações, nas escalações e na definição da forma de jogar, inclusive com variações. Ser simpático e eloqüente não basta. Agrada aos jornalistas-babões, mas eles serão os primeiros a mudar de lado, principalmente porque não enxergam além do jogo-a-jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que testar, Mano Menezes transmite a impressão de que resolveu ignorar a si mesmo. Ignorou o discurso de boas-vindas. Jogadores entram na lista, participam de um jogo ou dois, ganham contratos no exterior e desaparecem das primeiras páginas. O treinador montou duas equipes para atender aos confrontos que enchem os cofres, mas não dão consistência ao time. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil só tem mais duas competições até a Copa do Mundo. Uma delas, os Jogos Olímpicos, soluciona parte do problema, o da molecada que precisa de estrada. A equação é mesclar duas gerações, que normalmente provoca a construção de uma equipe. Driblar a entressafra ou ressuscitar velhos personagens são os muros à frente. Mano Menezes poderá escalá-los?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-7438069350822294436?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/7438069350822294436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=7438069350822294436' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/7438069350822294436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/7438069350822294436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/10/choque-de-geracoes.html' title='Choque de gerações'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3127497458001350182</id><published>2011-10-03T01:25:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T01:25:58.488-03:00</updated><title type='text'>O direito de Mario Fernandes</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O lateral-direito do Grêmio, Mario Fernandes, cometeu um crime, passível de prisão perpétua. Passível porque a amnésia coletiva, somada ao cinismo que permeia o futebol, pode garantir o perdão e reverter a pena daqui a meses, ainda nesta temporada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mario Fernandes teria rejeitado a seleção brasileira, segundo o discurso ufanista da imprensa amiga da CBF. O jogador alegou problemas pessoais para não participar do amistoso caça-níqueis contra a Argentina. Problemas pessoais é argumento vago, claro. Mas ele tem o direito de ser evasivo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-NvNCCBwza6Y/Tok47M5nmdI/AAAAAAAAA9A/lGkOKh431jc/s1600/Mario+Fernandes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240px" kca="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-NvNCCBwza6Y/Tok47M5nmdI/AAAAAAAAA9A/lGkOKh431jc/s320/Mario+Fernandes.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;O jogador também tem o direito de se recusar a atuar pela seleção brasileira. Ou rejeitar uma convocação. Nada mais hipócrita do que a ideia de que a seleção representa uma instituição sagrada. A seleção se prostituiu há anos. Virou balcão de negócios. O craque da semana é convocado e se transforma em expatriado na semana seguinte; e página virada, na convocação posterior. A lista de Mano Menezes está repleta de nomes assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mario Fernandes foi acusado de antipatriótico. O cinismo, aliado ao simplismo do politicamente correto, se apressou em julgá-lo. O patriotismo brasileiro é único, mas também fragilizado. Resume-se aos esportes, numa demonstração esquizofrênica, que se manifesta pelo ódio e repulsa quando o primeiro lugar não é conquistado, embora não houvesse chances de vitória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O patriotismo abre exceção quando se trata de artistas, mas prevalece o clima de competição. Patriotismo no Oscar de filme estrangeiro ou em prêmios musicais. Um ator que tenta carreira lá fora tem que começar por cima. Caso contrário, é visto como alguém que passou ridículo e fracassou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O patriotismo que nos reúne no boteco para torcer pelo Brasil em Copa do Mundo se esvazia quando envolve política, história ou valores culturais. Aí transitamos da indiferença à valorização dos importados. A grama do vizinho é sempre mais verde. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SuuXXAndkbA/Tok4uG1WmqI/AAAAAAAAA88/libF5uqNg-c/s1600/leandroflamengo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="169px" kca="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-SuuXXAndkbA/Tok4uG1WmqI/AAAAAAAAA88/libF5uqNg-c/s320/leandroflamengo.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;Mario Fernandes foi comparado a outros “desertores”. Leandro, também lateral-direito, largou a seleção em solidariedade à Renato Gaúcho, cortado por Telê Santana às vésperas da Copa de 1986. Leandro chegou a ser acusado de ter um caso amoroso com o atacante. Dez anos depois, Arílson, então atacante do Grêmio, escapou da seleção em tempos de Zagallo. Nunca mais foi chamado, assim como Leandro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mario Fernandes sofreu uma patrulha nociva, em contraponto às festividades da torcida paraense com Neymar e Ronaldinho Gaúcho. Nas entrelinhas, o vilão que merece o ostracismo, alvo de um maniqueísmo em que os que estão lá seriam como pilotos-kamikazes, dispostos a morrer por uma causa. Os contratos milionários e a vida de rock star desmentem qualquer analogia rasteira com a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lateral-direito não está condenado à morte. Passará pelo purgatório do espetáculo, mas contará com o esquecimento alheio. Uma convocação, uma boa partida basta como remédio para a superficialidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-rfKSvOCR9E0/Tok4hUKwbaI/AAAAAAAAA84/raa6Xflm0IQ/s1600/Marcelo-Real-Madrid-Defender.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="199px" kca="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-rfKSvOCR9E0/Tok4hUKwbaI/AAAAAAAAA84/raa6Xflm0IQ/s320/Marcelo-Real-Madrid-Defender.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;O lateral-esquerdo, Marcelo, do Real Madrid, é exemplo de como o cinismo sobrevive. Até hoje, a história do e-mail que vazou para a comissão técnica da CBF está mal contada. O fato é que, depois de alguns meses, Marcelo foi reconvocado por Mano Menezes e segue como titular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Mario Fernandes não for chamado, o problema não foi a falta de patriotismo. Ele estará fora por causa da concorrência. Por hora, reinam Maicon e Daniel Alves. O lateral do Grêmio está apenas no começo. O resto é má fé.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Obs.: &lt;/strong&gt;Este texto foi sugerido pelo estudante de Jornalismo Gustavo Pereira. Agradeço pela ideia!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3127497458001350182?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3127497458001350182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3127497458001350182' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3127497458001350182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3127497458001350182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/10/o-direito-de-mario-fernandes.html' title='O direito de Mario Fernandes'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-NvNCCBwza6Y/Tok47M5nmdI/AAAAAAAAA9A/lGkOKh431jc/s72-c/Mario+Fernandes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3274844828832441009</id><published>2011-10-02T19:01:00.000-03:00</published><updated>2011-10-02T19:01:16.740-03:00</updated><title type='text'>O aniversário</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Escrever sobre aniversários, ainda mais quando o motivo é o seu, representa o cúmulo da obviedade. Mas aí reside a primeira particularidade da data: em aniversários, você recebe uma espécie de carta de alforria, que te permite ser mais sincero do que o habitual e tomar certas atitudes. Atitudes que, se magoam, ganham perdão. A emoção do dia serve de desconto na nota fiscal, principalmente se não se faz o esperado, se não há exaltação ou euforia desmedida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as ações beiram a vergonha ou ultrapassam a fronteira entre o bom senso e o ridículo, serão lembradas em tom de brincadeira, como conseqüência do vácuo espaço-tempo que se abriu diante do aniversariante. Ele não estava no domínio de suas faculdades mentais, como um surto temporário, inócuo e inofensivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever sobre seu próprio aniversário tem, inclusive, uma justificativa técnica, tão formal quanto fraudulenta. A crônica rasteja entre a sensibilidade da percepção das entrelinhas e a redundância dos grandes temas. O cronista discorre sobre os mesmos temas e, no fundo, fala sobre si mesmo, o que vê e o que o cerca. Este texto é mero ato de coerência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas olhar para o próprio aniversário é, acima de tudo, fugir das promessas. A superstição ordena que se corte o bolo e faça pedidos. Mais uma promessa do que uma solicitação. Prometer mudanças nesta data é o primeiro passo para esquecê-las no dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aniversário e segunda-feira são irmãos gêmeos. Por coincidência, meu aniversário caiu no domingo, o que fortalece o quadro de amnésia. E prometer sob a coerção dos parabéns é apostar na prevalência da inércia. Até porque o pedido ocorre em silêncio, o que te isenta de cobranças e abre a porta para mentiras que atendem a audiência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar para o próprio aniversário é enxergar pelo retrovisor. De certa forma, fazemos um balanço daquele momento, daquele cenário. Não é exatamente como fechar a loja depois das festas de final de ano. É uma necessidade – pelo menos para mim – de refletir sobre os sentimentos e emoções que permearam os últimos tempos, sem prazos engessados. Impossível medir se os sentimentos brotaram e me machucaram há uma semana, um mês ou há duas horas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sentimentos e emoções afetam outras pessoas, aniversário é pensar sobre elas, sobre como lapidar uma relação afetiva ou se uma sucessão de fatos implica em afastamento ou em distância segura. O contrário também merece diagnóstico: por que falhamos? Por que fomos negligentes? Por que fomos duros demais ou afetivos de menos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo o aniversário como uma pausa introspectiva. Não sei se é a idade, que traz consigo alguma rabugice, mas a cada ano me vicio mais em exercitar a solidão neste dia. Sempre há alguma festinha e seria grosseiro rejeitá-la, mas tais reuniões me soam protocolares. Uma maneira de agradar a quem demonstra amor por mim do que a exigência de suntuosos espetáculos individuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aniversário é o intervalo da faxina interna. Neste ano, não consegui – por responsabilidade própria – repetir um ritual que simboliza minha limpeza interior. Os dois objetos, uma cadeira de praia e um livro, mais a própria areia compõem o bolo de aniversário ideal. O instante de egoísmo, como se o mar e a areia me pertencessem exclusivamente. Gente em volta, mas vazio absoluto para rechear a si mesmo outra vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como contradição, comemorar aniversário é ter ciência de que brota o desejo de ter o outro a seu lado. Ouvir os parabéns, ganhar um abraço e um beijo superam qualquer presente e seu valor monetário. Não confunda com a festinha de ocasião ou com as mensagens de Facebook, muitas delas frias como as convenções sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer aniversário está além da contagem de tempo. Respeito quem esconde a idade, paralisa os relógios ou simplesmente evita tocar no assunto. Sempre me pareceu algo secundário, inclusive por ser uma derrota de goleada. É o uso indevido da matemática, pois o resultado adverso mascara contas abstratas, impossíveis de serem feitas na nossa própria história e, essencialmente, na relação com os outros personagens importantes para o enredo que construímos, em contextos imprevisíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aniversário é a parada desesperada em um posto sem-vergonha depois de horas de caminhada na estrada. É valorizar o que se tem, sem cobiçar o alheio. E, neste caso, o que se possui não pode ser comprado em shopping, supermercado ou na quitanda da esquina. Sequer está à venda. Para localizá-lo na prateleira, só olhando para a estrada percorrida e para as cicatrizes da viagem.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3274844828832441009?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3274844828832441009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3274844828832441009' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3274844828832441009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3274844828832441009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/10/o-aniversario.html' title='O aniversário'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-5349417148863803055</id><published>2011-09-30T09:32:00.000-03:00</published><updated>2011-09-30T09:32:34.161-03:00</updated><title type='text'>Bom dia, por favor</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O amor pelas palavras me transformou em um caçador. Uma missão que beira a doença, ainda que reconheça ser ilusão procurar no outro o que pode estar em mim. Passei a caçar as expressões que antes soavam como triviais, até mecânicas no trato diário da vida ordinária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom dia, boa tarde, boa noite. Por favor. Obrigado. Desculpe-me. Palavras como relíquias em feira de antiguidades. Vocabulário que, em breve, poderá interessar a arqueólogos e historiadores. Termos que beiram a pieguice na perspectiva de muita gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elevador serve como termômetro. O endereço inevitável do encontro. Segundos de músculos tensos para quem está acompanhado, uma prece para vivenciar a solidão por alguns andares. Entro em um elevador e mal acontece o olhar de retorno. De muitas bocas, ouço vozes que mais se parecem ruídos. Grunhidos que representam a tentativa de cumprir uma convenção social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos em um mundo onde se comunicar é uma das ações mais rápidas e funcionais. Andamos pendurados com celulares nas orelhas. Dedos que, como imãs, correm com neurose pelos teclados. A tecnologia nos permitiu acreditar na redução do tempo e o espaço a zero. Somos obcecados pelo instantâneo, mas também incompetentes para sobreviver sem o imediato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo do humano parece ter se instalado nas relações cotidianas. O comportamento lembra crianças pequenas em ambientes novos. Presas no silêncio, agarradas na vergonha da exposição diante do desconhecido. O problema talvez esteja na redução do contato olho no olho, enquanto nos tornamos tagarelas virtuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responsabilizar a tecnologia é transferir a culpa, sem deixá-la para trás ou exorcizá-la. Mascaramos o comportamento de quem encena civilidade. Cumprimentar alguém está além do exercício da cortesia ou da obrigação traduzida em sons inaudíveis no elevador, na porta do prédio ou na padaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobramos educação alheia. Reclamamos de brutalidade nas relações do dia-a-dia. Cínicos somos porque pretendemos uma posição que tangencia os conflitos, como se não fizéssemos parte da ciranda tóxica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a posição do sujeito ganha o sentido de status, cumprimentar é selecionar. Onde trabalho, muitos funcionários e alunos desenvolveram uma das habilidades do Superman. A visão de raio-X os permite enxergar através de outros empregados. O uniforme catalisa o poder de tornar outra pessoa invisível. O diálogo existe somente quando a necessidade aperta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A posição social também define se haverá retratação ou reconhecimento do erro. Tenho um amigo, que apresenta um comportamento particular: jamais se desculpou na vida. Não que bata no peito com orgulho, mas os anos de convivência dão a impressão de que ele não aprendeu a palavra em português. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ciclo se fecha com a raridade do obrigado. Fazer um favor, atender a um pedido ou cumprir uma obrigação não diferenciam o agradecimento. A gratidão se perde, no entanto, quando prevalece a crença de que todos os cenários resultam em tarefas cumpridas. Um exercício de arrogância para quem deveria agradecer, mas segue afogado na empáfia de supor que pronunciar obrigado pode ser sinal de rebaixamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoraria defender a ideia de que sofro de surdez ou careço de interpretação adequada. Ouvindo ou não, prefiro insistir nas “palavrinhas mágicas”, como diziam meus pais, mesmo que caiam no vazio da ausência da resposta. O constrangimento fica a cargo de quem decidiu emudecer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-5349417148863803055?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/5349417148863803055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=5349417148863803055' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/5349417148863803055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/5349417148863803055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/bom-dia-por-favor.html' title='Bom dia, por favor'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-308399118475968860</id><published>2011-09-29T01:41:00.000-03:00</published><updated>2011-09-29T01:41:24.411-03:00</updated><title type='text'>O estelionato dos saltimbancos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Dois gols e uma vitória para a explosão de clichês. Do resgate do futebol brasileiro ao desempenho que convenceu a torcida. Nada mais melancólico do que esconder a esterilidade com euforia. A vitória do Brasil contra a Argentina, em Belém, é o laço de fita vermelha que embala um crime. Que mascara a feiúra de quem anda remendado por curativos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O jogo, com a conivência tradicional dos ufanistas de microfone, é uma sucessão de fraudes que compõe um golpe contra torcedores e até jogadores, crentes que podem disputar as próximas competições oficiais. Entre elas, a Copa do Mundo de 2014. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A partida, na prática, não valeu nada. Ali, não estavam as seleções principais. Sem ilusões, as duas equipes eram um apanhado de atletas, a maioria de segunda linha, reunidos para aqueles treinos de reconhecimento do gramado, que enganam os que gostam. Atuam em países com campeonatos de nível inferior. As exceções, como Lucas, Neymar e até Ronaldinho Gaúcho, não criaram novas expectativas. O jogo não mudará o que se pensa ou o que se espera deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A conquista de um título é cinismo para amenizar o caráter caça-níqueis da disputa. O maior sintoma disso foi a confraternização dos jogadores brasileiros no centro do campo depois do jogo. Confraternização, não comemoração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os argentinos, recheados de atletas que jogam por aqui e nunca são convocados, foram cavalheiros e não apelaram para catimba ou violência. Parecia um amistoso daqueles que encerra a carreira de alguém. Time do fulano contra os amigos de beltrano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vitória contra o vizinho não serve para dar sequência à proposta (parece mais promessa) de renovação da equipe brasileira. Também não atende às necessidades imediatas de compor um time-base. E não auxilia na definição do elenco que disputará as Olimpíadas de Londres, em 2012. A sensatez indica que 90% da seleção está na Europa, em grandes clubes. Ou até de porte médio. Dois ou três atletas que defendem times brasileiros podem brigar pela titularidade. Mais uns três para completar o banco de reservas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogos assim deveriam ofender a inteligência de atletas que estão no país. A maioria dos que entraram em campo contra a Argentina não tem chances, em condições normais, de defender a seleção brasileira. Não chegarão à Copa das Confederações, por exemplo. As razões vão da técnica à idade avançada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O técnico Mano Menezes, elogiado porque atende pedidos esquizofrênicos de parte da imprensa ou porque é simplesmente simpático, ganhou sobrevida por ter vencido a Argentina. Ainda que seja um rascunho do maior rival. Mesmo ignorando os maus resultados, que parece saudável, sofreremos de amnésia diante da ausência de regularidade tática e de coerência nas convocações?   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora de campo, o pecado está na organização, ponto no qual prevalece a coerência. Para atender a interesses políticos, o amistoso aconteceu em um estádio que não abriga clubes da primeira divisão há tempos. O gramado se aproximava da várzea. Em algumas partes, lembrava solo lunar. Uma partida entre duas seleções, mesmo com elencos B, não merece um tapete rasgado e puído. Mais um ponto para os europeus, que tanto criticamos por despeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seleção brasileira foi banalizada. Transformou-se em um grupo de saltimbancos, que troca de roupa e de atores pela instabilidade da profissão, mas se sustenta pelo show previsível, apresentado em qualquer espaço por uns trocados. E ainda acreditamos que enfrentar Costa Rica, o próximo adversário, mudará o estado de coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, os cínicos fazem cara de espanto quando o Brasil enfrenta Gana em um estádio para 25 mil pessoas, na Inglaterra. Foi-se o dia em que a seleção era a atração principal em carpetes por aqui ou do outro lado do oceano.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-308399118475968860?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/308399118475968860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=308399118475968860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/308399118475968860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/308399118475968860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/o-estelionato-dos-saltimbancos.html' title='O estelionato dos saltimbancos'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-2789733688339128121</id><published>2011-09-24T12:42:00.000-03:00</published><updated>2011-09-24T12:42:35.571-03:00</updated><title type='text'>A arma contra vereadores</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;“Foz do Iguaçu quer mais viadutos. Não precisa de mais vereadores.” As duas frases compõem um dos 18 outdoors espalhados pela cidade paranaense. Foz do Iguaçu é uma das 20 cidades brasileiras onde tramitaram projetos de lei que aumentam o número de cadeiras no Legislativo. A mudança valeria a partir da próxima eleição, no ano que vem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Foz e outros três municípios, os vereadores recuaram por medo das urnas. Em São José do Rio Preto (SP), houve protestos. Em Novo Hamburgo (RS) e Governador Valadares (MG), moradores juntaram assinaturas para anular o projeto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Baixada Santista, dois exemplos distintos. Em São Vicente, os vereadores retiraram a proposta na última quinta-feira. A cidade seguirá com 15 representantes no Poder Legislativo. Os motivos ainda são nebulosos. São Vicente seguiu o caminho de Mongaguá, Itanhaém e Bertioga, que rejeitaram projetos semelhantes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Do outro lado da ilha, os vereadores santistas aprovaram, em primeira discussão, o aumento de 17 para 21 cadeiras na Câmara Municipal. A vergonha reside no fato que a votação se deu em caráter simbólico. Ou seja: nenhum vereador teve a decência de declarar o voto em plenário. Santos se junta&amp;nbsp;à Praia Grande, Cubatão, Guarujá e Peruíbe, que incharam suas Câmaras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os parlamentares apenas confirmaram o empurrão dado por deputados federais e senadores, no ano retrasado, quando foi aprovada emenda constitucional que permitia a criação de novas vagas. A decisão delegava aos municípios a tarefa de decidir se haveria ou não mudanças no número de cadeiras. A Constituição define apenas o limite máximo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jogada no Congresso Nacional permitiu de muitos vereadores movessem suas peças com tom de perversidade, apostando no corporativismo para se favorecerem, além de colegas suplentes com potencial de voto. Os vereadores, assim, nocautearam o Tribunal Superior Eleitoral, que determinara o corte de quase nove mil vagas em todo o país em 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que torna as quatro cidades diferentes de Santos, fora a reação popular, é que a resposta do eleitor teve como um dos alicerces a Internet, via redes sociais. É uma nova forma de praticar política, eventualmente conectada com entidades de classes, mas de costas para partidos e seus interesses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fenômeno se desenrola há meses, com uma série de protestos organizados via virtual. As causas são múltiplas. Da liberdade de expressão à descriminalização da maconha. Dos protestos contra o machismo e a violência doméstica à repulsa aos corruptos de Brasília. De pedidos pela saída de Ricardo Teixeira da CBF à construção de conjuntos habitacionais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de grandes manifestações, marchas e caminhadas com um número menor de pessoas, mas com lutas específicas. A exceção é a Parada Gay que, embora em caráter festivo, não deixa de ser um evento político. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe ao certo o que acordou o gigante. O que se percebe é o uso efetivo das redes sociais para a consciência coletiva. É claro que muitas das pessoas envolvidas seguem inertes nos teclados e se limitam a “curtir” ou repassar a mensagem. De certa forma, representa um avanço diante da despolitização cadavérica dos últimos anos. Repassar uma mensagem implica, ao menos, que o sujeito teve contato com ela e pôde refletir sobre o problema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As redes sociais, como instrumento político, são uma arma contra os oportunistas de gravata e mandato. Por enquanto, um armamento leve, restrito a poucos campos de batalha, que torna primordial estabelecer mira cirúrgica para o próximo ano. Na Baixada Santista, os vereadores poderiam sentir que caminham com um ponto vermelho eleitoral na testa. A sensação de estar sob a mira do eleitor aumentaria os riscos para os anfitriões da farra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-2789733688339128121?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/2789733688339128121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=2789733688339128121' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2789733688339128121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2789733688339128121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/arma-contra-vereadores.html' title='A arma contra vereadores'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-8454332123221799713</id><published>2011-09-19T02:37:00.001-03:00</published><updated>2011-09-19T02:39:21.779-03:00</updated><title type='text'>A delicadeza</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3ssTBOtRlKs/TnbUpFIHtoI/AAAAAAAAA80/PIV2Fk2pwEY/s1600/delicadeza.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-3ssTBOtRlKs/TnbUpFIHtoI/AAAAAAAAA80/PIV2Fk2pwEY/s320/delicadeza.jpg" width="317" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(...) A delicadeza não é causa de nossa humanidade, é efeito dela. Não é meio, é finalidade. O homem não é necessariamente delicado - daí a urgência de se preservar, na vida social, as condições para a vigência de alguma delicadeza.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Erramos ao chamar os atos que nos repugnam de desumanos. O homem, não o animal, usa de violência contra seu semelhante. O homem inventou o prazer da crueldade: o animal só mata para sobreviver. O homem destrói o que ama - pessoas, coisas, lugares, lembranças. Se perguntarem a um homem por que razão ele se permitiu abusar de seu semelhante indefeso, ele dirá: eu fiz porque nada me impediu de fazer. O abuso da força é um gozo ao qual poucos renunciam.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Além disso, o homem é capaz de indiferença, esta forma silenciosa e obscena de brutalidade. O homem atropela o que é mais frágil que ele - por pressa, avidez, sofreguidão, rivalidade -, sem perceber que com isso atropela também a si mesmo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;As palavras acima foram escritas pela psicanalista MARIA RITA KEHL. São o início de Delicadeza, texto publicado no livro A CONDIÇÃO HUMANA, organizado por Adauto Novaes. É um olhar tão profundo quanto rico sobre o ser humano.&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-8454332123221799713?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/8454332123221799713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=8454332123221799713' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8454332123221799713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8454332123221799713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/delicadeza.html' title='A delicadeza'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-3ssTBOtRlKs/TnbUpFIHtoI/AAAAAAAAA80/PIV2Fk2pwEY/s72-c/delicadeza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-6039134904083029308</id><published>2011-09-17T23:13:00.000-03:00</published><updated>2011-09-17T23:13:23.111-03:00</updated><title type='text'>Nós, os corruptos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A absolvição de Jaqueline Roriz escandalizou pela vitória da corrupção no Congresso Nacional. O desfecho desta história aumenta a pilha de sujeira que mancha a instituição e a torna mais impopular perante a opinião pública. Mas, desta vez, o contexto é outro: serviu de gatilho para protestos contra a postura dos políticos. Milhares de pessoas, em várias capitais brasileiras, marcharam pelo fim da corrupção. E pouco importa se muitas delas não sabem dos detalhes nos palácios do cerrado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reação funcionou como primeiro passo diante da ausência de limites dos engravatados de Brasília. As marchas não foram organizadas por partidos políticos. Brotaram nas redes sociais, fator bastante comum nos últimos meses, para as mais variadas causas. A maioria dos manifestantes creditou a corrupção como um comportamento exclusivo de políticos. Nada fora do normal, porque conversa e conclusão semelhantes acontecem na sala de jantar, nas padarias e nos botecos. Aí se esconde a máscara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preocupante crer que a corrupção se caracteriza como uma doença distante, que contamina e apodrece instituições em um reino fora da realidade. Os políticos são efetivamente representantes e reflexos da sociedade, seja pela decepção, seja pela atmosfera de impunidade que respiram. Eles podem nos parecer inalcançáveis como fonte de poder, mas lembram – como espécie - cada vez mais cópia escarrada de muitos cidadãos comuns. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrupção se alojou em todos os níveis sociais. Tão promíscuo quanto a deputada gravada recebendo propina são os deslizes diários, nas relações cotidianas. Proporção financeira ou status não alteram o escorregão ético. Estamos acostumados em achincalhar a classe política como um elemento externo, enquanto fazemos vistas grossas para os favorecimentos e privilégios que acontecem dentro do quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jeitinho brasileiro é valorizado como uma característica peculiar, positiva dentro de um pacote de criatividade e improviso. Na burocracia, aceitamos com relativa passividade a ideia de que ter dificuldades é inerente à venda de facilidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criticamos e elogiamos leis que combatem o nepotismo, mas somos cínicos quando separamos o público e o privado para criar dinastias particulares, por exemplo, no ambiente de trabalho. Na política miúda, uma visitinha ao gabinete de qualquer vereador – você se lembra em quem votou há quatro anos? – mostra que muitos eleitores os procuram para pedir emprego, jamais para cobrá-los pelas funções do cargo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encaixar alguém no serviço público vira moeda de troca entre o parlamentar e seu voto em corpo de gente. E depois reclamamos que a máquina vive inchada, numa hemorragia contínua. Eleitores alegam que políticos são assim mesmo, habitantes da lama, e que por isso os abordam apenas por coerência com o histórico de atitudes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descrença no modelo pode nos conduzir a reproduzi-lo e a gostar de praticá-lo. Criticamos a meritocracia quando ela não nos beneficia. Temos dificuldades de pensar coletivamente e caímos na tentação de abrir a porta que resolve o problema. O imediato como sinônimo do individual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Protestar contra a corrupção é exercício de cidadania, mas ainda atado a um alvo genérico. Combater a politicagem na casa do vizinho é saudável, só que implica em limpar a própria sala antes. Estamos prontos para cortar fundo a própria carne?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-6039134904083029308?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/6039134904083029308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=6039134904083029308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6039134904083029308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6039134904083029308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/nos-os-corruptos.html' title='Nós, os corruptos'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-58006587103905342</id><published>2011-09-15T18:29:00.000-03:00</published><updated>2011-09-15T18:29:01.853-03:00</updated><title type='text'>Procura-se uma parede</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O Corinthians precisa de um grande goleiro. Não é de um goleiro de bom nível, mas de um profissional que se aproxime da perfeição, que flerte com o incontestável. Julio Cesar amargou anos na reserva e soube aproveitar a lacuna deixada por Felipe, hoje no Flamengo. Rafael Santos, por exemplo, falhou seguidas vezes e acabou no Avaí, time que enviou Renan, incinerado após três partidas e três escorregões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de 10 goleiros passaram pelo Corinthians desde a saída de Dida. Pouco afeito ao marketing, nada voador, gelado embaixo das traves, Dida foi o último grande goleiro a defender a camisa 1, no Parque São Jorge. A passagem durou dois anos, e Dida levou os campeonatos brasileiro e mundial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0tEzY8izb8Q/TnJtSF44J4I/AAAAAAAAA8k/SL91UY-A8YU/s1600/dida.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" rba="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-0tEzY8izb8Q/TnJtSF44J4I/AAAAAAAAA8k/SL91UY-A8YU/s1600/dida.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Antes dele, o único a segurar a responsabilidade foi Ronaldo, tão seguro quanto tenso na relação com zagueiros e atacantes. Permaneceu uma década à frente do cargo de confiança. Talvez o temperamento tenha brecado sua trajetória rumo à seleção brasileira. Ronaldo liderava, junto com Neto, o elenco mediano que faturou o primeiro Brasileirão, em 1990. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-hyXpmPc2Ods/TnJtYWMQHVI/AAAAAAAAA8o/66YED_EsddM/s1600/Ronaldo-Giovanelli-300x225.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" rba="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-hyXpmPc2Ods/TnJtYWMQHVI/AAAAAAAAA8o/66YED_EsddM/s1600/Ronaldo-Giovanelli-300x225.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Depois de Dida, uma sucessão de profissionais corretos, mas nenhum capaz de gerar medo nos adversários. Todos suscetíveis à irregularidade, a maioria adepta do modelo contemporâneo, espalhafatosos para as fotos, instáveis para os zagueiros, rebatedores cotidianos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felipe, é verdade, agüentou o velório, o enterro e a ressurreição. Foi ao inferno da segunda divisão e retornou à elite com o Corinthians. Mas vivia de birra com dirigentes e torcedores. Nunca conseguiu ser popular, sequer se aproximar da unanimidade. E encarna o modelo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-9Uevt4jk7jw/TnJtesIOhnI/AAAAAAAAA8s/sNHUuhvn4_w/s1600/felipe.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" rba="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-9Uevt4jk7jw/TnJtesIOhnI/AAAAAAAAA8s/sNHUuhvn4_w/s1600/felipe.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O clube optou por revelações da base, como Rubinho (irmão de Zé Elias) e Marcelo; por reforços de clubes grandes, como Nei (ex-Fluminense), por ídolos de outras equipes, como Fabio Costa (Santos) e Silvio Luiz (São Caetano); revelações do interior, como Maurício; veteranos como Jean (ex-Bahia) e incógnitas, como Doni, hoje no Liverpool, da Inglaterra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum deles deixou saudades. Tive que fazer uma pesquisa e contar com a ajuda de colegas para chegar em alguns destes nomes. Todos acabaram destinados à vala comum da história do clube, com importância secundária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema se agrava quando o Corinthians olha para os vizinhos. O Palmeiras é uma escola de goleiros. De Valdir Joaquim de Moraes a Leão. De Veloso a Zetti. Marcos, às vésperas da aposentadoria, já tem dois sucessores, Deola e Bruno, sem contar a formação de goleiros de ótimo nível como Diego Cavalieri, hoje no Fluminense. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O São Paulo mantém Rogério Ceni, que não gera a menor preocupação com o posto. Em raros casos de ausência do titular, Denis tem cumprido o papel à altura. O Santos revelou Rafael, depois da lacuna gerada pelo fim da era Fabio Costa. Rafael tem chances reais de ir às Olimpíadas, no próximo ano. Quem acompanha o dia-a-dia do Santos garante que o reserva Vladmir tem a mesma competência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julio Cesar subiu de degrau no início do Campeonato Brasileiro. Acompanhou o desempenho do time, que havia disparado na liderança. Também enfrentava a concorrência de Renan. Só que se tornou irregular nas últimas partidas, assim como o restante da defesa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-xn_Dwj0rtrU/TnJtuRlLKoI/AAAAAAAAA8w/FEqpmmEQzEM/s1600/JLIO_C%257E1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;img border="0" rba="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-xn_Dwj0rtrU/TnJtuRlLKoI/AAAAAAAAA8w/FEqpmmEQzEM/s1600/JLIO_C%257E1.JPG" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A falha no último jogo, na derrota para o Fluminense, não confirma ou ameniza a ideia de que o Corinthians precisa de um profissional de ponta. Os riscos são mais antigos. O titular atual derrapou em confrontos decisivos, como a semifinal contra o Santos, pelo Campeonato Paulista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta a ele ainda a liderança, tanto para organizar a defesa, como para dizer aos atacantes quem manda dentro da grande área. Sem impor a Julio Cesar o peso da comparação, mas Rodolfo Rodriguez – por exemplo – chegou a expulsar centroavantes do seu território, que se transformaram em meias tamanho o pavor do uruguaio, na Vila Belmiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grandes goleiros falham. Engolem frangos vergonhosos. O que os diferencia dos goleiros normais é que escolhem a dedo as partidas em que vão afundar o time. Assim como também decidem com critério cirúrgico quando funcionarão como paredes contra os adversários. Não é o caso, infelizmente, de quem veste a camisa 1 do Corinthians hoje.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-58006587103905342?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/58006587103905342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=58006587103905342' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/58006587103905342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/58006587103905342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/procura-se-uma-parede.html' title='Procura-se uma parede'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-0tEzY8izb8Q/TnJtSF44J4I/AAAAAAAAA8k/SL91UY-A8YU/s72-c/dida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-5511010130140720524</id><published>2011-09-10T19:08:00.000-03:00</published><updated>2011-09-10T19:08:17.979-03:00</updated><title type='text'>O consultório</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Resolvi tomar vergonha na cara e fazer um check-up. O primeiro sintoma é perceber que o caminho da saúde exige paciência. Para verificar as condições reais da máquina gasta, fugi de percepções pessoais que se baseavam em exercícios de auto-engano. E ouvir quem tem algo consistente e especializado a me dizer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para alcançar as palavras de sabedoria (ou de alerta), é necessário esperar. Horas para pegar autorização do plano de saúde. Horas para que o auditor – uma entidade invisível até para médiuns - decida se eu posso fazer o exame que ele julga extra. Horas para ter o sangue transferido para vários tubinhos, por uma moça de branco que acredita estar diante de um homem apavorado. Não adianta deixar claro que agulhas são parte da rotina. A premissa é que, se você não desmaiou, ainda vai desmaiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peregrinação pelo universo dos uniformes brancos termina na sala de espera do consultório. Aguardar para levar uma bronca previsível, por causa do comportamento que desconfio ser desviante por natureza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sala de espera não é exatamente um local animado. Doentes ou em consulta de rotina, todos exalam tédio. A secretária é o abrigo de todas as reclamações, comentários sobre o tempo, o futebol do final de semana, os políticos como seres desprezíveis, a doença do Gianechini. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A doença? Todas as conversas desembocam em enfermidades. O primeiro passo é justificar a presença na ante-sala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Minhas dores na perna não me deixaram dormir no final de semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O tempo mudou! A bronquite atacou de novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não sei exatamente o que tenho. Se não tenho algum problema, vou ter. Por isso, vim aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A etapa seguinte é a troca de experiências. Na verdade, uma corrida para definir quem sofreu mais. Inicialmente coletiva, a conversa reduz o tom e se divide em diversos diálogos. Pequenos duelos em que vence o dono da maior lista de enfermidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exceção fica por conta da estada em UTIs e outras experiências como cânceres, derrames e enfartos. Enumerar tais casos quase garante a vitória por nocaute do adversário. Mas existem os golpes baixos. Apela-se para as internações de parentes e amigos. É o gatilho para tirar o foco da derrota e se manter vivo no ranking dos doentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se esgota a etapa das moléstias, os pacientes viram os holofotes para o médico. De herói à abnegado ou até desorganizado, o médico tem sua vida escarafunchada como se fosse uma celebridade aos olhos e bocas dos fofoqueiros da TV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o momento em que a secretária volta ao enredo no papel de advogada. Cabe a ela explicar o que será visto com desconfiança. Como o médico se atrasou? Como ele tem vida própria e vai viajar no feriadão? Ou, oficialmente, estará em Congresso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa sem futuro ultrapassa os limites quando se rompe a regra de ouro: um paciente é chamado na frente dos outros. A fila informal, repassada por neurose a cada 10 minutos, se reconstrói na união de olhares que deixariam o felizardo em coma. Enquanto é atendido, o paciente é o novo e último assunto. A condição de saúde alheia passa por mais especulações do que pregão da Bolsa de Valores. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Ao sair, o remédio é o silêncio ou boa tarde em voz baixa, para atravessar ileso o corredor polonês. Assim, me libertei temporariamente para enfrentar outro catálogo de doenças: a farmácia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-5511010130140720524?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/5511010130140720524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=5511010130140720524' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/5511010130140720524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/5511010130140720524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/o-consultorio.html' title='O consultório'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-1536949135120104359</id><published>2011-09-09T02:21:00.001-03:00</published><updated>2011-09-09T03:09:40.049-03:00</updated><title type='text'>O dia em que recebi cartão vermelho (e não vi)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Resolvi ser jornalista por causa do futebol. E não me arrependo de ter me afastado dele. Passei 16 anos sem escrever sobre este esporte, parte por me contentar com os papéis de torcedor e de peladeiro de final de semana, parte por não querer me envolver com a previsibilidade que marca a cobertura diária nos clubes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano retrasado, por estímulo de um amigo escritor, comecei a escrever sobre o assunto, coerente com as perspectivas que me estimulam no trabalho jornalístico. Tento – e eventualmente fracasso – olhar para o jogo além da opinião acelerada, quase que confeccionada à beira do campo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo pode ser visto além dos resultados imediatos, da perspectiva pontual que forma ídolos e vilões a cada final de semana. Creio na possibilidade de sentir o futebol com a poesia que o tortura nos detalhes, que o mantém vivo pela gangorra que sustenta personagens paradoxais e, exatamente por isso, tão apaixonantes. &lt;br /&gt;No mundo contaminado pelo excesso de dados, escrever sobre futebol implica, para mim, observar entrelinhas e buscar ângulos que saiam do lugar-comum da informação crua ou do sensacionalismo que impregna o espetáculo. Opinar significa assumir riscos e expor certa dose de paixão consciente, que apimenta o caldeirão de divagações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observar o futebol e pensar sobre ele me abriu, por outro lado, uma porta dolorosa. O futebol me ajudou a compreender como a paixão pode encobrir sentimentos nada nobres. A paixão como doença provoca cegueira e nos deixa sem olfato para sentir a podridão que cerca o esporte. Torcedores se tornam presas fáceis para as sanguessugas e os falsos profetas, que fazem juras eternas de amor, tão fugazes quanto o falso craque que nasce a cada rodada de domingo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão pelo futebol mascara – e aí reside o problema mais grave – a perversidade humana. Torcer por um time está bem distante da intolerância de desejar o extermínio do outro. Como se fosse possível minimizar que parte da história de um clube só se sustenta com a trajetória dos principais rivais. O que seria do Flamengo sem o Fluminense? Do Corinthians sem o Palmeiras? Nada mais angustiante do que esperar e vivenciar as horas que antecedem um clássico, mesmo que a partida valha pouco. Sempre vale muito. Ressuscita ou enterra técnicos e jogadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão cega – mas não tão vendada assim – esconde a violência impregnada naqueles que utilizam o esporte e seus atores para extravasar preconceitos e desejos agressivos. A intolerância conduz ao autoritarismo, que se escora em grupos para promover crueldade, usando como desculpa o amor pelo esporte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Massacrar o outro – seja psicológica ou fisicamente – indica o quanto o futebol serve de válvula de escape para quem não consegue exercitar o nível mínimo de civilidade e traduz a selvageria na surdez diante de uma palavra diferente ou de outro tipo de amor. O diferente traz em si tamanha ofensividade que ele precisa ser extinto, precisa sair da frente, ainda que resulte no vazio da ausência de alguém para se postar como contraponto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intolerância em torno do futebol exige devoção absoluta. Este tipo de gente age de maneira tóxica até quando é enganado descaradamente por dirigentes, jogadores e imprensa. Prefere perpetuar o estelionatário do que questionar o alvo de sua paixão. O fanatismo que conduz ao auto-engano. E ser fanático não significa ser otário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fanatismo também se traduz na impossibilidade de reconhecer méritos no adversário e em elogiar ídolos de outras equipes, que contribuem inclusive para a manutenção da rivalidade, independentemente do resultado. Vencer o ídolo do outro valoriza a vitória assim como reforça a formação dos nossos próprios ícones. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi pensar com serenidade sobre futebol e intolerância porque, recentemente, fui adicionado a um grupo de torcedores do Corinthians, ato de generosidade de um amigo. Ele havia lido textos meus sobre futebol, parte deles sobre o Corinthians, e achou por bem me colocar em contato com outros torcedores. Um dos textos era uma declaração de amor ao clube. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui testemunha de vários casos de jornalistas que criaram mecanismos de mediação em seus blogs por causa da agressividade de torcedores, incapazes de separar a análise da arquibancada. E acabei envolvido em experiência semelhante, embora desconfiasse que aconteceria cedo ou tarde, fato alertado pelo amigo-escritor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro conflito se deu quando questionei o time atual. Foi como ter dilapidado um dogma. Quebrei a imagem de um santo. Enfiei a espada no próprio São Jorge. A ordem é vomitar a euforia pela desqualificação do autor, sem avaliar os argumentos dele, enquanto se encobre as feridas. Mal sabia que me comportava como um herege, passível de julgamento inquisitório. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A confirmação do meu comportamento de blasfêmia se deu quando resolvi escrever sobre Rogério Ceni (veja texto logo abaixo neste blog). Qualquer sujeito de bom senso consegue perceber a importância do goleiro do São Paulo para o futebol brasileiro, seja pela qualidade técnica, seja pela liderança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que soaria como provocação dividir minhas impressões do ídolo alheio com torcedores corintianos, mas tinha a ingênua esperança de que torcedores poderiam ser racionais. O texto provocou reações ofensivas contra o adversário tricolor. Não recebi ataques diretos, mas senti a intolerância silenciosa. Sem aviso, acabei expulso do grupo na rede social. Notei que havia um cartão vermelho diante de mim quando não conseguia mais ver as reações dos “coleguinhas” do Timão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despedida sem solenidade me fez refletir sobre porque misturamos e confundimos a paixão pelo futebol com a violência diante do outro. Minha história, lógico, pouco representa perante as batalhas campais em torno de estádios ou as humilhações contra jogadores que pensam ou agem fora do padrão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futebol, na prática, funciona como catalisador de vários lados que nos marcam. Ele é o que somos (ou desejamos ser). Espelho cultural que, infelizmente, absorve como falso responsável as fraquezas de quem mal consegue olhar para além de si próprio. Quanto mais ouvir quem veste camisas de outras cores. Ou a mesma camisa, mas&amp;nbsp;escolheu olhar para o lado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-1536949135120104359?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/1536949135120104359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=1536949135120104359' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1536949135120104359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1536949135120104359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/o-dia-em-que-recebi-cartao-vermelho-e.html' title='O dia em que recebi cartão vermelho (e não vi)'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-8937045659974950328</id><published>2011-09-08T15:48:00.000-03:00</published><updated>2011-09-08T15:48:32.996-03:00</updated><title type='text'>Os ensinamentos de Rogério Ceni</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os 21 anos de carreira de Rogério Ceni no São Paulo, traduzidos em mil jogos e mais de cem gols, não indicam apenas recordes. Mais do que simplificá-lo em números, o goleiro é um modelo de jogador que, infelizmente, existe como exceção e que, por isso, deve nos servir de referência. É preciso aproveitar o que Ceni representa para entendermos o que se pode aprender com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A lição mais óbvia é a longevidade. Goleiros, pelas características peculiares do cargo, duram mais tempo. Mas a sobrevivência em equipes de ponta é para poucos, inclusive porque a idade reduz a agilidade e os reflexos. Rogério Ceni percebeu as dores do tempo e as trocou por senso de colocação e maior capacidade de organizar a defesa e, assim, se expor menos aos atacantes. Faz menos defesas por jogo, e as torna mais decisivas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-rT_-xJmg43w/TmkNO859d4I/AAAAAAAAA8Y/Ftafi3k4Rks/s1600/rogerio_ceni01.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;img border="0" height="279" src="http://4.bp.blogspot.com/-rT_-xJmg43w/TmkNO859d4I/AAAAAAAAA8Y/Ftafi3k4Rks/s320/rogerio_ceni01.jpg" width="320" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O segundo ensinamento diz respeito ao amor por um clube. Ceni e Marcos, do Palmeiras, são exemplos raros de relação afetiva com uma camisa. A cada temporada, times são desfigurados e recompostos, muitas vezes, por jogadores que beijam distintivos e fazem juras de amor da mesma forma que o fazem por marias chuteiras nas boates. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Rogério Ceni reinventou (e ampliou) o papel dos goleiros. Depois que a Fifa proibiu que o goleiro pegasse com as mãos bolas recuadas por atletas do mesmo time, a falta de habilidade de quem representa o anti-futebol ficou escandalosa. Muitos erros grosseiros passaram a preencher programas esportivos.  Até um passe lateral, para certos colegas de Ceni, parece parto prematuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O goleiro do São Paulo não somente se adaptou à nova função como se transformou em líbero, que o permite reduzir a distância entre ele e os zagueiros, como também ajeitar a defesa e acelerar a saída de bola, sem chutões para frente como se apostasse na loteria.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-nQPYOFKh4sQ/TmkNX6AacMI/AAAAAAAAA8c/ix43dhwWR4A/s1600/rogerioceni.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;img border="0" height="314" src="http://3.bp.blogspot.com/-nQPYOFKh4sQ/TmkNX6AacMI/AAAAAAAAA8c/ix43dhwWR4A/s320/rogerioceni.jpg" width="320" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto técnico é que Rogério Ceni representa o final de uma linhagem de goleiros. Goleiros treinados para segurar a bola e interromper de vez uma jogada adversária. Goleiros com senso apurado de posicionamento, que utilizam outras partes do corpo para executar uma defesa. Ceni e Marcos, por exemplo, estão sendo substituídos por goleiros voadores que vivem de rebatidas e que se esparramam no chão, ainda que a bola esteja na direção deles.  Ou que voam sem necessidade, sabendo que não têm chances de executar a defesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rogério Ceni, assim como outros goleiros de hoje, sabe que vestir a tarja de capitão não tem a função exclusiva de reclamar com o juiz e ter chiliques com os companheiros de time. O goleiro, privilegiado – neste caso – por participar menos do jogo, simboliza o técnico dentro do campo. É um porta-voz, capaz – eventualmente – de alterar o desenho tático de um time, fortalecido pela proximidade e pelo diálogo horizontal com os colegas. É mais efetivo do que muitos treinadores que ficam sem fôlego de tanto berrar à beira do gramado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os desafetos consideram Ceni falastrão. Prefiro vê-lo como bem articulado. São poucos os jogadores, hoje, capazes de romper o pacto previsível da obviedade de perguntas e respostas nas entrevistas. Aqueles que o criticam são muitas vezes os mesmos que se entediam com conversas sem surpresas e declarações insípidas do mundo do futebol. Não é preciso concordar com as palavras dele, mas ao menos teremos certeza de que algo consistente será dito pelo goleiro do São Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capacidade de falar bem nos conduz a outra característica importante do goleiro. Ceni consegue entender, com boa dose de clareza, o contexto do futebol globalizado. A maioria dos colegas de profissão dele é incapaz de descrever o próprio papel no cenário do esporte. Não conhecem o mercado e se tornam presas fáceis para empresários e demais aproveitadores, que estragam carreiras promissoras, com escolhas profissionais ruins, em troca das comissões de compra e venda de atletas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jPPWmgC1fwQ/TmkNgJxEggI/AAAAAAAAA8g/Y16G9oUbP48/s1600/rogerio-ceni.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-jPPWmgC1fwQ/TmkNgJxEggI/AAAAAAAAA8g/Y16G9oUbP48/s1600/rogerio-ceni.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A compreensão do universo do futebol inclui também dispensar as falsas premissas do show business. O goleiro se esquiva da rotina de muitos jogadores-celebridades, pois tem consciência de que as tentações são proporcionais aos pecados. Neymar, por exemplo, personifica o jogador cuja vida é um reality show. Ceni nos ensina como ser atleta de ponta e preservar a privacidade pessoal e de seus familiares. Lição dada pelo seu antecessor, o ex-goleiro Zetti.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Associar Rogério Ceni a um excelente cobrador de faltas é reduzi-lo como profissional de futebol e, inclusive, desqualificá-lo tecnicamente como goleiro. Enxergá-lo como goleiro de excelente nível é um elogio, mas insuficiente como senso de justiça.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Rogério Ceni é fora de série porque, além da capacidade técnica, colaborou para colocar os goleiros em outro patamar, que engloba novas prerrogativas e exige que sejam um tipo de jogador mais participativo e influente dentro e fora do jogo em si. Por isso, me esforço para esquecer as estatísticas e admirá-lo como um novo goleiro; pena que mais próximo da extinção do que da clonagem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-8937045659974950328?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/8937045659974950328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=8937045659974950328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8937045659974950328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8937045659974950328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/os-ensinamentos-de-rogerio-ceni.html' title='Os ensinamentos de Rogério Ceni'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-rT_-xJmg43w/TmkNO859d4I/AAAAAAAAA8Y/Ftafi3k4Rks/s72-c/rogerio_ceni01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-2467145832577255826</id><published>2011-09-08T12:49:00.000-03:00</published><updated>2011-09-08T12:49:38.708-03:00</updated><title type='text'>Bonitas e gostosas</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;Por Luciana Sampaio e Rochelly Diniz*&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que leva a mulher a andar a  poucos milímetros de chão?  Percebe-se a ousadia de inúmeras moças em escala mundial, das mais velhas às cada vez mais novas, das patricinhas às “piriguetes”. Desfilam em sua maioria com modelos, cores e, principalmente, marcas diferentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sandalinhas infantis da Barbie já vêm com saltinho. Modesto, vamos admitir, mas ainda assim presente. Teria necessidade uma menina que mal aprendeu a andar ter que de equilibrar sobre um minicubano rosa de plástico? Além da enorme variedade de marcas, sendo os carros-chefe as francesas e italianas Louis Vuitton, Prada, Dior, Gucci, Christian  Louboutin e seus solados vermelhos, a altura está cada vez maior. Já se pode comparar às bailarinas nas pontas de suas sapatilhas, só que com Luis ou Stiletto 12, 15. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto retrata uma crítica à indústria? Ou critica as grandes marcas? Estas que influenciam a grande massa ao consumo exacerbado a cada mudança de estação? Ou talvez um julgamento maior à moda mundial que dita coleções, tendências e as cores da tabela Pantone Inc. as quais só as “madames” de classe AA+ acompanham direta e rigorosamente as vitrines da Oscar Freire? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Só queremos falar mesmo sobre essa obsessão feminina que acompanha a história desde o antigo Egito. O poder transpassa à mulher, mexendo com a nossa vaidade, nos deixando mais sexies ou assim os homens nos fazem acreditar. Revira também a cabeça destes seres de Marte, já que sexo está ligado ao salto alto e acompanhado de uma cinta liga nas mais íntimas fantasias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, relacionamos à complexidade da mente feminina à nossa própria altura. Se somos baixas, queremos ter uns centímetros a mais que podem facilmente ser resolvidos com um par de Anabelas. Se somos altas, por que não um pouco mais de “poder”? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim das contas, o que o queremos mesmo é estar nas alturas e dizer: “Eu sei que eu sou bonita e gostosa, e sei que você me olha e me quer...”&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;* Texto produzido na Oficina de Crônica, na disciplina Leitura e Produção de Textos, do curso de Produção Multimídia (UNISANTA)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-2467145832577255826?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/2467145832577255826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=2467145832577255826' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2467145832577255826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2467145832577255826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/bonitas-e-gostosas.html' title='Bonitas e gostosas'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-8304228234606549205</id><published>2011-09-06T13:30:00.000-03:00</published><updated>2011-09-06T13:30:53.102-03:00</updated><title type='text'>Ser ou não ser de ninguém ...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Por Camila Ortiz*&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudade de uma época quando o amor não era apenas palavras e a conquista era a magia da sedução. Como saber se hoje esse sentimento tão puro não está se perdendo nos olhares das pessoas? Uma questão ainda a se resolver, pois – a cada dia - a ilusão desse sentimento vem crescendo pouco a pouco e o tornando cada vez mais raro entre homens e mulheres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez Renato Russo disse com sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente, assino embaixo. Os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias. Na hora de cantar, todo mundo enche o peito nas boates e gandaias, levanta os braços, sorri e dispara: “… eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, passado o efeito da manguaça com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração tribalista se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Beijar na boca é bom? Claro que é! Se manter sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, de que toda ação tem uma reação? Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora já saibam namorar, os tribalistas não namoram. “Ficar” também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é “namorix”. A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu; afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim, como só deseja a cereja do bolo tribal, enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas, e a troca de cumplicidade, carinho e amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer boa noite, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já dizia o poeta que amar se aprende amando. Assim, podemos aprender a amar nos relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É arriscar, pagar para ver e correr atrás da tão sonhada felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins. Ser de todo mundo, não ser de ninguém, é o mesmo que não ter ninguém também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo – beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja, é preciso comer o bolo todo e, nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;* Texto produzido na Oficina de Crônica, na disciplina Leitura e Produção de Textos, no curso de Produção Mutimídia (UNISANTA)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-8304228234606549205?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/8304228234606549205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=8304228234606549205' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8304228234606549205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8304228234606549205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/ser-ou-nao-ser-de-ninguem.html' title='Ser ou não ser de ninguém ...'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-9144436187595696889</id><published>2011-09-03T11:13:00.001-03:00</published><updated>2011-09-03T11:17:02.599-03:00</updated><title type='text'>Frases de banheiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Por Guilherme Nascimento* &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;As frases de porta de banheiro são mais um dos muitos frutos do tédio humano, assim como os rabiscos de caderno. Ou os programas televisivos de domingo. O fato é que, assim como eles, as frases de banheiro — chamadas de agora em diante para fins de agradabilidade visual e por preguiça do autor — possuem várias características em comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro ponto é a própria origem. Se alguém dedicou o tempo a marcar uma porta com estilete ou corretivo líquido, uma das duas hipóteses é certa: esse alguém tem pouco o que fazer fora do banheiro ou muito o que fazer dentro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo ponto é que as frases de banheiro se enquadram em um grupo limitado de temas. Uma boa parte das mensagens trata de atributos físicos ou psicológicos do autor ou de alguma outra pessoa, geralmente mulher. Às vezes, são fornecidos meios de contato. Em outras, é determinado data e horário para um possível encontro com o leitor. Mas existe uma pequena parcela de autores que prefere deixar uma mensagem curta dizendo o que foi feito no banheiro para que tal autor tivesse tempo de deixar a mensagem. É desnecessário dizer que a única ação excluída do relato é própria inscrição da mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, e não menos importante, as frases de banheiro não precisam seguir regras de correção. É até mais característico que não sigam. Um “s” pode ser trocado por “z”, um dígrafo pode perder uma letra considerada desnecessária. Aliás, hoje mesmo vi um Manji, símbolo oriental de boa sorte, desenhado numa porta. Provavelmente, foi feito por alguém que queria desenhar uma suástica e fez ao contrário por engano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, faço parte do grupo que não tem muito o que fazer no mundo exterior. Só queria deixar isso claro antes de encerrar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;* Texto produzido na Oficina de Crônica, na disciplina Leitura e Produção de Textos, no curso de Produção Multimídia (UNISANTA). &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-9144436187595696889?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/9144436187595696889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=9144436187595696889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/9144436187595696889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/9144436187595696889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/frases-de-banheiro.html' title='Frases de banheiro'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-7621567450737708189</id><published>2011-09-02T20:34:00.000-03:00</published><updated>2011-09-02T20:34:13.037-03:00</updated><title type='text'>A morte do abacateiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Culpei, de início, o mau tempo. Dias chuvosos costumam mantê-las em casa. Mas elas também estavam ausentes quando o sol castigava. Pensei que o silêncio fosse conseqüência dos dias de escola, com agenda digna dos executivos. Mas o vazio persistia no final de semana, quando as crianças deveriam correr por ali, na avenida Pedro Lessa, em Santos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças desapareceram. O sumiço se deu por conta do ponto de encontro, maculado pelos adultos. Adultos armados de moto-serras e jalecos de serviço público. O abacateiro, referência para brincadeiras como esconde-esconde, de casa para a escola imaginária e de porto seguro para a volta das viagens fantásticas, morreu. De morte simbólica. De vida podada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A árvore, tão antiga quanto às casas da quadra, resolveu interferir no desmando dos homens. Seus braços, articulados na desordem milimétrica da natureza, insistiam em tocar a rede de energia elétrica. A solução previsível foi a amputação. Até o toco. Até se tornar impossível para as escaladas infantis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi sobre o abacateiro neste espaço há seis meses. A árvore havia transformado a rotina de uma dezena de crianças, acostumadas à prisão domiciliar e à inércia permanente dos jogos eletrônicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberdade, tão ilusória quanto permanente, parecia um indulto de Carnaval. As crianças exalavam infância, enquanto suas roupas encardidas de terra e poeira serviam de termômetro para o dia de exaustão voluntária. A queixa de muitas mães vinha acompanhada de um sorriso quando seus filhos desmaiavam mais cedo, sem interrupções, sem enrolações para embarcar no sono. A árvore carregava, de certa forma, a culpa por mudar aquela caminhada metódica de férias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o abacateiro se tornou mais um espécime na multidão verde, em fila na avenida. Sem braços, a árvore não gera a apreensão de quem precisa abrir mão de seu filho para o mundo, ainda que seja na porta de casa, à beira do asfalto. Ficou mais fácil justificar as chaves, as trancas, as grades, o medo do desconhecido, que anda travestido de segurança e precaução. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O abacateiro foi assassinado. Simbolicamente. Perdeu seu papel no enredo daquelas crianças, incapazes de perceber que suas vidas foram sacudidas com tão pouco. Infelizmente, a ingenuidade as fez improvisar suas brincadeiras em garagens, atrás de portões, cercadas por quatro paredes. Não se protesta, nessa idade, por batalhas perdidas. Muda-se a zona de combate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A turma se dividiu. Cada prédio com sua gangue, reduzida a quase exércitos de um menino só. Muitas crianças se distanciaram e, quando se encontram, ficam tomadas pela vergonha como se estivessem diante de quem acabam de conhecer. O muito prazer do sorriso acanhado, que apagou os apelidos, as histórias e os personagens dentro de um script não-escrito e aberto às sugestões de qualquer um. E com uma árvore de cenário único!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte do abacateiro retirou da avenida o improvável. Entregou de volta à Pedro Lessa o cotidiano de via comercial, onde a velocidade cai ao ponto morto depois das 18 horas. As crianças desapareceram. O barulho de pés em movimento, os gritos que permeiam as aventuras sumiram. O som é exclusivo dos carros de passagem. Como exceção, as gargalhadas embriagadas diante dos dominós que sacodem o tabuleiro, em frente ao boteco na outra calçada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O abacateiro permanece como testemunha, refém da própria inércia do mundo moderno. Ele sabe que, com algum esforço, as crianças podem ser encontradas. Basta que a árvore se lembre da infância, outra vez encarcerada em um pavilhão de brinquedos que ditam brincadeiras, e não o contrário.&lt;/span&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-7621567450737708189?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/7621567450737708189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=7621567450737708189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/7621567450737708189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/7621567450737708189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/morte-do-abacateiro.html' title='A morte do abacateiro'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-1650344198580443073</id><published>2011-09-01T18:31:00.000-03:00</published><updated>2011-09-01T18:31:18.173-03:00</updated><title type='text'>Juninho, o discreto</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Ao ligar a TV no último domingo, esperava assistir ao clássico entre Palmeiras e Corinthians. Partida em Presidente Prudente, critério perfeito para a transmissão. De saída, me senti lesado ao ver imagens do Rio de Janeiro, do clássico entre Flamengo e Vasco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entediado, optei por continuar com a TV ligada. Daquele jogo, poderia sair alguma jogada diferenciada. Mais fruto da memória do futebol carioca como jogo cadenciado e artístico do que confiança no nível atual do campeonato brasileiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partida terminou 0 a 0, o técnico Ricardo Gomes acabou internado, mas a cereja do bolo foi acompanhar Juninho Pernambucano em campo. Sempre tive admiração pelo meia, hoje com 36 anos. Jeito clássico de atuar, ele desfila de cabeça erguida, com consciência de que o campo possui atalhos anti-correria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juninho é um atleta sério, com elevado profissionalismo, exceção em tempos de crianças mimadas com agendas de estrelas do rock, seres mais próximos da imortalidade. Mesmo longe da Europa, Juninho carrega o cetro real na França. Sete vezes campeão francês, foi um dos responsáveis por colocar o Lyon no mapa das competições européias, o que contrastava com a entressafra na seleção francesa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-nIQ-Te_yTwg/Tl_5EiX-meI/AAAAAAAAA8M/9STbYhEp3-E/s1600/juninhopernambucano.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-nIQ-Te_yTwg/Tl_5EiX-meI/AAAAAAAAA8M/9STbYhEp3-E/s320/juninhopernambucano.jpg" width="320" xaa="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao retornar o Brasil, o jogador ganhou mais créditos quando aceitou jogar pelo time do coração, o Vasco, pelo salário de R$ 600. Um pouco mais do que um salário mínimo. Juninho queria provar que, aos 36, poderia jogar no mesmo nível dos demais colegas de clube, sem privilégios ou exibições esporádicas para a torcida e imprensa. E sem lesar os cofres alheios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juninho poderia servir de exemplo para outros tipos de monarcas ou jogadores “fabulosos”, que voltam ao Brasil em péssimas condições físicas ou machucados e sangram as finanças dos clubes de São Paulo sem entrar em campo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo rico pelos anos na Europa, o meia do Vasco merecia aumento de vencimentos. O jogador era o único capaz de mudar os semblantes da defesa e do goleiro do Flamengo. Colocava medo no adversário. Juninho é o melhor batedor de faltas do país, superior – inclusive – ao volante Marcos Assunção (Palmeiras) e ao goleiro Rogério Ceni. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No clássico contra o Flamengo, Juninho teve três chances. Ficava nítida a preocupação excessiva dos homens da barreira. O goleiro Felipe tentava armar a proteção de modo diferente, com mais gente e com maior abertura além da trave-base. Na primeira cobrança, a bola passou a centímetros do gol. Felipe se manteve imóvel. Tirou a bola com os olhos, como diz o clichê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-eGq3iVvNATE/Tl_5OnekuOI/AAAAAAAAA8Q/7HIF_Zyhsyg/s1600/n_juninho_pernambucano_juninho_pernambucano-3296755.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="238" src="http://2.bp.blogspot.com/-eGq3iVvNATE/Tl_5OnekuOI/AAAAAAAAA8Q/7HIF_Zyhsyg/s320/n_juninho_pernambucano_juninho_pernambucano-3296755.jpg" width="320" xaa="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na segunda tentativa, a bola atingiu a trave direita do goleiro, que saltou para a fotografia. A última, assim como a primeira cobrança, também foi para fora. O fato é que, em todas as situações, o gol do Vasco nunca esteve tão perto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria injusto afirmar que o meia do Vasco se limita a bater faltas. Sequer justificaria este texto. As três cabeçadas defendidas por Felipe partiram de escanteios batidos por Juninho. O efeito faz com que a bola saia da pequena área, o que deixa os zagueiros adversários de costas para os atacantes e o goleiro impossibilitado de cortar o cruzamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de transformar cada bola parada em apreensão para o Flamengo, Juninho reinava entre as duas intermediárias. Todas as jogadas do Vasco passam por ele. Muitas vezes, ele buscava a bola perto da grande área de defesa para ditar o ritmo da equipe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juninho jogou por 80 minutos. E correu como um garoto com a metade da idade. Não possui, evidentemente, a velocidade de antes, mas cresceu em precisão (erra poucos passes) e verticalidade. Raramente partem dele toques laterais, prática tão disseminada entre os meio-campistas brasileiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma pena que o meia esteja em vias da aposentadoria. Deve jogar, no máximo, mais uma temporada. Juninho foi uma daqueles jogadores injustiçados na seleção brasileira. Participou apenas de uma Copa do Mundo, como reserva. Caladão, discreto, nunca integrou as turminhas de carteado ou soltou fogos de artifício para jornalistas puxa-sacos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-3EQ795zK9QA/Tl_5Y1uGp8I/AAAAAAAAA8U/DVL4Qt_OVSQ/s1600/juninho_pe.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-3EQ795zK9QA/Tl_5Y1uGp8I/AAAAAAAAA8U/DVL4Qt_OVSQ/s1600/juninho_pe.jpg" xaa="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Com o império da visibilidade empresarial, em que jogadores “ucranianos” de segunda linha – por exemplo - freqüentam as listas de convocações, Juninho Pernambucano bem que poderia ter tido mais oportunidades na seleção brasileira. Bastava que técnicos convocassem por critérios técnicos, sem pensar em vitrine nos principais centros da Europa. Ou se abandonassem a obsessão por volantes que apenas destroem as jogadas e mal sabem o que fazer quando a bola queima em seus pés. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juninho Pernambucano, Alex e tantos outros serão lembrados e idolatrados por torcedores específicos de clubes. Ao olhar para o futebol carioca, o tédio é imediatamente substituído pela admiração. Admiração que precisa sufocar o lamento de quem terei poucas oportunidades de testemunhar o meia do Vasco ensinar como se arma um time; mais do que isso, como se joga futebol sem robotização ou força bruta.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-1650344198580443073?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/1650344198580443073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=1650344198580443073' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1650344198580443073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1650344198580443073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/09/juninho-o-discreto.html' title='Juninho, o discreto'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-nIQ-Te_yTwg/Tl_5EiX-meI/AAAAAAAAA8M/9STbYhEp3-E/s72-c/juninhopernambucano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-568038541616559392</id><published>2011-08-31T01:11:00.000-03:00</published><updated>2011-08-31T01:11:00.951-03:00</updated><title type='text'>Qual curso você veste?</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;Por Melody Bruni e Raquel Santos*&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você pensa quando escolhe a roupa que vai para a Universidade? Admito que penso em algo bonito, mas que também seja confortável. Afinal, muitas vezes você vai ficar horas ouvindo os professores falarem e falarem. É claro que eu pensava que a maioria das pessoas também fazia isso, mas comecei a perceber a diferença como cada uma se comporta e se veste. Cheguei à conclusão de que há vários tipos na Universidade. Pode até ser estereótipo, mas sempre haverá do mais arrumadinho até os mais estranhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, as meninas de moda, aquelas que você sempre reconhece primeiro. São na maioria das vezes as mais ousadas. Não ousadas no estilo Geisy de ser, mas ousadas porque sabem o que devem usar e aproveitam isso ao máximo. Abusam das tendências e sabem chamar atenção, mesmo que estejam completamente vestidas da cabeça aos pés. Com certeza, se destacam no meio da multidão, mas pelos motivos certos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens em geral costumam se comportar sempre da mesma maneira, não importa o curso que façam. É claro que sempre tem aquele sem noção que vai todo largado e parece que saiu da cama direto para a aula. Mas na maioria das vezes eles seguem um padrão básico de camiseta, calça jeans, bermuda e, dependendo do tempo, um casaco. O que não consigo entender é o que leva alguns a viverem de bermuda o tempo todo, não importa o frio que esteja fazendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas apesar de tudo existem exceções nos homens também. Há sempre aqueles super modernos, que gostam de coisas diferentes e que sabem seguir a moda e criar o seu próprio estilo. É claro que esse tipo, na maioria das vezes, é tachado de gay, mas isso já é outra história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Educação Física? Afinal quando se tem que usar o uniforme, não há muita coisa que se possa fazer para se destacar. Porque é obvio que você reconhece facilmente alguém que faça parte desse grupo. Agora outro tipo que pode ser facilmente reconhecido assim como os de Educação Física são os que vamos chamar carinhosamente de os branquinhos, sim as pessoas de Fisioterapia, Odontologia, Biologia, Medicina. Esses costumam estar sempre com calça jeans e camiseta, mas sempre de branco, é claro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que agora é a hora, talvez o meu grupo favorito. Sabe aquelas pessoas que acham que sabem tudo de moda, mas não sabem nada? Sim, chegou a hora das exageradas. Acho incrível como elas se vestem. Sempre tem aquela garota que chega à faculdade, sábado de manhã, com um salto de quase 20 centímetros. Ela nem consegue andar direito, e toda trabalhada no rosa, e quando eu digo TODA trabalhada, é aquela que resolveu combinar desde a presilha de cabelo até o sapato, sim essas garotas existem... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na maioria das vezes a categoria dos exagerados é composta por 99% de mulheres, mas sempre tem aquele ser que acha que só porque ele é moderno pode sair por aí misturando xadrez com bolinha e onça. Também não devemos esquecer as maquiagens espalhafatosas de algumas pessoas; sim, adoro maquiagem, mas será mesmo necessário fazer uma digna de casamento só para assistir duas aulas por dia? É, adoro os exagerados pelo fato de renderem boas risadas, mas o que eles precisam mesmo é só de um pouco de noção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sinto que posso ser um pouco puxa-saco; afinal, esse é o meu grupo de pessoas. São os nerds, mas não exatamente os nerds que você está acostumado. São os de Produção Multimídia. Se fossemos uma banda, seriamos o Restart; NÃO, não somos irritantes, mas assim como o Restart usa várias cores, nós fazemos várias coisas diferentes e isso acaba refletindo na forma como nos vestimos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil notar que nos tipos de Produção Multimídia há vários outros tipos. Tem os nerds de verdade que, na maioria das vezes, só precisam de uma bermuda e uma camiseta que já está suficiente; há as arrumadinhas, mas que não chegam perto de ser uma menina de moda, mas também não são exageradas. Há os esportistas, aqueles que colocam uma camiseta de time e resolvem toda a situação; há os bem simples, camiseta e calça jeans é seu uniforme; tem o estiloso que, às vezes, escorrega; tem o que está sempre com o mesmo tipo de camiseta e como em todo lugar tem aquele que pega a primeira coisa que vem na mão quando abre o armário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, mesmo com toda essa diferença, acho que concordamos em uma coisa quando se diz respeito à roupa — não ligamos para o que os outros pensam. Somos diferentes. Não estranhos, diferentes.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;* Texto produzido na Oficina de Crônica, na disciplina Leitura e Produção de Textos, no curso de Produção Multimídia (UNISANTA)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-568038541616559392?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/568038541616559392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=568038541616559392' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/568038541616559392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/568038541616559392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/qual-curso-voce-veste.html' title='Qual curso você veste?'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-96099048736835047</id><published>2011-08-31T01:01:00.000-03:00</published><updated>2011-08-31T01:01:06.001-03:00</updated><title type='text'>Sobe? Desce?</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;Por Priscila Lerne e Keila Santana*&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essas meninas acham que só porque pagam a faculdade pode me tratar assim”, foi o que escutamos de uma ascensorista. Estávamos colando um trabalho na porta do elevador no térreo, enquanto o outro grupo colava no elevador do lado, mas no quinto andar. Como não podia parar os dois elevadores, a ascensorista nos pediu para esperá-los terminar; assim, o elevador que eles usavam voltaria a funcionar e o que nós usávamos pararia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Foi então que a ascensorista se ofereceu para ir até o quinto andar e pedir para o outro grupo avisar quando terminassem. De volta ao térreo, a ascensorista fez o desabafo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Diante disso, começamos a observar como os “tiozinhos do elevador” (chamados assim por muitos universitários) são tratados diariamente no local de trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Poucas são as pessoas que dizem “boa noite”, “obrigado”, e algumas nem se prestam a dizer o número do andar. Os tratam como “homens e mulheres invisíveis”, como se na mensalidade já estivesse incluso o “serviço”. E quando o ascensorista faz alguma brincadeira, eles riem, como se o funcionário não tivesse o direito de falar com eles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  São pessoas medíocres, egocêntricas e ignorantes, que acham que o dinheiro vale mais que um simples “obrigado”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Durante a confusão, nossa única solução foi: uma de nós ficaria no elevador, se passando por ascensorista por um dia, enquanto as outras colavam o trabalho. Nessa história de ascensorista por um dia, pudemos não apenas observar como as pessoas os tratam, mas sentir o que eles sentem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Vale a frase de Karl Kraus: “Os alunos comem o que os professores digerem”. Assim como os pais são os exemplos para os filhos, os professores são os exemplos para os alunos, e muitos professores, ao entrarem no elevador, além de me ignorar, foram rudes ao saberem que o elevador não podia descer para o térreo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Podemos dizer, não apenas como observadoras, que – além  do fato de sermos ignoradas, lamentamos ver “caras feias” por terem que descer um andar de escada.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;* Texto produzido na Oficina de Crônica, na disciplina Leitura e Produção de Textos, no curso de Produção Multimídia (UNISANTA)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-96099048736835047?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/96099048736835047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=96099048736835047' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/96099048736835047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/96099048736835047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/sobe-desce.html' title='Sobe? Desce?'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-8018993399113886926</id><published>2011-08-30T00:59:00.000-03:00</published><updated>2011-08-30T00:59:32.498-03:00</updated><title type='text'>O descanso do carnavalesco</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Marzo era um sujeito sofisticado. Um homem classudo, como dizia a minha avó. Mesmo de camiseta, bermuda e chinelos, quando ia na padaria, o andar era tão apressado quanto elegante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Quando o conheci, há 25 anos, Marzo tinha um único vício. Vício que paralisava a vida dele por uma semana, todos os anos. Corrigindo: vício que o alimentava de vida e exigia uma viagem para o Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marzo amava o Carnaval. E se orgulhava do fanatismo pelos bailes de gala e concursos de fantasias. Tinha olho clínico que, nos detalhes, separava o glamour da cafonice. Ele passava meses em preparação. Da escolha do tema ao figurino. Da viagem cuidadosamente pensada à dinâmica do desfile. Um ano em uma noite. No salão, Marzo encontrava a si mesmo, aristocrático sem ser esnobe, nobre com sensibilidade sacerdotal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca nos encontramos com grande freqüência. Os esbarrões eram ocasionais, em eventos da família dele. Marzo representava o papel de tio de três grandes amigos meus. Sempre os ajudou quando as necessidades financeiras se fizeram presentes. Sempre os auxiliou em seus projetos pessoais, ainda que fossem conflitantes com seus princípios. Abriu o caixa quando vislumbrava reforçar ou realizar sonhos de seus sobrinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo não o deixou menos calado. Falava pelos cotovelos. Perguntas se misturavam com queixas. Histórias cotidianas se alternavam com aquelas reclamações engraçadas de velho. Velho e maduro o suficiente para fazer piada de suas manias. Qualquer assunto na TV, mesmo que observado de forma atravessada, servia de comentários e opiniões formadas com convicção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os problemas de saúde o debilitaram pouco a pouco. Teimoso em ajudar aos outros, Marzo cometeu o pecado da auto-confiança. Talvez fosse medo de estar diante dos males que o invadiam. Mas nunca deixou que doenças o vencessem de goleada. O jogo era apertado, cada pedaço de território disputado no tapa. Recusava-se a ficar de cama. Imagina se deixaria de ir ao banco ou cumprir outras obrigações do cotidiano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornou-se rotineiro para mim vê-lo caminhar com pressa pelas ruas do  Boqueirão, em Santos. Com a visão frágil, Marzo não me reconhecia à distância. Ainda assim, me cumprimentava com entusiasmo, como se fosse um amigo de longa data. Bastava que eu levantasse a mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última vez que o encontrei, percebi como a saúde dele fraquejava. Foi há dois anos, em um dia de semana qualquer, no meio da tarde. Saía da casa de um dos sobrinhos dele, Marcelo. Deixamos o elevador e atravessamos o hall de entrada do bloco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na porta de vidro, que dá acesso ao pátio, Marzo apareceu de surpresa. Parecia atrasado, e com todo o tempo do mundo, como de hábito. Falava de maneira acelerada, característica herdada pelo sobrinho mais velho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marzo o reconheceu. Depois, olhou para mim e perguntou ao sobrinho: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Marcelo, este é o rapaz do plano de saúde? Estou esperando por ele. Você está atrasado, rapaz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tio, esse é o Marcus. Você não se lembra dele? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconcertado, mas sem perder a pose, Marzo retomou a dianteira no diálogo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Claro! Oi, Marcus, como você está? Você está mais magro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marzo era assim. Elegante nas palavras, mesmo que elas exigissem uma mentira cordial, capaz de conquistar o interlocutor e redirecionar o rumo da prosa. Educado no trato diário, mesmo que fizesse uma ligeira confusão entre um amigo da família e um prestador de serviços anônimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embriagados pela velocidade do cotidiano e pela ilusão da produtividade, nos afastamos de pessoas interessantes. Foi o que aconteceu comigo. Não o vi mais. As notícias que me chegavam dele pecavam pelo atraso e não dimensionavam os problemas de saúde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não soube que estava hospitalizado. No último final de semana, pude me despedir dele. Conversamos em silêncio, por cerca de um minuto. Ele me garantiu que estava em paz. Que descansava com serenidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sobrinho mais novo, Frederico, definiu com sensibilidade a cerimônia de cremação, em meio aos acordes de piano e a meia luz que cobria o auditório. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O tio se despediu com a classe de sempre.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Dali em diante, somente o silêncio devotado para agradecer aos homens incomuns.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-8018993399113886926?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/8018993399113886926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=8018993399113886926' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8018993399113886926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8018993399113886926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/o-descanso-do-carnavalesco.html' title='O descanso do carnavalesco'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-158380802424150054</id><published>2011-08-28T10:11:00.000-03:00</published><updated>2011-08-28T10:11:41.249-03:00</updated><title type='text'>Na ponta dos pés</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;   &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;   &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt;  &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable	{mso-style-name:"Tabela normal";	mso-tstyle-rowband-size:0;	mso-tstyle-colband-size:0;	mso-style-noshow:yes;	mso-style-parent:"";	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;	mso-para-margin:0cm;	mso-para-margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:10.0pt;	font-family:"Times New Roman";	mso-ansi-language:#0400;	mso-fareast-language:#0400;	mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Por Karina Serqueira*&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passar pelas ruas com o meu coque e trajes de balé sempre deparo com alguma garotinha que olha para mim encantada e diz à mãe: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É uma bailarina? Mãe, quero fazer balé!                                          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que na infância nunca tive esse sonho. Sonhava em ser fada, apresentadora de programa de auditório, cientista e mil outras coisas, mas nunca bailarina. Costumava implorar à minha mãe para fazer ginástica olímpica, queria fazer acrobacias, mas minha mãe queria balé. Sem entrarmos em consenso, fui para a natação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, quase não reconheço aquela menina de antes, que torcia o nariz ao ouvir a palavra balé e agora torce o pé, mas não desce da sapatilha de ponta. Ser bailarina é ser masoquista, e qualquer bailarina que ama o que faz concorda sinceramente com esse fato. Balé é força e graciosidade. Por trás da coreografia linda, existe muito treino, meses ou anos de preparação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo do balé é cruel. Você não o escolhe. Ele escolhe você e exige coisas quase impossíveis. É por isso que todo ano uma legião de garotinhas entra no balé, mas poucas resistem aos nove anos de curso. O treino é pesado, algumas dão sorte de nascer com um super alongamento ou com o pé perfeito, mas ainda assim para o balé não é suficiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O balé é perfeição. E perfeição, na verdade, não existe. Ser bailarina é viver em busca da perfeição, fazer passos que exigem e fazer o espectador acreditar que o que você faz é muito simples. É por isso que toda a bailarina sempre tem de lidar com o chato que vem falar que balé não é esporte, não é exercício. É só ir lá e ficar na ponta dos pés, bonitinha. Nessas horas, você se segura e simplesmente manda o infeliz ir fazer uma aula para ver como é. Você acaba rindo sozinha ao imaginá-lo tentar fazer tudo o que você treina há anos e, mesmo assim, ainda não domina com perfeição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balé é para quem ama. Só o amor explica as incontáveis horas de aulas, treinos e ensaios. Só o amor explica passar noites com gelo no pé, no joelho e em tudo mais só para estar bem e continuar a treinar. Só uma bailarina de coração entende o que é tomar aquele tombo, ficar agoniada semanas afastada com gesso e depois voltar e dançar como se nunca tivesse caído. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo o que faço. Por isso, mesmo sem o alongamento perfeito, sem a perna certa e outros requisitos que o balé exige, insisto. Continuo a dançar, a me superar. Finalmente, estou colhendo os frutos de nove anos de esforço. Não existe sensação melhor — depois da apresentação em que deu tudo de si ou o exame para passar de ano — do que o momento em que a jurada diz o quanto você foi bem, o quanto cresceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que continuarei na ponta dos pés, até quando eles me permitirem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;* Texto produzido para a Oficina de Crônicas, na disciplina Leitura e Produção de Textos, do curso de Produção Multimídia (UNISANTA)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-158380802424150054?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/158380802424150054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=158380802424150054' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/158380802424150054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/158380802424150054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/na-ponta-dos-pes.html' title='Na ponta dos pés'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-2391271428725275762</id><published>2011-08-27T14:30:00.000-03:00</published><updated>2011-08-27T14:30:58.771-03:00</updated><title type='text'>Tarados a bordo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Por Michele Quevedo e Michele Vila Nova*&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andar de ônibus. É algo que todo mundo faz ou pelo menos já fez um dia. Por falar nisso, tenho reparado nas atitudes de alguns homens dentro do ônibus. Eles parecem estar numa seca tão grande, que é só ver uma garota bonitinha que a safadeza começa. Desde os jovens até os sem dentes. Para ser tarado, não há idade. Tem aquele que senta ao teu lado e não tem a menor noção de espaço, ou finge não ter, insistindo em roçar a perna de um jeito que, se o ônibus balançar mais um pouco, o cara senta em cima de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente, tenho reparado nos motoristas. Que eu saiba, eles estão ali para dirigir. Outro dia peguei um ônibus que, por sinal, era o errado. Logo quando subi, o motorista começou a me regular e falou uma graça, que não entendi. E se já não bastasse ficava olhando pelo retrovisor. Percebi que com toda a mulher que entrava, ele fazia a mesma coisa. Enfim, quando dei sinal, ele perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Você vai virar nesta rua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi que sim, e ele, com a maior cara de pau, abriu a porta, mesmo estando longe do ponto. Bem, eu desci, pois facilitou para mim. Mas fiquei indignada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Motorista pode ser calado ou falante. O calado constrange a garota de tanto observá-la pelo retrovisor. O falante provoca náuseas só com as barbaridades que diz. E por falar em náuseas, os passageiros idosos não podem ficar de fora. Estes adoram puxar conversa como se fossem bons velhinhos, fazendo papel de vovô. De repente, põem a língua de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando o ônibus está lotado? Aí a oportunidade é única para querer se esfregar nos glúteos da garota. Na hora da curva, fingir desequilíbrio e cair em cima dela, ou então ficar fungando no cangote. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que os homens tarados jamais serão extintos, é preciso arranjar meios para sair dessas situações. Levar uma agulha na bolsa é uma boa sugestão. Na hora do encoxamento, é o momento certo para acertar uma boa agulhada no infeliz. Gritar também é uma opção. Não simplesmente gritar, mas fazer com que o ônibus inteiro saiba o que ele está fazendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;* &lt;strong&gt;Texto produzido para a Oficina de Crônica, na disciplina Leitura e Produção e Textos, do curso de Produção Multimídia (UNISANTA)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-2391271428725275762?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/2391271428725275762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=2391271428725275762' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2391271428725275762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2391271428725275762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/tarados-bordo.html' title='Tarados a bordo'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-2179615609764622161</id><published>2011-08-26T01:12:00.000-03:00</published><updated>2011-08-26T01:12:43.631-03:00</updated><title type='text'>Os meninos que viraram árvores</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-gBm_SbDiTJk/TlcbygTh4eI/AAAAAAAAA8I/38EO2eK5FM8/s1600/MENINOSARVORES.jpg"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-gBm_SbDiTJk/TlcbygTh4eI/AAAAAAAAA8I/38EO2eK5FM8/s320/MENINOSARVORES.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O armazém na esquina das ruas Emilio Ribas e Campos Melo é uma carcaça sem vida. Escurecido pela corrosão do tempo e pela omissão do homem, o prédio em ruínas contrasta com duas árvores que insistem em colorir aquele pedaço da Vila Mathias, em Santos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ipê e a amoreira estão a uma distância de oito passos uma da outra. Ambas as plantas têm motivos para estar ali. Não ocupam parte da calçada ao acaso. Entre elas, um pequeno canteiro, o novato plantado há 15 dias. As duas árvores têm nome próprio, além daqueles que servem aos biólogos para identificá-las como espécie. O ipê se chama Ícaro. A amoreira, Murilo. As árvores materializam e cristalizam a memória dos dois meninos atropelados em 8 de agosto de 2005, exatamente naquela esquina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois da morte dos garotos, os familiares discutiam a hipótese de realizar missa em homenagem aos dois. A guarda municipal Sandra Maria de Miranda Costa, tia de Murilo, se recusou a cumprir o protocolo. Sugeriu que fosse organizada uma rua de lazer para as crianças do bairro, o que incluiria o plantio de duas árvores para simbolizar Ícaro, de 10 anos, e Murilo, de oito. “Como eles não cresceram, que as árvores cresçam por eles!”, foi o argumento definitivo de Sandra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas árvores são a cereja do bolo de uma festa que acontece há seis anos na rua Emilio Ribas, entre a Campos Melo e a Silva Jardim. Em um domingo de agosto, a comunidade se reúne durante o dia todo e promove uma Rua de Cidadania. São realizados cortes de cabelo, atendimentos jurídicos e odontológicos, brincadeiras, shows, distribuição de alimentos, entre outras atividades e serviços voluntários. O custo é fatiado entre empresas do bairro, Prefeitura e doações de pessoas físicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização começa dois meses antes, com a arrecadação de fundos e o planejamento das atividades. Panfletos são distribuídos nas escolas da rede pública e reuniões são realizadas com os moradores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tia de Murilo explica que a rua de lazer, posteriormente ampliada para Rua de Cidadania, tem o objetivo de tirar o estigma daquele canto do bairro. “Ah, ali morreram os meninos, muitos dizem. Eles morreram brincando. Então, vamos brincar por eles.” Para ela, o ar de festividade foi a maneira encontrada para minimizar a própria dor e saudade do sobrinho. “Bloquear não conseguimos. Através deles (os meninos), as crianças daqui terão lazer.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos envolvidos é o grupo Doutores do Riso, uma das organizações que realizam trabalhos de humanização em hospitais. Voluntária desde 1980, Idalina Galdino Xavier, a Doutora Alegria, participa do evento há três anos. “É muito triste ter que fazer isso pela morte dos meninos. O sofrimento é eterno. Mas, por outro lado, as crianças precisam de espaço.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O acidente -&lt;/b&gt; Ícaro e Murilo brincavam de esconde-esconde com outros meninos na rua Emílio Ribas. Os dois resolveram se esconder debaixo de um caminhão com contêiner, que estava estacionado na esquina com a rua Campos Melo. Eram duas horas da tarde e o motorista almoçava em um boteco do outro lado da rua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motorista terminou a refeição e entrou no veículo. Segundo testemunhas, ele não viu os meninos e deu partida no caminhão. Uma moradora do local gritou para avisar o motorista que os dois estavam embaixo do veículo, mas não conseguiu evitar o atropelamento. Ambos morreram antes de dar entrada na Santa Casa de Santos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Batismo -&amp;nbsp;&lt;/b&gt;Atualmente, a festa é organizada pela família de Murilo. Mais de uma dúzia de parentes se dividem na preparação e na execução das atividades. Os familiares de Ícaro participaram do primeiro ano. Depois, se mudaram para a Zona Noroeste e perderam contato com os antigos vizinhos. Este ano, Ícaro e Murilo foram batizados. Ou melhor, as duas árvores receberam, oficialmente, seus novos nomes. Duas placas foram colocadas nas floreiras que cercam o ipê e a amoreira para relembrar e informar, além dos limites do quarteirão, o que ainda representam as duas crianças para os moradores de um pedaço da Vila Mathias.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;Foto: &lt;/b&gt;Luiz Nascimento&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;Obs.: &lt;/b&gt;Reportagem publicada, originalmente, no jornal Boqnews (Santos/SP), edição 854, em 20 de agosto de 2011. Veja matéria abaixo, &lt;b&gt;Bom dia, meu filho!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-2179615609764622161?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/2179615609764622161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=2179615609764622161' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2179615609764622161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2179615609764622161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/os-meninos-que-viraram-arvores.html' title='Os meninos que viraram árvores'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-gBm_SbDiTJk/TlcbygTh4eI/AAAAAAAAA8I/38EO2eK5FM8/s72-c/MENINOSARVORES.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-8743780357287589067</id><published>2011-08-26T00:53:00.000-03:00</published><updated>2011-08-26T00:53:45.177-03:00</updated><title type='text'>Bom dia, meu filho!</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Marliane Rnilz da Costa sai de casa todos os dias antes de clarear. Em ponto, às 5 horas. Ela é vendedora de passagens da Viação Piracicabana e precisa estar na rua Sete de Setembro antes do sol nascer. Ela mora a meia quadra de onde ficam as duas árvores. Atravessa a rua para não se aproximar delas. Ainda que à distância, ela cumpre o ritual de olhar para a amoreira e dizer: &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;— Bom dia, meu filho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marliane nunca tocou na árvore. Um dos irmãos, Regis, tem a responsabilidade de zelar pelas plantas. Quando conversou comigo, Marliane estava a dois metros da amoreira. Falava de costas para a árvore. Quando se virava para ela, engasgava, os olhos se enchiam de lágrimas. Marliane respirava fundo e buscava concentração para retomar a conversa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe de Murilo confessou que, no primeiro ano, não admirava a ideia de promover uma rua de lazer para relembrar a morte do filho. “Estava de luto. Fui convidada especial.” A partir de 2007, se envolveu diretamente com a organização do evento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Murilo morreu numa segunda-feira. Marliane vendia passagens em frente à Santa de Casa de Santos. Conhecia muitos funcionários, que a deixavam tomar água e utilizar um dos banheiros do hospital. No momento do acidente, o movimento estava tranqüilo e ela havia engatado conversa com uma amiga. Ela se recorda de ter mencionado os filhos várias vezes até sentir uma dor no peito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A sensação de mãe, que cientista algum consegue explicar, se transformou em preocupação. “Não deve ser nada”, pensou. Minutos depois, a ambulância que tentava salvar a vida do garoto de oito anos passou em frente ao ponto. Ela não prestou atenção, até porque havia se acostumado com a rotina das emergências no local. “Toda hora passa viatura por lá.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Marliane só percebeu que havia algo diferente quando notou meia dúzia de funcionários olhando diretamente para ela. Murilo havia sido identificado. Nenhum deles tinha coragem de dar a notícia para a vendedora de passagens. Marliane só pensou em acidente com um dos três filhos quando avistou a cunhada saindo da Santa Casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Hoje, a árvore é mais do que um símbolo. Para Marliane, a amoreira é Murilo. A amoreira é a projeção de como o filho dela estaria aos 14 anos. É quando ela olha para a árvore, soluça e diz: “ele cresceu, está grande, feliz e com vida.” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-8743780357287589067?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/8743780357287589067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=8743780357287589067' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8743780357287589067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8743780357287589067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/bom-dia-meu-filho.html' title='Bom dia, meu filho!'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-2724080382376751515</id><published>2011-08-26T00:37:00.000-03:00</published><updated>2011-08-26T00:37:01.597-03:00</updated><title type='text'>Tropa de choque</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;A decisão de equipar a Guarda Municipal de Santos com armas de eletrochoque dará poder a um grupo que talvez não esteja preparado para exercer o papel de polícia. A medida, também de fundo político, é o meio-termo de um embate que se arrasta há anos dentro da corporação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o governo David Capistrano, nos anos 90, parte da guarda reivindica a adoção de armas de fogo. Sempre houve resistência por parte da cúpula, muitas vezes oriunda de instituições policiais. O atual secretário municipal de Segurança Pública, Renato Perrenoud, é policial militar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O argumento recorrente, do lado dos guardas, era que a rotina nas ruas estava marcada pela violência e que a arma de fogo serviria como mecanismo de proteção para situações-limite. O contraponto residia na ideia de que os guardas municipais têm o papel primordial de proteção ao patrimônio público, e não interferir em circunstâncias com tendência à violência física. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arma de eletrochoque alimenta, de certa forma, o desejo antigo, mas - na prática - ambos os discursos não se encaixam na realidade do município. Os guardas municipais fazem mais do que proteger prédios, monumentos e logradouros públicos. Eles servem de suporte para ações de assistência social e, por vezes, cumprem funções policiais, o que inclui acusações de força excessiva. Por outro lado, estes servidores estão expostos a cenários de degradação social, nos quais podem se tornar alvos da criminalidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos os argumentos desviam o foco essencial do debate. Os guardas já trabalham com bastões, coletes à prova de balas, spray de pimenta e algemas. A Secretaria de Segurança afirmou que os tasers (nome das pistolas) serão utilizados em casos extremos. O que seriam “casos extremos”? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão envolve, no mínimo, uma definição mais clara dos limites de um guarda municipal. Ele tem papel de polícia? Em caso de resposta positiva, teve treinamento adequado? Por que não atua em conjunto com outras instituições em que “casos extremos” são da natureza do trabalho? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Secretaria de Segurança anunciou que todo o efetivo passará por testes psicológicos. Na hipótese de se estabelecer quem são os aptos a portar pistolas, em qual condição ficarão os inaptos? Serão estigmatizados como guarda de segunda classe? São, por enquanto, 35 pistolas. Com quem ficarão as armas? E quais atribuições terão aqueles que não podem portá-las? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Testes psicológicos soam como paliativo para apressar um processo que demanda mais tempo de maturação. Testes detectam um momento, recortam um contexto. E o treinamento psicológico? Se as pistolas são para “casos extremos”, como fortalecer mentalmente os guardas para estas circunstâncias?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Treinar alguém para conhecer e manusear um equipamento não permite avaliar – em tempo escasso – quando e contra quem usá-lo. Um usuário de crack que resiste ao atendimento de emergência. Um morador de rua que insiste em permanecer debaixo da marquise. Vândalos que tentam furtar ou dilapidar patrimônio público. São situações críticas que necessitam de intervenções, muitas delas a partir de decisões subjetivas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O treinamento para implantar o uso de armas de eletrochoque não inclui repensar os vícios que são inerentes à função. São os mesmos homens, muitos deles com cicatrizes das ruas. Eles pretendem se submeter a um novo olhar sobre incidentes no trabalho? A presença de uma pistola – capaz de matar, em certos casos – altera a relação com o lado obscuro da cidade. Não é a sensação tentadora de poder para o sujeito acostumado a ser a “autoridade”? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guarda municipal não é polícia. A corporação tem atribuições específicas e, seria excelente, se fossem cumpridas. Há trabalho demais numa cidade que mascara as desigualdades. As armas servirão para proteger quem? E proteger de quem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-2724080382376751515?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/2724080382376751515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=2724080382376751515' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2724080382376751515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2724080382376751515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/tropa-de-choque.html' title='Tropa de choque'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-6747624046785723384</id><published>2011-08-21T19:17:00.000-03:00</published><updated>2011-08-21T19:17:27.721-03:00</updated><title type='text'>O pedido de licença</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Costumo brincar, há alguns anos, que sou torcedor licenciado do Corinthians. É uma forma bem humorada que encontrei para evitar aquelas discussões intermináveis – e inúteis – sobre futebol. Debates que normalmente resultam em impasse. O licenciamento repele os amigos da polêmica fácil. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Na prática, estar licenciado me dá a condição de poder me afastar do clube, sem cair na tentação de me aborrecer com ele. O licenciamento também possibilita compreender que se tornou dispensável assistir aos jogos do time. É claro que postura era suscetível a recaídas, principalmente quando a equipe estava no fundo do poço, quando amargava o lodo da série B do Campeonato Brasileiro. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Estar licenciado também me deu o distanciamento adequado para observar e detectar as nuances da trajetória de Ronaldo no Corinthians. Separar, com racionalidade, o jogador do produto, o atleta da mercadoria, o gênio do futebol do fenômeno do marketing empresarial. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Na última quarta-feira, ao assistir a virada corintiana sobre o Atlético-MG, me senti mal. Percebi, em primeiro lugar, que voltava a acompanhar os jogos do Corinthians com uma freqüência maior do que desejava. E a decepção veio na mesma intensidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Testemunhava a permanência na liderança, a virada sobre o Atlético, mas pensava o tempo todo: — Que jogo chato! &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O Corinthians não pulsava como, por exemplo, na série B ou em certos momentos da era Ronaldo. Parecia uma equipe contente com suas limitações, que se arrastava em campo. Contentava-se em tocar a bola de lado, fiel à monotonia que permeia os campos por aqui. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Ganhou do Atlético porque o adversário mineiro é um dos piores da primeira divisão. Não senti, à distância, aquela vitória por méritos. Posso ter me enganado, mas a virada atendia à probabilidade do jogo, à ordem natural das coisas. O mais forte venceria o inferior, cedo ou tarde. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O Corinthians transmite a sensação de que não deseja ser líder. Que ocupa um lugar que não pertence a ele. Que está ali por uma série de circunstâncias; a principal delas, um torneio nivelado por baixo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O time freqüenta a ponta da tabela desde o início da competição. Venceu várias partidas seguidas, mas sempre aos trancos, no limiar do empate, comportamento reiterado nos últimos confrontos. A equipe não transpira aquela segurança de quem provavelmente vencerá. Para estes, a derrota, quando nasce, é vendida por um preço que poucos podem pagar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O Corinthians apresenta problemas em todos os setores. Não temos um goleiro confiável. Três já atuaram e nenhum deles merece que os zagueiros deixem a bola passar. A defesa, além de envelhecida, é instável. Desde que William se aposentou, o entrosamento naquele setor morreu. A lateral-esquerda voltou a ser um problema com a venda de Roberto Carlos. Improvisações e garotos não sustentam a ala. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O meio-campo, apesar de um homem na seleção, não abriga gênios, sequer jogadores acima da média. Ralf veste a camisa amarela por razões estranhas. Os demais volantes são comuns, deficiência desde a saída de Christian e Elias. Os meias não provocam admiração. Torço por mais lampejos de Alex. A camisa 10 está vaga desde Douglas, hoje no Grêmio. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Na frente, o time segue viciado, dependente de Liédson. Sem ele, a quantidade de gols cai de maneira substancial. Jorge Henrique é ótimo como coadjuvante. William oscila no entra-e-sai da equipe. Emerson está no endereço errado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O Corinthians tem um elenco melhor do que os adversários? Não. Pior? Também não. Talvez inferior ao Santos completo, mas o time da Vila segue na perigosa pré-temporada para o Mundial. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Estar na vala comum é dom e maldição para o Corinthians. O dom está na justificativa de que os concorrentes insistem em recusar a liderança do campeonato. Mas até quando? A maldição o acompanha na ausência de qualidade para agarrar para si a tarefa de disparar na frente e definir o torneio. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Historicamente, sabemos que o Corinthians – na maioria das vezes – venceu quando tinha times ruins. Os jogadores sangravam e atropelavam oponentes pela luta. A fragilidade técnica era compensada pela disciplina em cumprir ordens, como soldados dispostos a morrer por uma causa, por um símbolo maior. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Aí reside minha dúvida: esta equipe está disposta a quê? Não vejo sangue nos olhos. Vejo profissionalismo correto, mas falta o tempero que faz as equipes entrarem para a memória dos corintianos e alimentarem a raiva dos adversários, que não vêem a mesma paixão obsessiva nos que vestem suas camisas de preferência. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Talvez o problema seja o sargento, incapaz de espremer a alma de seus comandados. Mas não tenho o hábito de crer que técnicos resolvem tudo. A maior parcela de culpa, de responsabilidade e de méritos está entre os que jogam. O treinador comum apenas norteia o caminho. Não o percorre. Às vezes, funciona como motivador. Pode ser que Tite se encaixe no perfil. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Na&amp;nbsp;dúvida e com pesar, preenchi a papelada de renovação de licença. Com a esperança adormecida – e disposta à ressurreição - no canto dos olhos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-6747624046785723384?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/6747624046785723384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=6747624046785723384' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6747624046785723384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/6747624046785723384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/o-pedido-de-licenca.html' title='O pedido de licença'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-748898115227483830</id><published>2011-08-20T11:48:00.000-03:00</published><updated>2011-08-20T11:48:52.103-03:00</updated><title type='text'>A folha de louro</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Quando está de férias, a insônia vira acompanhante regular dele. Adota como tradição jogar fora o relógio, ato simbólico de uma vida propositalmente desregulada. Estava na casa dos pais, visita rotineira, mas resolveu passar a noite por lá.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Por volta da uma da manhã, elétrico como se estivesse no meio do dia, resolveu fazer uma refeição. Jantar de madrugada não era saudável, mas coerente com seus hábitos ogros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Abriu a geladeira e optou por comer arroz com o resto de uma carne picadinha. Mais molho do que carne, na verdade. Complementou com queijo ralado, que derreteria no micro-ondas e deixaria o prato com feições mais apresentáveis para o autoengano alimentar da noite.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Depois de um minuto e meio, a refeição estava pronta. Nem esperou chegar ao quarto, para comer em frente à TV. Coerência consigo mesmo faz o homem, pensou. Deu uma garfada na cozinha, desculpa para experimentar se a comida havia esquentado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Na garfada, veio a folha de louro, ingrediente raro naquela cozinha. Tão incomum que ele olhou por alguns segundos para ela. Era a sobrevida dela, antes de repousar na lata de lixo. A folha aguçou lembranças de um episódio vivido há quase 25 anos, quando era uma criança às portas da adolescência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DaL_9jhozXw/Tk_HYrdZTHI/AAAAAAAAA74/jEdHIfZUCjc/s1600/folha_de_louro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="291px" qaa="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-DaL_9jhozXw/Tk_HYrdZTHI/AAAAAAAAA74/jEdHIfZUCjc/s320/folha_de_louro.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Eis aqui a história.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Ele tinha um amigo de infância chamado Marcelo. Marcelo Pimenta, sujeito com nome de tempero. Tinham a mesma idade e a mesma obsessão por futebol. Marcelo foi um grande amigo até os 15 anos, depois se mandou com a família para o interior do Paraná. Lá, montaram uma fábrica de brinquedos educativos de madeira.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Marcelo voltava nas férias para ficar na casa da irmã, que se casou com uma paixão do início da juventude. As idas e vindas duraram até os 18 anos, quando os dois amigos foram cursar universidade. A irmã, para completar o pacote, se separou e foi auxiliar a família na fábrica. Nunca mais se viram.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Quando tinha 12 anos, ele foi convidado para jantar e dormir na casa do Marcelo. Não tinha o hábito de dormir fora e pouco ia à casa do amigo. Almoçava e lanchava na residência de outros amigos, mas eram compromissos eventuais. A casa dele era o ponto de encontro para jogos e comilança. Estava acostumado a receber, e não a desembarcar em territórios inóspitos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Antes de sair, ouviu um monte de recomendações da mãe. Conhecia as regras de cor, mas sabe como é: mãe nunca se lembra de que já disse aquilo um dia. Ou prefere esquecer de que o destino é ser repetitiva. Por isso, ele preferia entender o &lt;i&gt;replay&lt;/i&gt; como um ato de amor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Chegou à casa do Marcelo faminto. Depositou a mochila em qualquer lugar, cumprimentou a todos e, ao ouvir o convite da mãe dele, sentou-se à mesa. Não se lembra exatamente do cardápio. Recorda-se de que ela servira feijão e arroz, itens fundamentais para a ocasião.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7a3_sigM5n4/Tk_Iu_ILQzI/AAAAAAAAA8A/3kRMp8lfEuw/s1600/Red_Beans_and_Rice_1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240px" qaa="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-7a3_sigM5n4/Tk_Iu_ILQzI/AAAAAAAAA8A/3kRMp8lfEuw/s320/Red_Beans_and_Rice_1.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Os moleques avançaram no feijão e no arroz. Depois de algumas garfadas, o visitante percebeu uma linha fora do roteiro. No meio do feijão, uma folha de louro. Para não dizer meias verdades, descobriu o nome da folha no dia seguinte. Naquele momento, era uma folha no meio do feijão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Lembrou-se das recomendações da mãe:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;— Diga por favor e obrigado. Não coma muito nem faça bagunça. Se colocou no prato, coma. Não faça desfeita de deixar comida, hein?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O que fazer com aquele bicho estranho? Nunca vira uma folha no feijão. Se deixasse de lado, denunciaria que não gostava ou desconhecia aquilo. E também descumpriria as regras de educação. Imaginou que seria algum tempero específico do Paraná, local de origem da família Pimenta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Aos 12 anos, precisava tomar uma decisão rápida. Se perguntasse à mãe do Marcelo, poderia cometer uma gafe. Gafe, nessa idade, significava ser zoado por meses, talvez anos. Ou parecer sem educação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Marcelo era carta jogada fora. Se eu não sei, ele também não deve saber, pensou. Silêncio como saída. A folha estava ali, no prato, por alguma razão. Se estava no meio do feijão, a tarefa era comê-la.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Colocou a folha de louro na boca. O feijão foi embora logo. A folha insistia em dançar entre o céu e a garganta. Mastigava e a danada não descia pela goela. Colocava mais feijão na boca. Ele seguia o caminho e a folha permanecia ali. Goles de refrigerante eram inúteis.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Foram cinco minutos de agonia. Fingia interesse no papo, mas a folha era o centro da vida. Suava para manter a pose de quem estava adorando o jantar. De fato, a comida era deliciosa, exceto pela intrusa verde, envernizada pelo molho amarronzado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Pensou em cuspi-la discretamente no guardanapo. Pensou no risco de ser flagrado. Não queria ser visto como caipira. Era rato de praia, caiçara do litoral paulista. E, na arrogância dos 12 anos, se julgava melhor que os interioranos do “r” puxado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Cogitou abaixar a cabeça como se apanhasse algo no chão. Assim se livraria da folha. Ponderou que, no dia seguinte, a mãe do amigo varreria a cozinha e descobriria a prova do crime.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Decidiu abandonar a frescura. Se a folha estava ali, era para ser devorada. Ele era o desavisado. Mais um pouco de feijão e pronto: triturou a maldita e engoliu a seco. O resto da noite seguiu como previsto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;No dia seguinte, ao retornar para casa, ouviu o interrogatório de sempre sobre comportamento. Respondeu de forma protocolar e, no final, acendeu a dúvida. Por que o feijão deles tem folha e o da mãe não?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 7.5pt; mso-margin-top-alt: auto;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A mãe começou a rir, descreveu a espécie em questão e informou que também usava folha de louro como tempero. Apenas a retirava antes de servir a comida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Hoje, 25 anos depois, a folha reapareceu em seu prato. Teve destino certo, sem culpa, sem arrependimentos. Desde o jantar nos anos 80, toda vez que&amp;nbsp;depara com uma das irmãs daquela folha, perdida no prato ou na panela, ele entende por que os detalhes desnudam o todo, irrecuperável e nostálgico.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia;"&gt;&lt;strong&gt;Observação:&lt;/strong&gt; Texto de ficção publicado originalmente no site &lt;a href="http://www.jornalirismo.com.br/"&gt;Jornalirismo&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-748898115227483830?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/748898115227483830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=748898115227483830' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/748898115227483830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/748898115227483830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/folha-de-louro.html' title='A folha de louro'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-DaL_9jhozXw/Tk_HYrdZTHI/AAAAAAAAA74/jEdHIfZUCjc/s72-c/folha_de_louro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-1056920324806096262</id><published>2011-08-19T02:02:00.000-03:00</published><updated>2011-08-19T02:02:53.522-03:00</updated><title type='text'>Orgulho de macho</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; color: #333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ospolíticos brasileiros adoram fazer escola, deixar um legado de sua passagempelos parlamentos e governos. O auge se dá quando seus nomes se transformam emconceitos para definir uma postura pública, como o getulismo e o malufismo. Nãoé o caso do vereador paulistano Carlos Apolinário, camaleão na política,vira-casaca de várias legendas. Mas ele será nota de rodapé da história por umadas maiores imbecilidades legislativas: a criação do Dia do OrgulhoHeterossexual.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O&amp;nbsp;projeto,aprovado por 31 vereadores-cúmplices, depende da canetada do prefeito GilbertoKassab. O prefeito, aliás, reforçou a imagem de alguém que governa de costaspara a cidade e para os comportamentos sociais que pulsam dentro dela. Para oprefeito, data como essa equivale ao Dia do Médico e ao Dia do Professor ejamais seria um estímulo à homofobia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Oprojeto de Apolinário, que estabelece a “comemoração” no terceiro domingo desetembro, influenciou outro aventureiro com mandato. O vereador Ciro Moura apresentouproposta semelhante em Fortaleza, no Ceará. Deputados federais falaram sobre aimportância de um projeto semelhante em âmbito nacional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ODia do Orgulho Heterossexual é uma aberração social e cultural. Homofobia éexercício cotidiano, em um país com ranços machistas. Os casos de violênciacontra gays e contra mulheres se acumulam nas delegacias. A discriminação eminúmeros ambientes sociais é evidente por mais que se arrumem desculpasesfarrapadas para eliminar o outro do convívio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ODia do Orgulho Heterrossexual não tem razão de existir. Grupos que compõemmaioria na sociedade não necessitam de datas comemorativas, que funcionam e semantém vivas como regime de exceção. O grupo dominante perpetua seu poder nodia-a-dia e uma data de celebração apenas serve para reforçar o preconceito.Por outro lado, expõe a existência do controle e da opressão sobre quem pensaou age de maneira diferente. Mas não modifica ou ameniza o quadro de violência,seja psicológica ou física. Pelo contrário, pode até estimular comportamentosintolerantes, protegidos por uma impunidade real, antes apenas uma sensação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Adiscussão sobre homossexualidade ganhou contornos políticos, o que - de certaforma – gera ressonância positiva. O assunto, antes trancafiado em armários ou sobpacto de silêncio, passa a fazer parte das rodas de conversas e da agenda demuitas instituições. O preconceituoso não pode mais se esquivar do tema. Outira a máscara, como fizeram muitos políticos, ou se cala, com a decisãoconsciente de que um novo cenário se desenha à porta dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Oproblema é que a sexualidade brasileira, transformada em debate público,aparece impregnada de moral religiosa, em larga medida moralismo de segundamão. O vereador paulistano, inventor do Dia do Orgulho Heterossexual, pertenceà bancada da bíblia, grupo apartidário, de várias religiões e amigo do poder,que se alimenta da desinformação de eleitores impregnados por uma fé cega eexcludente por natureza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Estaparcela da classe política, sanguessuga de ideias ultrapassadas, mistura moralreligiosa, que distorce inclusive os textos originais bíblicos, com assuntoslaicos. Religião e política assumiram o relacionamento afetivo. Na últimaeleição para presidente, aborto virou prioridade nacional e, em momento algum,foi tratado como pauta de saúde pública. A retórica eleitoral ignorou milharesde mulheres que morrem em clínicas clandestinas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: white; color: #333333; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Projetoscomo os dos vereadores de São Paulo e Fortaleza atendem a facção mais atrasadade um país que se considera civilizado. Se a lógica de raciocínio persistir,poderemos ter – em breve – vereadores ou deputados propondo o Dia daConsciência Branca e o Dia do Homem. Quem sabe o Dia do Homem Branco? Okit-preconceito ficaria completo. Muita gente adoraria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; color: #333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; color: #333333;"&gt;Observação: &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: initial; background-origin: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial; color: #333333;"&gt;Depois de críticas, o prefeito Gilberto Kassab anunciou que vetaria o projeto de lei.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background: white; color: #333333; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-1056920324806096262?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/1056920324806096262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=1056920324806096262' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1056920324806096262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/1056920324806096262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/orgulho-de-macho.html' title='Orgulho de macho'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-2782225051013717848</id><published>2011-08-18T17:04:00.000-03:00</published><updated>2011-08-18T17:04:45.349-03:00</updated><title type='text'>O futebol pede compreensão</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Quando nós vamos compreender que ... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;1)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;o modelo globalizado de negócios em torno do futebol fez com que o Campeonato Brasileiro se transformasse em uma ilusão. Jogar bem por aqui pouco significa em termos internacionais. Atletas em decadência e, ainda por cima, desinteressados são endeusados como se ainda vivessem no auge da forma. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;2)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;a seleção nacional é armazém de secos e molhados, onde se vende de tudo, com convocações estranhas e partidas sem utilidade prática para a formação de um time. Por que a cada convocação aparece um jogador que atua na Ucrânia? Por que enfrentaremos Gana e Gabão até o final do ano em partidas amistosas? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;3)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;não possuímos mais craques às pencas, defesa dos ufanistas que julgam o Brasil capaz de formar três times de primeiro nível. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;4)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;a seleção brasileira vem sendo lembrada por seu goleiro, laterais e zagueiros nos últimos anos. Este talvez seja o maior sintoma de que o estado de coisas precisa ser chacoalhado. O produto tipo exportação mudou e acendeu o sinal de alerta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;5)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;a renovação propagada pelo técnico Mano Menezes ofende a inteligência alheia, a partir do momento em que jogadores em final de carreira são convocados por desempenho momentâneo dentro do campeonato nacional. Isso sem falar em atletas convocados uma, duas vezes e, quando negociados com o exterior, somem das listas posteriores. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;6)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;vivemos um choque de gerações de jogadores, o que implicou na antecipação de etapas para a turma mais nova e que, por isso, corremos o risco de queimar potenciais atletas fora-de-série.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;7)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;o jogador diferenciado é aquele, como diz Tostão, que atua em alto nível por várias temporadas e que só pode ser chamado de gênio depois do que fez. Hoje, endeusamos o craque da rodada, cientes de que – na maioria dos casos – reviveremos o ar de decepção na semana seguinte.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;8)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;não temos capacidade de organizar um evento como a Copa do Mundo em função da ausência de planejamento e de um cronograma sério das obras nos estádios de futebol. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;9)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;a Copa do Mundo dá lucro somente à entidade que a organiza, uma instituição privada que jamais abriu seus cofres para qualquer tipo de auditoria externa. Nenhum dos Mundiais foi lucrativo para os países-sede. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;10)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;as negociatas em torno do futebol brasileiro e da organização da Copa do Mundo não são prerrogativas do esporte. Surpreender-se com a promiscuidade em torno do dinheiro público representa um ato de cinismo. O futebol apenas serve de termômetro para mensurar as relações político-partidárias no país. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%; mso-fareast-font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;11)&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;não daremos conta das obras de infra-estrutura para recebermos milhões de pessoas durante um mês. Promoveremos maquiagens de ferro e concreto e depois vamos nos vangloriar da capacidade de improvisação, da suposta criatividade que mascara o desleixo, a negligência. E perderemos mais uma oportunidade de solucionar ou amenizar profundos problemas sociais. O país do futuro que se cristaliza diante do espelho.&amp;nbsp;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Os 11 itens formam um time completo de dificuldades para que o futebol por aqui se transforme numa atividade profissional. O técnico Telê Santana dizia, com propriedade, que o futebol no Brasil não era coisa para gente séria. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Se conseguirmos entender parte das questões, poderemos perceber que não temos mais o melhor futebol do mundo. Não importa o aspecto, seja técnico, tático ou organizacional. Classificar a seleção brasileira como especial, por exemplo, é, no mínimo, exercício de má fé. Sequer nos colocamos entre os cinco primeiros. E que precisamos mudar de postura para não passar vexame dentro de casa e fora do campo, daqui a três anos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-2782225051013717848?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/2782225051013717848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=2782225051013717848' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2782225051013717848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2782225051013717848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/o-futebol-pede-compreensao.html' title='O futebol pede compreensão'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-2548016458798758359</id><published>2011-08-12T13:20:00.000-03:00</published><updated>2011-08-12T13:20:50.160-03:00</updated><title type='text'>Sexo proibido?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A estudante universitária, surpresa, resolveu relatar o comportamento de dois pacientes à assistente social. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;— Seu José transa duas vezes por semana. E Dona Maria, então? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;— Qual é o problema?, perguntou a assistente. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;— Ela parece minha avó! E sempre vi minha avó como virgem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O diálogo, que aconteceu numa sala da Prefeitura de Santos, simboliza o preconceito no qual sexo é assunto enterrado na velhice. A desinformação representa um tiro no pé para muitos idosos, que se tornaram alvo frágil diante da Aids. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Segundo o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, a média de infectados com mais de 50 anos era de 17 para cada 100 mil pessoas, em 2002. Hoje, a média está em 40 pessoas. No Estado de São Paulo, são aproximadamente 4400 soropositivos com mais de 60 anos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O casamento entre falta de informação e preconceito cria uma nuvem de fumaça que mascara comportamentos usuais de idosos, principalmente os homens. Muitos deles redescobriram a chance de engatar relacionamentos afetivos na maturidade, o que implica em vida sexualmente ativa, inclusive com vários parceiros e parceiras. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Trata-se de uma conseqüência de mudanças sociais agudas, estimuladas por avanços da medicina (e as pílulas milagrosas) e pela criação de instituições onde idosos retomaram a convivência social e cultural. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Embora as alterações comportamentais sejam nítidas e saudáveis, ainda prevalecem valores culturais. Um deles é o machismo. Muitos homens dispensam o uso da camisinha sob a alegação de que não tem nada. E transferem a responsabilidade para a mulher que, constrangida, abre mão do preservativo. Muitas das idosas infectadas só tiveram relações sexuais com o marido e depois com o novo namorado. Dispensaram a camisinha da bolsa para não serem vistas como “atiradas” ou promíscuas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A Aids, via de regra, atravessa um período de estabilidade entre os jovens. As exceções são as mulheres e os idosos, grupos que registram aumento no número de casos. A transmissão da doença quebrou também uma relação de confiança, pois muitas mulheres – inclusive idosas – foram contaminadas no casamento. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Outro obstáculo é o diagnóstico tardio. Muitas pessoas se julgam imunes ao vírus HIV, que seria uma marca punitiva para a postura volúvel dos mais jovens. Esta mentalidade atrapalha o tratamento, agravado por outras doenças da velhice, como diabetes e alterações ósseas, que desequilibram os efeitos colaterais dos medicamentos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A&amp;nbsp;Aids entre os idosos também conta com o silêncio dos pacientes, que preferem não contar que são soropositivos aos filhos. Assim, evitariam a implosão da família. E amenizariam a culpa do pai que infectou a mãe. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Apesar do Brasil ter imagem positiva no combate à Aids, o Governo Federal investe somente 10% dos US$ 623 milhões orçamentários em campanhas informativas. A maior parte do dinheiro vai para a compra de remédios. Na Baixada Santista, os idosos representam 20% da população em Santos e Praia Grande. A Aids, ainda viva por causa da área portuária, bate à porta de quem se sentia blindado aos ferimentos numa fase de serenidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Arial','sans-serif'; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A sexualidade do idoso pulsa de novo, sem pudores ou moralismo. A ironia cruel é que a ressurreição de um passado cheio de vida pode se transformar em sentença de morte. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-2548016458798758359?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/2548016458798758359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=2548016458798758359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2548016458798758359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2548016458798758359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/sexo-proibido.html' title='Sexo proibido?'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-5527116796755467252</id><published>2011-08-05T16:32:00.000-03:00</published><updated>2011-08-05T16:32:18.078-03:00</updated><title type='text'>O mundo ao redor de Jolie</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Por Vinicius Maurício*&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Flashes e luzes, muitas luzes, mas pouco brilho. Assim éo mundo de algumas das chamadas estrelas do cinema, que se consagram poratuarem em filmes e agradarem aos espectadores e fãs. Elas fazem sucesso nomundo todo por seu trabalho nas telas e, normalmente, colocam seu nome nacalçada da fama de Hollywood. Mas existem estrelas que reluzem além do espaçodelimitado pela fama, elas também conquistam e brilham na vida real. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Angelina Jolie, por exemplo, fez, recentemente, noCamboja, na Ásia, fotos para uma famosa marca de bolsas. Embora desfrute domundo dos famosos, a atriz sempre esteve envolvida com as questões sociais epolíticas do planeta, como a fome e os conflitos, mostrando que ser uma estrelapode ir muito além de iluminar a grande tela com seu profissionalismo e beleza,fazer os olhos dos fãs brilharem e estampar outdoors publicitários.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Fisicamente, estrela é um corpo com luz própria queorbita no espaço sideral e, normalmente, outros corpos giram ao seu redor, comoa Terra que se movimenta em torno do Sol, em sua rota de Translação, a qual nosdá os 365 dias do ano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Já o Sol é uma estrela brilhante que ilumina, proporcionae mantém a vida em nosso planeta, com o fenômeno natural do efeito estufa, queaquece a Terra. E não precisamos nos preocupar que ele deixe de fazer isso tãocedo, pois o Sol é uma estrela novíssima. E não precisa ser físico paraentender que ele é apenas uma estrela-bebê; afinal, ele é amarelo e tem,acredita-se, perto de 4,6 bilhões de anos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A idade das estrelas é definida pela sua cor. Quanto maispróximas do amarelo são, menos anos possuem. Conforme se aproximam dastonalidades de azul, mais anos conquistam. Como o tempo calculado para que aluz de estrelas longínquas chegue à Terra é diferente das nossas 24 horas - éum ano-luz, pode ocorrer de uma estrela que sempre admiramos no céu tenhadeixado de existir há milhares de anos. A luz emitida quando da sua morte podenão ter alcançado nosso campo de visão nua.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ksDgZGq1lj8/TjxE_OuUUBI/AAAAAAAAA70/0kNbRMXj5HE/s1600/bluesun.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-ksDgZGq1lj8/TjxE_OuUUBI/AAAAAAAAA70/0kNbRMXj5HE/s320/bluesun.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: 18px;"&gt;As estrelas também são fonte de prazer para amantes da Astronomia,pois &lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;proporcionam momentos de diversão elazer. A mãe ensinando o filho como se localizar por intermédio do Cruzeiro doSul marca bons momentos que ficam na memória da criança. Assim, a atençãomaterna transfere ao filho conhecimentos históricos, originários de culturasantigas. O que dizer do casal de namorados que resolve contar o máximo deestrelas que puder, numa noite! As estrelas também são objeto de estudo da vidaem nosso planeta, na Via Láctea e em outros Universos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Dada a importância das estrelas do espaço, para receber otítulo de estrela de cinema, brilhar e ser importante como o Sol, não bastaatuar, ser um bom profissional, encantar, conseguir flashes e luzes voltadaspara si. Nem somente que o trabalho desenvolvido no cinema perdure tanto tempoquanto o ano-luz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4YMRHZkEBwQ/TjxEmrmc4TI/AAAAAAAAA7s/mu2cKTF3EEQ/s1600/yellowsun.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="236" src="http://1.bp.blogspot.com/-4YMRHZkEBwQ/TjxEmrmc4TI/AAAAAAAAA7s/mu2cKTF3EEQ/s320/yellowsun.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: 18px;"&gt;Bem verdade, as melhores e mais brilhantes estrelasreluzem fora das telonas também, como Angelina Jolie, que, mesmo sendo modelofotográfico de marcas famosas, se mostra preocupada com alguns dos pioresproblemas enfrentados pela espécie humana, na Terra. O Camboja mesmo, onde elaesteve, é referência quando na luta contra a fome na Ásia, mesmo que aindatenha perto de 33% da população subnutrida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Só no sul da Ásia, segundo dados do Unicef (Fundo dasNações Unidas para a Infância), entre 2006 e 2008, mais de 100 milhões depessoas entraram para o grupo dos que têm fome crônica, ou seja, que nãoconsomem o mínimo de calorias diárias que o organismo precisa para sobreviver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E a maioria dos que passam fome no sul-asiático sãocrianças, já que 54% das 615 milhões que vivem na região integram o grupo dosfamintos crônicos. Isso sem contar os conflitos políticos e os problemas comtuberculose e Aids que assombram os cambojanos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E Jolie foi premiada pela Organização das Nações Unidas,a ONU, por seus trabalhos humanitários em diversos países do mundo, como opróprio Camboja, também em Sarajevo, na Líbia, Etiópia, Vietnã, Tunísia e naNamíbia, lugar que escolheu para dar à luz à Shiloh, primeiro filho biológicodela com seu atual marido, Brad Pitt.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A estrela do cinema, tão importante como as estrelas doespaço sideral por sua atuação humanitária, também adotou uma criançacambojana, a qual deu o nome de Maddox Chivan. Não por coincidência, elaescolheu o nome - Maddox, que em celta, significa benéfico e Chivan, vida.Justificando seu trabalho pelo bem da vida na Terra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-bT_Gfa7WRns/TjxEw4z5OoI/AAAAAAAAA7w/CGl6VJkGQTI/s1600/foto-angelina-jolie-10.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-bT_Gfa7WRns/TjxEw4z5OoI/AAAAAAAAA7w/CGl6VJkGQTI/s320/foto-angelina-jolie-10.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: 18px;"&gt;Talvez, pensando bem, faltem estrelas como ela,brilhantes e que ajudam a propagar a vida no planeta. E, afinal, quem são asestrelas de cinema que andamos admirando? Jolie, além de linda e livre depadrões pré-estabelecidos (é bissexual assumida, por exemplo), é ótima atriz,tendo atuado em filmes como Lara Croft, a heroína dos jogos de vídeo-game,Alexandre, O Colecionador de Ossos, Salt, e Garota, Interrompida, filme com oqual ganhou o Oscar como melhor atriz coadjuvante, em 2000.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Angelina, assim como o Sol, dentro do limite espacial quesua pessoa lhe permite, faz o que pode pela vida do próximo (próximo, não éassim que chamam os cristãos?) e é um astro de se admirar e aplaudir, por serestrela no cinema e que reluz na vida real. Em tempo, nessa campanha que fez paraa famosa marca de bolsas, por exemplo, ela representa, segundo o estilista, osvalores fundamentais. E ainda, a estrela destinou parte do cachê de milhões dedólares para caridade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;* Vinicius Maurício é jornalista.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-5527116796755467252?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/5527116796755467252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=5527116796755467252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/5527116796755467252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/5527116796755467252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/o-mundo-ao-redor-de-jolie.html' title='O mundo ao redor de Jolie'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ksDgZGq1lj8/TjxE_OuUUBI/AAAAAAAAA70/0kNbRMXj5HE/s72-c/bluesun.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-4183457758784327202</id><published>2011-08-05T14:07:00.000-03:00</published><updated>2011-08-05T14:07:10.094-03:00</updated><title type='text'>Doente, eu?</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Caminho quase um quilômetroentre um dos empregos (jornalistas colecionam patrões) e minha casa. Notrajeto, são 12 salões de beleza ou clínicas de estética ou outros nomes, emvários idiomas, que reforçam exatamente o produto a ser vendido: aparência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Pertoda residência de uma amiga, há quatro estabelecimentos numa quadra. Aconcorrência é saudável. Todos vão muito bem, obrigado, tanto que investiram emreformas das instalações este ano. No prédio de meus pais, há um pontocomercial que vingou depois de 15 anos. Qual o ramo? Redundante dizer. Ao menosafastou a lenda de que havia cabeça de burro enterrada por ali. Na rua ao lado,mais dois salões de beleza, sempre cheios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O milagre da multiplicação de cabeleireiros (o nomeoriginal) indica desenvolvimento econômico, mas realça comportamentos e valoresculturais, marcas de um modo de vida cada vez mais dependente da aparência emdetrimentos de aspectos essenciais, internos aos seres humanos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A progressão geométrica, em Santos, também diz respeitoàs farmácias ou drogarias ou nomes parecidos que atendem a outro sintoma dohomem moderno: a dependência química, a escravidão da saúde fast-food.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nadécada passada, a cidade viveu um debate em torno da lei que estabelecia adistância mínima de 200 metros entre duas farmácias. O assunto foi remediado porinjeções de interesses e hoje é possível observar farmácias que convivem namesma calçada ou se transformaram em mini-supermercados, onde se come, bebe emelhora a aparência. As duas áreas se abraçam para tratar várias patologias,físicas ou sociais, para que os “pacientes-clientes” pareçam saudáveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Asomatória singela destes dois segmentos marca em brasa o estilo de vida atual. Apostamosem soluções velozes para problemas de longa duração. Fomos soterrados pelapreocupação com o outro, com a aprovação social e estética dentro de critériose moldes jamais determinados por quem os segue.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Oshomens (e as mulheres) de hoje mal consegue conviver com a própria imagem noespelho. Fogem, em desespero, de conversas internas, de reflexões e avaliaçõessobre atos e a própria vida. É mais fácil buscar, em farmácias e salões debeleza, respostas imediatas para os males que insistem em reaparecer para oretoque nas pontas, na próxima semana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Asrespostas podem se materializar na pílula azul da metamorfose sexual, nas pílulasda felicidade que encenam matar a melancolia ou na nova técnica de escova, queressuscitará – atrás da cortina de fumaça – aquela mulher ideal que jamaispoderia ter desaparecido pela crueldade do tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ninguémé contra a valorização de si mesmo. O exagero nos conduz a cegueira de quetorrar horas atrás de cremes e outras substâncias representa a fronteira damudança. O exagero que nos leva a crer, de forma fanática, nas farmácias comolocais de lazer, ponto de passeio familiar, com um comprimido mágico para cadapedra no caminho. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Vivemosnuma sociedade doente, que se perpetua pelo individualismo e pela intolerância.Muitos se tornaram escravos voluntários do padrão. Lutam para serem diferentese melhores, enquanto chafurdam na lama dos iguais. Neste sentido, quem ruma poruma estrada de curvas particulares paga o preço da incompreensão. Quem tentarejeitar a robotização padece de alguma enfermidade. É a sociedade que idolatracriar patologias para quem se recusa a tomar a pílula da moda ou ter o cabeloda celebridade do mês.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Lembro-meda reação de um amigo que, ao ver mais uma farmácia a ser inaugurada, comentouingenuamente:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;— Mais uma? Deve termuita gente doente!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-fareast-theme-font: minor-latin;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-4183457758784327202?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/4183457758784327202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=4183457758784327202' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/4183457758784327202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/4183457758784327202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/08/doente-eu.html' title='Doente, eu?'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-2090060371231042378</id><published>2011-07-29T11:49:00.000-03:00</published><updated>2011-07-29T11:49:23.513-03:00</updated><title type='text'>O braço estendido</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Asenhora de 70 anos levou o recado ao pé da letra. Estava em uma faixa depedestres, não havia semáforo e, com o trânsito movimentado, perdera aperspectiva de atravessar a avenida Pinheiro Machado. Lenta ao caminhar, elaestava atrasada para um compromisso. Avançou um passo na rua e estendeu o braçodireito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Um motorista também cumpriu o recadoà risca. Parou o veículo para que a mulher pudesse cruzar a avenida. Agenerosidade virou problema. Logo atrás vinha outro carro. O segundo motoristanão percebeu a pedestre e não brecou a tempo. O saldo foi uma colisão entredois veículos, sem feridos. A senhora, com medo, chegou à calçada oposta,seguiu seu caminho e desapareceu, enquanto os dois motoristas discutiam sobre oprejuízo material. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A história, relatada por taxistas, éuma exceção, mas serve para ilustrar possíveis conseqüências da campanha FaixaViva, implantada pela CET, &lt;st1:personname productid="em Santos. A" w:st="on"&gt;em Santos. A&lt;/st1:personname&gt; proposta em si, obviamente, não causa acidentes,mas gera a dúvida se motoristas e pedestres estão preparados para abandonar aselvageria que norteia o tráfego na cidade em vários momentos do dia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Conversei com uma dezena detaxistas, todos com adesivos da campanha em seus carros, nas últimas duassemanas. As conversas foram isoladas, durante o trajeto de uma corrida ou noponto. Todos elogiaram a ideia, mas pediram alterações estruturais no trânsito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O curioso, no entanto, foi aresposta para a nova relação com pedestres. Os taxistas apenas paravam paraidosos e reclamaram que muitos deles entendem que podem estender o braço emqualquer lugar, inclusive fora da faixa. Esta mentalidade indica que a campanhanão é suficiente para redesenhar comportamentos. Ficou cristalino, pelosdepoimentos, ainda que sem base científica, mas com experiência cotidiana, queos motoristas pararam seus veículos por causa da aparência dos pedestres. Nesteraciocínio, jovens podem esperar mais um pouco ou procurar outro lugar paracruzar uma rua. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A Faixa Viva, de maneira isolada,tende ao esquecimento. São necessárias políticas públicas mais agudas eduradouras para modificar o tráfego. Ou evitar o caos nas principais vias dacidade. Endereços como as avenidas Conselheiro Nébias e Ana Costa entopem emhorários de pico, sinal de que o cenário começa a adoecer com gravidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Por trás disso, persiste amentalidade do culto aos automóveis. É difícil ir contra o crescimento nonúmero de carros nas vias públicas. Santos está entre as três cidades do país,na proporção, com mais veículos por habitante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O automóvel se transformou em um dostermômetros do desenvolvimento econômico, além de representar – para oconsumidor – símbolo de ostentação e ascensão social. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A Prefeitura não pode, sozinha,alterar o quadro que caminha para focos de paralisia no tráfego. Mas éfundamental colocar o problema na agenda pública, atraindo a sociedade civilpara o debate. Discussão de fato, não como ocorreu com o Plano Diretor, em queentidades receberam a coroa de Rainha da Inglaterra, enquanto a Câmara aprovava100% das propostas do Poder Executivo. Um das ideias recusadas foi justamente aque previa planejamento do setor de transportes a longo prazo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A Faixa Viva necessita de irmãospara sobreviver como ícone de um novo comportamento. Caso contrário, seráabandonada como órfã, assim como o mutirão da carona, outra iniciativa da CET,chacota entre os que se lembram dele. Hoje, a Faixa Viva reforça o coro dosdescrentes, que repetem a piada enquanto dirigem suas armas: a melhor maneirade perder o braço é estendê-lo nas ruas e avenidas de Santos.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-2090060371231042378?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/2090060371231042378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=2090060371231042378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2090060371231042378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/2090060371231042378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/07/o-braco-estendido.html' title='O braço estendido'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3509280287527632880</id><published>2011-07-28T21:59:00.001-03:00</published><updated>2011-07-29T01:59:17.566-03:00</updated><title type='text'>Quem é Amy?</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; line-height: 24px;"&gt;Prometi a mim mesmo que nãome manifestaria sobre a morte de Amy Winehouse. Não sou fã dela. Mal conheçosuas músicas. Nunca tive interesse pela carreira da moça. Apenas era exposto àvida desregrada da personagem quando abria portais de notícias ou assistia aalgum telejornal, como milhões de pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Não me interessava conhecê-la, até porque as barreiras eestratégias da indústria cultural se mostravam eficientes para conter qualquerpossibilidade de opiniões ou manifestações dela. Testemunhava somente adegradação – que integra o pacote de consumo cruel – da cantora britânica àdistância, sem pensar muito a respeito. Era mais uma celebridade no universopop, que me permitia duvidar – com injustiça - do talento, misturado com a vidade produto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Como não costumo cumprir as promessas de segunda-feira,resolvi refletir sobre a morte da moça. Li alguns críticos que respeito para meinformar um pouco mais. Obviamente, não corri a nenhuma loja de CDs. Se nãopagava por um álbum dela, quanto mais agora, inflacionado pela morbidezeconômica.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nãobaixei músicas também. Até porque não tenho essa prática, nem com meus própriosídolos. Prefiro ouvi-los nas rádios rock ou cultivar os velhos CDs com seusclássicos. Quando vou à loja, procuro as promoções de coletâneas ou trabalhosao vivo. No último mês, foi o que fiz com a Sade, apenas para comprarfragilmente duas cantoras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nãoresisti ao fenômeno Amy Winehouse. Não me refiro à mulher, mas à mercadoriaempacotada como dramaturgia-clichê. Comecei a me aborrecer com a sucessão deatrocidades em torno dela. Família, pessoas próximas, jornalistas e outrasespécies de oportunistas resolveram destrinchar a vida e a morte da cantora,exagerando nas atitudes, nos juízos de valor, nas qualidades e defeitos daartista. No fundo, despersonalizaram a mulher para espremê-la mais uma vez. Enão será a última.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Fãs nãointegram este espectro perverso. Acreditavam nela e precisam ser perdoados.Exalam paixão, compram sem racionalidade, perdoam os deslizes nos shows,contemporizam a decadência física do ídolo. Estes acompanharam o início e odesfecho da biografia musical da cantora inglesa. Os fãs vão se manifestar demaneiras particulares, renovarão a relação de respeito pela moça e seguirão suasvidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mase os cínicos, que correm para parecer parte do circo? Aqueles que sealimentaram, de início, de uma mera curiosidade mórbida. Amy Winehouse morreuaos 27 anos. E daí? De que serve entrar para o panteão imaginário de Jimi Hendrix,Kurt Cobain e outros? Nenhum deles se tornou peça obrigatória no museu damúsica por causa da idade em que morreram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;E ossobreviventes da viagem, muitos deles sessentões? Submeteram-se à avaliação dotempo e se tornaram clássicos, obrigatórios em qualquer estante ou publicaçãoque fale sobre rock. Exemplos como Ozzy, Dylan e Keith Richards. Ser umclássico não tem conexão com o corpo, vivo ou morto. O artista entra para umtime como esse pelo que fez, pelo que criou. Pode ser o caso de Amy Winehouse.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;AmyWinehouse deveria ter sido blindada quando havia sinais da curva inevitável.Familiares agora falam em privacidade, depois de anos agarrados aos microfonese às câmeras. Lavaram as mãos quando Amy perdeu o poder de decidir por simesma, esmigalhada pelo vício. Produtores e empresários espremeram a laranjaaté o bagaço, com turnês em que a cantora se arrastava e se expunha aoridículo, como os shows em São Paulo e na Bulgária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Amáquina de dinheiro rendeu o que pôde e agradou a muitos. Com a morte, aexploração vai continuar, definitivamente, com DVDs, CDs de músicas que haviamsido desprezadas por qualidade inferior, trechos de gravação com blábláblá. Como perdão da desproporcionalidade, Amy vai trilhar – morta – o mesmo caminho deMichael Jackson.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;AmyWinehouse é mais um talento jogado fora pela selvageria alheia. É óbvio que amoça era adulta e – até certo ponto – poderia controlar seus atos. Mas a doença– alcoolismo assim o é – implicava na intervenção de terceiros, omissos dianteda tragédia acompanhada como capítulos de novela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Jamaissaberemos a dimensão real da capacidade criativa da cantora, que me parece maisinteressante de observar do que os fuxicos de alcova. Dois CDs são pouca coisa.Um deles levou cinco Grammys, mas pode significar fato isolado. Meraespeculação pelas redundantes circunstâncias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Escrevosobre Amy Winehouse porque lamento a morte dela, como de qualquer outra pessoa.É o que prega o mínimo senso de humanidade. Não consigo e sequer tenho vontadede sentir pena dela. Pena é um sentimento de quem se julga superior. Um atoarrogante e, neste caso, hipócrita porque não a conheço. O que li sãoconjecturas e episódios isolados, paridos pela mídia que ama o maniqueísmo deseus personagens construídos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;AmyWinehouse sempre me passou a impressão de quem lidava mal com o isolamento (oparadoxo da superexposição) e, principalmente, de quem pedia socorro. Emcondições normais, ninguém se expõe a um processo contínuo e doloroso deauto-destruição, seja profissional, pessoal e afetivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nãopretendo ouvir sua obra tão cedo. Tentarei dar o distanciamento da históriapara que possa sentir – sem prazo definido – vontade de ouvi-la cantar.Destinar a personagem ao papel de figurante e aproveitar o que a cantora tem demelhor. É a maneira que me parece mais justa de deixá-la descansar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Amoça, seu nome e seu legado artístico merecem paz.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3509280287527632880?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3509280287527632880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3509280287527632880' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3509280287527632880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3509280287527632880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/07/quem-e-amy.html' title='Quem é Amy?'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-8581875490522789614</id><published>2011-07-27T14:18:00.000-03:00</published><updated>2011-07-27T14:18:47.116-03:00</updated><title type='text'>Reconstrução ou amostra grátis?</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Rafael; Pará, EduDracena, Durval e Léo; Arouca, Ibson, Elano e Paulo Henrique Ganso; Neymar eBorges. No papel, talvez seja o melhor time brasileiro da atualidade. Estaequipe estréia hoje, contra o Flamengo, na Vila Belmiro. Eles nunca jogaramjuntos e compõem o que o Santos possui de melhor, no momento, para se recuperarno Campeonato Brasileiro e sonhar em medir forças contra a melhor equipe doplaneta, no final do ano, no Mundial Interclubes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O Santos de hoje pode não ser o clube de amanhã. Aamostra, por enquanto, é grátis porque o time inicia um processo de reconstrução.Vários atletas coadjuvantes saíram; outros foram contratados. O assédiopermanece latente sobre as principais estrelas da equipe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-t49cS3qKAxU/TjBH9VmsjqI/AAAAAAAAA7o/CaBrCtDoVg4/s1600/reconstruir.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-t49cS3qKAxU/TjBH9VmsjqI/AAAAAAAAA7o/CaBrCtDoVg4/s1600/reconstruir.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Da forma como o futebol é conduzido no país, precisamosnos acostumar com a desmontagem de times vencedores. Assistimos apenas àsfagulhas de sucessivas histórias de amor, desfeitas com a fugacidade de umnamoro de verão. Um semestre é o limite para o sonho do torcedor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Gansoe Neymar, por exemplo, recebem, pela imprensa, propostas milionárias quase todosos dias, das quais somos incapazes de distinguir se representam uma despedidaem breve ou mais uma cortina de fumaça para (re)valorizar jogador. Os atletasbrasileiros seguem atraentes, mas encareceram, enquanto as atuações na seleçãonão condizem – em proporção – aos caminhões de dólares exigidos no Brasil. Podeser a saída, ainda que frágil, para prendê-los mais um pouco por aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Esqueçamos um pouquinho os esquemas empresariais epensemos nos 11 que defenderão o Santos na maratona de jogos pelo campeonato nacional.Mais do que isso, nas palavras do técnico Muricy Ramalho, o Santos está semtime. A história do campeonato nacional, no modelo pontos corridos, indica duascaracterísticas básicas para se posicionar entre os quatro primeiros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A primeira dela é manter a comissão técnica durante todaa competição. Comissão técnica, porque a equipe de profissionais é quem mantémo barco no rumo. Os treinadores, à beira do campo com seus sinais e gritos, sãosupervalorizados no papel que exercem. Palavras de gente como Tostão e opróprio Muricy.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A comissão técnica, com tranqüilidade para cumprir suasobrigações, consegue traçar e executar, na maioria das vezes, objetivos delongo prazo. Dentro e fora de campo. Antes, durante e depois das partidas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Masa primeira característica depende, como uma injeção diária ministrada a umdoente crônico, do segundo ponto: o elenco. O Campeonato Brasileiro obriga osprincipais clubes a manterem times com 22 jogadores para as 38 partidas. 22jogadores em condições de decidir, não garotos que completam treino ou atletasde qualidade duvidosa. Contusões, suspensões, o desgaste natural da temporada,além das convocações para as seleções principal e de base, representamelementos que desmontam uma equipe ao longo do torneio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-lKXHqsRMh5I/TjBH0M1TYcI/AAAAAAAAA7k/mzJKpPwRkYQ/s1600/muricy.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-lKXHqsRMh5I/TjBH0M1TYcI/AAAAAAAAA7k/mzJKpPwRkYQ/s320/muricy.jpg" width="242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O técnico Muricy Ramalho reclamou inúmeras vezes que nãopossui este grupo. Vencedor de quatro campeonatos nos últimos cinco anos, elesabe como ninguém que reservas à altura (a receita aponta evitar medalhões!) sãomeio caminho andado para figurar entre os melhores. São Paulo, por três vezes,e Fluminense, ambos sob comando dele, confirmam a tese.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Hoje, o Santos possui somente 11 titulares e dois ou trêsreservas com capacidade de resposta imediata em uma partida. Os demais sãomeninos crus, recém-promovidos ao time de cima, e novidades de segunda linhasem grandes chances de uma sequência de jogos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Neymar e Ganso, salvo o adeus para a Europa, serãoconvocados com freqüência para a seleção brasileira. A ausência dos dois – eeventualmente Elano – abala a espinha dorsal. Faz do Santos um time como osdemais. A classificação no campeonato, mais a escassez de gols (nove em oitopartidas), selam o argumento da instabilidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A Vila Belmiro estará lotada para ver a estréia do Santosidealizado. Pena que não há garantias de que a amostra grátis será um remédiodefinitivo para a mesmice do futebol nacional. Um grande time precisa de tempopara se desenvolver. A gestação é naturalmente instável e dolorosa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;EsteSantos pode morrer antes de sair do ovo, o que me dá a impressão de que veremoso trailer de um filme candidato ao Oscar, mas sem acesso a ele nas salas decinema. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 16px;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-8581875490522789614?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/8581875490522789614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=8581875490522789614' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8581875490522789614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/8581875490522789614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/07/reconstrucao-ou-amostra-gratis.html' title='Reconstrução ou amostra grátis?'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-t49cS3qKAxU/TjBH9VmsjqI/AAAAAAAAA7o/CaBrCtDoVg4/s72-c/reconstruir.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-4375609564873040988</id><published>2011-07-27T00:49:00.000-03:00</published><updated>2011-07-27T00:49:27.383-03:00</updated><title type='text'>Gente grande ...</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Por Vinicius Mauricio*&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Maria, curiosa, se sentou no sofá branco de dona Maria. E apatroa reclamou. Maria foi mais para a pontinha do móvel e contra-argumentou:“Só um segundo!” Pasma, Maria olhou e se calou. Na TV, retratos de um futuroque começava a ser pintado. Na sala, um quadro comum no Brasil diário. Quecoisa, decidiram pelas domésticas, lá num país desses que só rico vai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Maria achou que ia virar patroa, mas Maria deu um banho defria realidade: Maria, continue a limpeza, pago pelas horas trabalhadas. E a empregadalevantou e ajeitou o vestido com jeito de gente grande. Pegou o espanador eparecia arrumar com mais alegria, devido à notícia que ouvia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Não era novela, e a repórter dizia: “Reunião OrganizaçãoInternacional do Trabalho assegura mesmos direitos que os outros profissionaisàs empregadas domésticas. Constituição brasileira vai ter de se adequar...”Imagine com o FGTS contar? Maria, nas nuvens, faxinava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Maria patroa empinou o nariz e retrucou a repórter. Marianão gostou e chiou. Nem era mais questão de aceitar ou não. Ambas teriam que seinterar da decisão. Maria desligou a TV e Maria ligou. Maria pensou: “Que Mariaabusada!” E a outra: “Que Maria abusada!” Eram iguais, em condições diferentes;uma, agora, só mais potente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A patroa sonhou que estava lavando louça, acordada no sofá,e acordou: “Maria, deixa eu ouvir a TV!” E Maria apertou o botão para aumentaro som, prestando atenção na repórter. Para ela, era melhor que ganhar naloteria, era um grande dia. “Tá vendo, dona Maria, agora eu trabalho igual e ganhodiferente...” Maria estava contente e Maria, indiferente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;* Vinicius Mauricio é jornalista.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-4375609564873040988?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/4375609564873040988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=4375609564873040988' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/4375609564873040988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/4375609564873040988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/07/gente-grande.html' title='Gente grande ...'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3205534229656684721</id><published>2011-07-22T08:08:00.000-03:00</published><updated>2011-07-22T08:08:46.490-03:00</updated><title type='text'>Os dedos tortos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Goleirossão como boxeadores. Precisam ter mãos grandes para sobreviver na profissão. Ededos tortos para marcar o tempo de estrada. Goleiros com unhas feitas e dedossimétricos indicam falso testemunho no ofício. São enganadores, assim como asbailarinas de pés de fada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os goleiros colecionam luxações,rachaduras nos ossos, dores contínuas; são deformações que indicam quantosprazeres – chutes interceptados? - foram estragados no cotidiano do futebol. Éa trajetória de dedicação do escravo das dores suportáveis, armado de esparadrapose ataduras para persistir como o sujeito que brocha a existência do gol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O castigo nasce nos detalhes. Osdedos entortam, normalmente, em defesas fáceis. As mãos traem quando asegurança domina a bola. Luvas se tornam instrumentos inúteis quando o goleiroestá destinado à dor, como se não bastassem sucessivas decepções a cadabalançar das redes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Julio César, do Corinthians, caiucom tranqüilidade para defender um chute de longa distância do atleta doBotafogo. A defesa foi sem rebote, com reposição de bola serena, daquelas emque o zagueiro vira as costas aliviado. Mas o dedo mindinho do goleiro estavatorto. Com a transmissão ao vivo pela TV, a vitimização se transformou emheroísmo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ao colocar o dedo de Julio César nolugar, o médico do Corinthians alterou a história do goleiro no clube. Julio éo herói do momento. Sempre será lembrado pela façanha de jogar com o dedoarrebentado. A prova de amor para um time destinado a vencer quando as críticasse multiplicam, quando o suor jorra além do normal da pele de jogadoresmedianos esforçados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O Corinthians vencia por &lt;st1:metricconverter productid="1 a" w:st="on"&gt;1 a&lt;/st1:metricconverter&gt; &lt;st1:metricconverter productid="0, a" w:st="on"&gt;0, a&lt;/st1:metricconverter&gt; sétima vitória seguida, anona em dez partidas. O técnico Tite já havia feito as três substituições. Jogofora de casa, adversário impondo pressão pelo empate. O cenário era delicado e,por isso, favorável a atos de sacrifício. Julio César percebeu que aquelescinco minutos a mais, com o dedo latejando, poderiam tatuá-lo como corintiano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A conjunção de fatores mudou arelação de Julio César com a torcida. Uma bola cruzada na área. O goleiroafasta com a mão direita, até porque a outra apenas fazia figuração. Doisminutos depois, em um contra-ataque, Paulinho faz o segundo gol, que sacramentao resultado no Rio de Janeiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Julio César esperou por cinco anospara assumir a camisa 1 do clube. Nunca foi unanimidade. Falhou em momentosimportantes, destino dos goleiros bons, porém comuns. A direção do clube nãoconfia nele, tanto que contratou Renan, revelação do Avaí, de Santa Catarina. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Julio César chegou a perder aposição para Rafael Santos, que falhou em excesso e deixou a equipe. Desde asaída de Dida, o Corinthians jamais teve um goleiro à altura das tradições eresponsabilidades do cargo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Julio César, formado e amaldiçoadoem casa, teria o destino de outros que amargaram a transição entre dinastias degoleiros excepcionais. Agora, com o dedo torto de um boxeador, ele sairá dasnotas de rodapé para ocupar o posto de personagem principal de um episódio dahistória corintiana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O goleiro terá a vantagem daslembranças dúbias. Ele poderá ser lembrado como o vilão que errou numa partidadecisiva de Campeonato Paulista, contra o Santos, na Vila Belmiro. Mas os quetranspiram amor cego vão se recordar do goleiro que deslocou o dedo mindinho damão esquerda, recolocou-o no lugar e agüentou em campo contra o Botafogo, &lt;st1:personname productid="em pleno Rio" w:st="on"&gt;em pleno Rio&lt;/st1:personname&gt; de Janeiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Goleiros honestos, não exatamentegênios, vivem assim. Com mãos tortas, preferem vias sinuosas para escrever –sem garantias de compreensão – a própria biografia, dolorosa como o dedoarrebentado por um chute sem pretensão na quarta-feira à noite. &lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-3205534229656684721?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/3205534229656684721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=3205534229656684721' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3205534229656684721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/3205534229656684721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/07/os-dedos-tortos.html' title='Os dedos tortos'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-236450835547321986</id><published>2011-07-22T00:52:00.000-03:00</published><updated>2011-07-22T00:52:15.707-03:00</updated><title type='text'>Praças para ficar</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;   &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;   &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt;  &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Estive por três dias em Atibaia, nointerior de São Paulo.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Mesmoconsiderando a diferença de tamanho entre Santos e o lugar em que visitava, nãodeixei de notar a contraposição entre as praças daqui e de lá. O olhar foireforçado porque, antes de viajar, conversei com uma amiga sobre a metamorfose daspraças de Santos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;As praças da cidade perderam o papeloriginal. Viraram locais de passagem, sem espaço para reuniões, políticas ounão, sem ocupar a rotina de vizinhos que se encontravam para dividir os fatosdo dia e observar ou vigiar as crianças que aproveitavam o bate-papo dosadultos para correr e brincar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;As praças eram pontos de encontro paradiscutir problemas do bairro e serviam como um jornal oral de informaçõeslocais. Funcionavam como referência para os acontecimentos de uma comunidade,para apoio mútuo contra os problemas cotidianos. Até centro de fofocas e maledicênciasapimentavam a história de pequenos grupos de moradores. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Hoje, as exceções reforçam a saudade de umperíodo que caminha rumo ao cemitério. A praça da Independência, por exemplo,abrigou estudantes que gritavam pelo final da era Collor. O lugar, atualmente,só fica cheio quando torcedores resolvem celebrar conquistas da seleção brasileiraou do Santos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Em bairros da Zona Noroeste e dos Morros,ainda é possível vivenciar as praças do século passado. Mas são ocasiões quetendem a rarear por causa da expansão imobiliária e de outras feridas sociais,como a violência urbana. Será que apenas o modo de vida mudou? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Na Zona Leste, as praças se tornarammanchas na paisagem. Algumas são mantidas por empresas que, preocupadas com aboa imagem ligada ao meio ambiente, as conservam. Outros endereços, como apraça Palmares, reúnem jovens em torno do skate e do movimento hip-hop,cansados de reclamar e de pedir por melhorias no local. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;As praças de Santos, em sua maioria,perderam as flores. Têm alguma área verde, mas sem o colorido que alimenta avida nestes espaços. E sem o essencial para a sobrevivência delas: gente! Numa praça,por exemplo, na Ponta da Praia, cheguei a testemunhar um casal tocando violinopara ninguém, na escuridão de um lugar mal iluminado, mas decorado com bancosde madeira para a fotografia de cartão postal. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Ao visitar Atibaia, pude perceber umacidade onde as praças representam o modelo inverso. Ali, a vida pulsava aqualquer hora do dia, inclusive como passagem, porém mais lenta, retardada porum boa tarde, um aperto de mão ou por um papo de cinco minutos sobre o jogo dotime preferido. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Durante a viagem ao interior, outra amigaresumiu a diferença entre as escolhas feitas pelas duas cidades: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;— Aqui, no interior, as praças são paraficar. Em Santos, as pessoas só passam por elas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Hoje, muitos moradores de Santos aindafreqüentam praças, mas o modelo privatizado, cercado de restaurantes fast-foodcom suas comidas franqueadas. É possível vivenciar também encontros em locaisque, vagamente, parecem praças, onde se multiplicam grades, câmeras devigilância e homens de uniforme. As praças, ou espaço gourmet, assumem amáscara do consumo e o estilo de vida no qual se reunir é isolar-se. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;É melancólico assistir à transformação de uma cidade, que sonha com arescosmopolitas, enquanto reforça o sangue bairrista e as roupas provincianas. Nestesentido, o ar interiorano soa, para os falsos modernistas, como cenárioultrapassado, à espera do crescimento selvagem e sem limites.&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433712634824892213-236450835547321986?l=conversasedistracoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/feeds/236450835547321986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433712634824892213&amp;postID=236450835547321986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/236450835547321986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433712634824892213/posts/default/236450835547321986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasedistracoes.blogspot.com/2011/07/pracas-para-ficar.html' title='Praças para ficar'/><author><name>Marcus Vinicius Batista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04617832464338308222</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_uJ9Pn7Uber0/SnzxkXwbIRI/AAAAAAAAAM8/_XkZdOLYZyU/S220/fotoMV.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433712634824892213.post-3048890587924201603</id><published>2011-07-19T18:46:00.000-03:00</published><updated>2011-07-19T18:46:59.287-03:00</updated><title type='text'>Homofobia é caso de política</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A agressão a pai efilho, como se fossem um casal homossexual, em uma feira agropecuária, nacidade São João da Boa Vista, interior de São Paulo, pode ser vista como danocolateral. Descartando a frieza da expressão de origem militar, o fato é quetestemunhamos uma guerra não tão silenciosa, que perdeu o gelo comocaracterística e que, acima de tudo, inseriu sem volta a homofobia na agendapública. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&
